Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
23

Balaão abençoa a Israel pela primeira vez

231Então, Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 2Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; e Balaque e Balaão ofereceram um novilho e um carneiro sobre cada altar. 3Disse mais Balaão a Balaque: Fica-te junto do teu holocausto, e eu irei; porventura, o Senhor me sairá ao encontro, e o que me mostrar to notificarei. Então, subiu a um morro desnudo. 4Encontrando-se Deus com Balaão, este lhe disse: Preparei sete altares e sobre cada um ofereci um novilho e um carneiro. 5Então, o Senhor pôs a palavra na boca de Balaão e disse: Torna para Balaque e falarás assim. 6E, tornando para ele, eis que estava junto do seu holocausto, ele e todos os príncipes dos moabitas. 7Então, proferiu a sua palavra e disse:

Balaque me fez vir de Arã,

o rei de Moabe, dos montes do Oriente;

vem, amaldiçoa-me a Jacó,

e vem, denuncia a Israel.

8Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou?

Como posso denunciar a quem o Senhor não denunciou?

9Pois do cimo das penhas vejo Israel

e dos outeiros o contemplo:

eis que é povo que habita só

e não será reputado entre as nações.

10Quem contou o pó de Jacó

ou enumerou a quarta parte de Israel?

Que eu morra a morte dos justos,

e o meu fim seja como o dele.

11Então, disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que somente os abençoaste. 12Mas ele respondeu: Porventura, não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?

Balaão abençoa a Israel pela segunda vez

13Então, Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, donde verás o povo; verás somente a parte mais próxima dele e não o verás todo; e amaldiçoa-mo dali. 14Levou-o consigo ao campo de Zofim, ao cimo de Pisga; e edificou sete altares e sobre cada um ofereceu um novilho e um carneiro. 15Então, disse Balaão a Balaque: Fica, aqui, junto do teu holocausto, e eu irei ali ao encontro do Senhor. 16Encontrando-se o Senhor com Balaão, pôs-lhe na boca a palavra e disse: Torna para Balaque e assim falarás. 17Vindo a ele, eis que estava junto do holocausto, e os príncipes dos moabitas, com ele. Perguntou-lhe, pois, Balaque: Que falou o Senhor? 18Então, proferiu a sua palavra e disse:

Levanta-te, Balaque, e ouve;

escuta-me, filho de Zipor:

19Deus não é homem, para que minta;

nem filho de homem, para que se arrependa.

Porventura, tendo ele prometido, não o fará?

Ou, tendo falado, não o cumprirá?

20Eis que para abençoar recebi ordem;

ele abençoou, não o posso revogar.

21Não viu iniquidade em Jacó,

nem contemplou desventura em Israel;

o Senhor, seu Deus, está com ele,

no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei.

22Deus os tirou do Egito;

as forças deles são como as do boi selvagem.

23Pois contra Jacó não vale encantamento,

nem adivinhação contra Israel;

agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel:

Que coisas tem feito Deus!

24Eis que o povo se levanta como leoa

e se ergue como leão;

não se deita até que devore a presa

e beba o sangue dos que forem mortos.

25Então, disse Balaque a Balaão: Nem o amaldiçoarás, nem o abençoarás. 26Porém Balaão respondeu e disse a Balaque: Não te disse eu: tudo o que o Senhor falar, isso farei? 27Disse mais Balaque a Balaão: Ora, vem, e te levarei a outro lugar; porventura, parecerá bem aos olhos de Deus que dali mo amaldiçoes. 28Então, Balaque levou Balaão consigo ao cimo de Peor, que olha para o lado do deserto. 29Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 30Balaque, pois, fez como dissera Balaão e ofereceu sobre cada altar um novilho e um carneiro.

24

Balaão abençoa a Israel pela terceira vez

241Vendo Balaão que bem parecia aos olhos do Senhor que abençoasse a Israel, não foi esta vez, como antes, ao encontro de agouros, mas voltou o rosto para o deserto. 2Levantando Balaão os olhos e vendo Israel acampado segundo as suas tribos, veio sobre ele o Espírito de Deus. 3Proferiu a sua palavra e disse:

Palavra de Balaão, filho de Beor,

palavra do homem de olhos abertos;

4palavra daquele que ouve os ditos de Deus,

o que tem a visão do Todo-Poderoso

e prostra-se, porém de olhos abertos:

5Que boas são as tuas tendas, ó Jacó!

Que boas são as tuas moradas, ó Israel!

6Como vales que se estendem,

como jardins à beira dos rios,

como árvores de sândalo que o Senhor plantou,

como cedros junto às águas.

7Águas manarão de seus baldes,

e as suas sementeiras terão águas abundantes;

o seu rei se levantará mais do que Agague,

e o seu reino será exaltado.

8Deus tirou do Egito a Israel,

cujas forças são como as do boi selvagem;

consumirá as nações, seus inimigos,

e quebrará seus ossos,

e, com as suas setas, os atravessará.

9Este abaixou-se,

24.9
Gn 49.9
deitou-se como leão

e como leoa; quem o despertará?

Benditos

24.9
Gn 12.3
os que te abençoarem,

e malditos os que te amaldiçoarem.

10Então, a ira de Balaque se acendeu contra Balaão, e bateu ele as suas palmas. Disse Balaque a Balaão: Chamei-te para amaldiçoares os meus inimigos; porém, agora, já três vezes, somente os abençoaste. 11Agora, pois, vai-te embora para tua casa; eu dissera que te cumularia de honras; mas eis que o Senhor te privou delas. 12Então, Balaão disse a Balaque: Não falei eu também aos teus mensageiros, que me enviaste, dizendo: 13ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e ouro, não poderia traspassar o mandado do Senhor, fazendo de mim mesmo bem ou mal; o que o Senhor falar, isso falarei? 14Agora, eis que vou ao meu povo; vem, avisar-te-ei do que fará este povo ao teu, nos últimos dias.

A profecia de Balaão. A estrela de Jacó

15Então, proferiu a sua palavra e disse:

Palavra de Balaão, filho de Beor,

palavra do homem de olhos abertos,

16palavra daquele que ouve os ditos de Deus

e sabe a ciência do Altíssimo;

daquele que tem a visão do Todo-Poderoso

e prostra-se, porém de olhos abertos:

17Vê-lo-ei, mas não agora;

contemplá-lo-ei, mas não de perto;

uma estrela procederá de Jacó,

de Israel subirá um cetro

que ferirá as têmporas de Moabe

e destruirá todos os filhos de Sete.

18Edom será uma possessão;

Seir, seus inimigos, também será uma possessão;

mas Israel fará proezas.

19De Jacó sairá o dominador

e exterminará os que restam das cidades.

20Viu Balaão a Amaleque, proferiu a sua palavra e disse:

Amaleque é o primeiro das nações;

porém o seu fim será destruição.

21Viu os queneus, proferiu a sua palavra e disse:

Segura está a tua habitação,

e puseste o teu ninho na penha.

22Todavia, o queneu será consumido.

Até quando? Assur te levará cativo.

23Proferiu ainda a sua palavra e disse:

Ai! Quem viverá, quando Deus fizer isto?

24Homens virão das costas de Quitim em suas naus;

afligirão a Assur e a Héber;

e também eles mesmos perecerão.

25Então, Balaão se levantou, e se foi, e voltou para a sua terra; e também Balaque se foi pelo seu caminho.

25

A adoração a Baal-Peor e o zelo de Fineias

251Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. 2Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. 3Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra Israel. 4Disse o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor ao ar livre, e a ardente ira do Senhor se retirará de Israel. 5Então, Moisés disse aos juízes de Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor.

6Eis que um homem dos filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de Moisés e de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da tenda da congregação. 7Vendo isso Fineias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, 8foi após o homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre; então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. 9Os que morreram da praga foram vinte e quatro mil. 10Então, disse o Senhor a Moisés: 11Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois estava animado com o meu zelo entre eles; de sorte que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel. 12Portanto, dize: Eis que lhe dou a minha aliança de paz. 13E ele e a sua descendência depois dele terão a aliança do sacerdócio perpétuo; porquanto teve zelo pelo seu Deus e fez expiação pelos filhos de Israel. 14O nome do israelita que foi morto (morto com a midianita) era Zinri, filho de Salu, príncipe da casa paterna dos simeonitas. 15O nome da mulher midianita que foi morta era Cosbi, filha de Zur, cabeça do povo da casa paterna entre os midianitas.

16Disse mais o Senhor a Moisés: 17Afligireis os midianitas e os ferireis, 18porque eles vos afligiram a vós outros quando vos enganaram no caso de Peor e no caso de Cosbi, filha do príncipe dos midianitas, irmã deles, que foi morta no dia da praga no caso de Peor.