Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
21

Derrota do rei de Arade

211Ouvindo o cananeu, rei de Arade,

21.1
Nm 33.40
que habitava no Neguebe, que Israel vinha pelo caminho de Atarim, pelejou contra Israel e levou alguns deles cativos. 2Então, Israel fez voto ao Senhor, dizendo: Se, de fato, entregares este povo nas minhas mãos, destruirei totalmente as suas cidades. 3Ouviu, pois, o Senhor a voz de Israel e lhe entregou os cananeus. Os israelitas os destruíram totalmente, a eles e a suas cidades; e aquele lugar se chamou Horma.

A serpente de bronze

4Então, partiram do monte Hor, pelo caminho do mar Vermelho, a rodear a terra de Edom,

21.4
Dt 2.1
porém o povo se tornou impaciente no caminho. 5E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil. 6Então, o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel. 7Veio o povo a Moisés e disse: Havemos pecado, porque temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós as serpentes. Então, Moisés orou pelo povo. 8Disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá. 9Fez Moisés uma serpente de bronze
21.9
Jo 3.14
e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava.

Jornadas dos israelitas

10Então, partiram os filhos de Israel e se acamparam em Obote. 11Depois, partiram de Obote e se acamparam em Ijé-Abarim, no deserto que está defronte de Moabe, para o nascente. 12Dali, partiram e se acamparam no vale de Zerede. 13E, dali, partiram e se acamparam na outra margem do Arnom, que está no deserto que se estende do território dos amorreus; porque o Arnom é o limite de Moabe, entre Moabe e os amorreus. 14Pelo que se diz no Livro das Guerras do Senhor:

Vaebe em Sufa,

e os vales do Arnom,

15e o declive dos vales

que se inclina para a sede de Ar

e se encosta aos limites de Moabe.

16Dali partiram para Beer; este é o poço do qual disse o Senhor a Moisés: Ajunta o povo, e lhe darei água.

17Então, cantou Israel este cântico:

Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos!

18Poço que os príncipes cavaram,

que os nobres do povo abriram,

com o cetro, com os seus bordões.

Do deserto, partiram para Matana. 19E, de Matana, para Naaliel e, de Naaliel, para Bamote. 20De Bamote, ao vale que está no campo de Moabe, no cimo de Pisga, que olha para o deserto.

Vitória sobre Seom, rei de Hesbom

Dt 2.26-36

21Então, Israel mandou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, dizendo: 22Deixa-me passar pela tua terra; não nos desviaremos pelos campos nem pelas vinhas; as águas dos poços não beberemos; iremos pela estrada real até que passemos o teu país. 23Porém Seom não deixou passar a Israel pelo seu país; antes, reuniu todo o seu povo, e saiu ao encontro de Israel ao deserto, e veio a Jasa, e pelejou contra Israel. 24Mas Israel o feriu a fio de espada e tomou posse de sua terra, desde o Arnom até ao Jaboque, até aos filhos de Amom, cuja fronteira era fortificada. 25Assim, Israel tomou todas estas cidades dos amorreus e habitou em todas elas, em Hesbom e em todas as suas aldeias. 26Porque Hesbom era cidade de Seom, rei dos amorreus, que tinha pelejado contra o precedente rei dos moabitas, de cuja mão tomara toda a sua terra até ao Arnom. 27Pelo que dizem os poetas:

Vinde a Hesbom! Edifique-se,

estabeleça-se a cidade de Seom!

28Porque fogo saiu de Hesbom,

e chama, da cidade de Seom,

e consumiu a Ar, de Moabe,

e os senhores dos altos do Arnom.

29Ai de ti, Moabe!

Perdido estás, povo de Quemos;

entregou seus filhos como fugitivos

e suas filhas, como cativas

a Seom, rei dos amorreus.

30Nós os asseteamos;

estão destruídos desde Hesbom até Dibom;

e os assolamos até Nofa

e com fogo, até Medeba.

Vitória sobre Ogue, rei de Basã

Dt 3.1-11

31Assim, Israel habitou na terra dos amorreus. 32Depois, mandou Moisés espiar a Jazer, tomaram as suas aldeias e desapossaram os amorreus que se achavam ali. 33Então, voltaram e subiram o caminho de Basã; e Ogue, rei de Basã, saiu contra eles, ele e todo o seu povo, à peleja em Edrei. 34Disse o Senhor a Moisés: Não o temas, porque eu o dei na tua mão, a ele, e a todo o seu povo, e a sua terra; e far-lhe-ás como fizeste a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom. 35De tal maneira o feriram, a ele, e a seus filhos, e a todo o seu povo, que nenhum deles escapou; e lhe tomaram posse da terra.

22

Balaque envia mensageiros a Balaão

221Tendo partido os filhos de Israel, acamparam-se nas campinas de Moabe, além do Jordão, na altura de Jericó. 2Viu, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus; 3Moabe teve grande medo deste povo, porque era muito; e andava angustiado por causa dos filhos de Israel; 4pelo que Moabe disse aos anciãos dos midianitas: Agora, lamberá esta multidão tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo. Balaque, filho de Zipor, naquele tempo, era rei dos moabitas. 5Enviou ele mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Petor, que está junto ao rio Eufrates, na terra dos filhos do seu povo, a chamá-lo, dizendo: Eis que um povo saiu do Egito, cobre a face da terra e está morando defronte de mim. 6Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois é mais poderoso do que eu; para ver se o poderei ferir e lançar fora da terra, porque sei que a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.

7Então, foram-se os anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas, levando consigo o preço dos encantamentos; e chegaram a Balaão e lhe referiram as palavras de Balaque. 8Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o Senhor me falar; então, os príncipes dos moabitas ficaram com Balaão. 9Veio Deus a Balaão e disse: Quem são estes homens contigo? 10Respondeu Balaão a Deus: Balaque, rei dos moabitas, filho de Zipor, os enviou para que me dissessem: 11Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra; vem, agora, amaldiçoa-mo; talvez eu possa combatê-lo e lançá-lo fora. 12Então, disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado. 13Levantou-se Balaão pela manhã e disse aos príncipes de Balaque: Tornai à vossa terra, porque o Senhor recusa deixar-me ir convosco. 14Tendo-se levantado os príncipes dos moabitas, foram a Balaque e disseram: Balaão recusou vir conosco.

15De novo, enviou Balaque príncipes, em maior número e mais honrados do que os primeiros, 16os quais chegaram a Balaão e lhe disseram: Assim diz Balaque, filho de Zipor: Peço-te não te demores em vir a mim, 17porque grandemente te honrarei e farei tudo o que me disseres; vem, pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo. 18Respondeu Balaão aos oficiais de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do Senhor, meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande; 19agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que mais o Senhor me dirá. 20Veio, pois, o Senhor a Balaão, de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens vieram chamar-te, levanta-te, vai com eles; todavia, farás somente o que eu te disser.

O Anjo do Senhor e a jumenta de Balaão

21Então, Balaão levantou-se pela manhã, albardou a sua jumenta e partiu com os príncipes de Moabe. 22Acendeu-se a ira de Deus, porque ele se foi; e o Anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho por adversário. Ora, Balaão ia caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus servos, com ele. 23Viu, pois, a jumenta o Anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que se desviou a jumenta do caminho, indo pelo campo; então, Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho. 24Mas o Anjo do Senhor pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo muro de um e outro lado. 25Vendo, pois, a jumenta o Anjo do Senhor, coseu-se contra o muro e comprimiu contra este o pé de Balaão; por isso, tornou a espancá-la. 26Então, o Anjo do Senhor passou mais adiante e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita, nem para a esquerda. 27Vendo a jumenta o Anjo do Senhor, deixou-se cair debaixo de Balaão; acendeu-se a ira de Balaão, e espancou a jumenta com a vara. 28Então, o Senhor fez falar a jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste já três vezes? 29Respondeu Balaão à jumenta: Porque zombaste de mim; tivera eu uma espada na mão e, agora, te mataria. 30Replicou a jumenta a Balaão: Porventura, não sou a tua jumenta, em que toda a tua vida cavalgaste até hoje? Acaso, tem sido o meu costume fazer assim contigo? Ele respondeu: Não.

31Então, o Senhor abriu os olhos a Balaão, ele viu o Anjo do Senhor, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça e prostrou-se com o rosto em terra. 32Então, o Anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a jumenta? Eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é perverso diante de mim; 33a jumenta me viu e já três vezes se desviou de diante de mim; na verdade, eu, agora, te haveria matado e a ela deixaria com vida. 34Então, Balaão disse ao Anjo do Senhor: Pequei, porque não soube que estavas neste caminho para te opores a mim; agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei. 35Tornou o Anjo do Senhor a Balaão: Vai-te com estes homens; mas somente aquilo que eu te disser, isso falarás. Assim, Balaão se foi com os príncipes de Balaque.

36Tendo Balaque ouvido que Balaão havia chegado, saiu-lhe ao encontro até à cidade de Moabe, que está nos confins do Arnom e na fronteira extrema. 37Perguntou Balaque a Balaão: Porventura, não enviei mensageiros a chamar-te? Por que não vieste a mim? Não posso eu, na verdade, honrar-te? 38Respondeu Balaão a Balaque: Eis-me perante ti; acaso, poderei eu, agora, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei. 39Balaão foi com Balaque, e chegaram a Quiriate-Huzote. 40Então, Balaque sacrificou bois e ovelhas; e deles enviou a Balaão e aos príncipes que estavam com ele. 41Sucedeu que, pela manhã, Balaque tomou a Balaão e o fez subir a Bamote-Baal; e Balaão viu dali a parte mais próxima do povo.

23

Balaão abençoa a Israel pela primeira vez

231Então, Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 2Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; e Balaque e Balaão ofereceram um novilho e um carneiro sobre cada altar. 3Disse mais Balaão a Balaque: Fica-te junto do teu holocausto, e eu irei; porventura, o Senhor me sairá ao encontro, e o que me mostrar to notificarei. Então, subiu a um morro desnudo. 4Encontrando-se Deus com Balaão, este lhe disse: Preparei sete altares e sobre cada um ofereci um novilho e um carneiro. 5Então, o Senhor pôs a palavra na boca de Balaão e disse: Torna para Balaque e falarás assim. 6E, tornando para ele, eis que estava junto do seu holocausto, ele e todos os príncipes dos moabitas. 7Então, proferiu a sua palavra e disse:

Balaque me fez vir de Arã,

o rei de Moabe, dos montes do Oriente;

vem, amaldiçoa-me a Jacó,

e vem, denuncia a Israel.

8Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou?

Como posso denunciar a quem o Senhor não denunciou?

9Pois do cimo das penhas vejo Israel

e dos outeiros o contemplo:

eis que é povo que habita só

e não será reputado entre as nações.

10Quem contou o pó de Jacó

ou enumerou a quarta parte de Israel?

Que eu morra a morte dos justos,

e o meu fim seja como o dele.

11Então, disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que somente os abençoaste. 12Mas ele respondeu: Porventura, não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?

Balaão abençoa a Israel pela segunda vez

13Então, Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, donde verás o povo; verás somente a parte mais próxima dele e não o verás todo; e amaldiçoa-mo dali. 14Levou-o consigo ao campo de Zofim, ao cimo de Pisga; e edificou sete altares e sobre cada um ofereceu um novilho e um carneiro. 15Então, disse Balaão a Balaque: Fica, aqui, junto do teu holocausto, e eu irei ali ao encontro do Senhor. 16Encontrando-se o Senhor com Balaão, pôs-lhe na boca a palavra e disse: Torna para Balaque e assim falarás. 17Vindo a ele, eis que estava junto do holocausto, e os príncipes dos moabitas, com ele. Perguntou-lhe, pois, Balaque: Que falou o Senhor? 18Então, proferiu a sua palavra e disse:

Levanta-te, Balaque, e ouve;

escuta-me, filho de Zipor:

19Deus não é homem, para que minta;

nem filho de homem, para que se arrependa.

Porventura, tendo ele prometido, não o fará?

Ou, tendo falado, não o cumprirá?

20Eis que para abençoar recebi ordem;

ele abençoou, não o posso revogar.

21Não viu iniquidade em Jacó,

nem contemplou desventura em Israel;

o Senhor, seu Deus, está com ele,

no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei.

22Deus os tirou do Egito;

as forças deles são como as do boi selvagem.

23Pois contra Jacó não vale encantamento,

nem adivinhação contra Israel;

agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel:

Que coisas tem feito Deus!

24Eis que o povo se levanta como leoa

e se ergue como leão;

não se deita até que devore a presa

e beba o sangue dos que forem mortos.

25Então, disse Balaque a Balaão: Nem o amaldiçoarás, nem o abençoarás. 26Porém Balaão respondeu e disse a Balaque: Não te disse eu: tudo o que o Senhor falar, isso farei? 27Disse mais Balaque a Balaão: Ora, vem, e te levarei a outro lugar; porventura, parecerá bem aos olhos de Deus que dali mo amaldiçoes. 28Então, Balaque levou Balaão consigo ao cimo de Peor, que olha para o lado do deserto. 29Balaão disse a Balaque: Edifica-me, aqui, sete altares e prepara-me sete novilhos e sete carneiros. 30Balaque, pois, fez como dissera Balaão e ofereceu sobre cada altar um novilho e um carneiro.