Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
9

A celebração da Páscoa

91Falou o Senhor a Moisés no deserto do Sinai, no ano segundo da sua saída da terra do Egito, no mês primeiro, dizendo: 2Celebrem os filhos de Israel a Páscoa a seu tempo. 3No dia catorze deste mês, ao crepúsculo da tarde, a seu tempo a celebrareis; segundo todos os seus estatutos e segundo todos os seus ritos, a celebrareis. 4Disse, pois, Moisés aos filhos de Israel que celebrassem a Páscoa. 5Então, celebraram a Páscoa no dia catorze do mês primeiro, ao crepúsculo da tarde, no deserto do Sinai; segundo tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.

9.1-5
Êx 12.1-13

6Houve alguns que se acharam imundos por terem tocado o cadáver de um homem, de maneira que não puderam celebrar a Páscoa naquele dia; por isso, chegando-se perante Moisés e Arão, 7disseram-lhes: Estamos imundos por termos tocado o cadáver de um homem; por que havemos de ser privados de apresentar a oferta do Senhor, a seu tempo, no meio dos filhos de Israel? 8Respondeu-lhes Moisés: Esperai, e ouvirei o que o Senhor vos ordenará.

9Então, disse o Senhor a Moisés: 10Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém entre vós ou entre as vossas gerações achar-se imundo por causa de um morto ou se achar em jornada longe de vós, contudo, ainda celebrará a Páscoa ao Senhor. 11No mês segundo, no dia catorze, no crepúsculo da tarde, a celebrarão; com pães asmos e ervas amargas a comerão. 12Dela nada deixarão até à manhã e dela não quebrarão osso algum;

9.12
Êx 12.46
Sl 34.20
Jo 19.36
segundo todo o estatuto da Páscoa, a celebrarão. 13Porém, se um homem achar-se limpo, e não estiver de caminho, e deixar de celebrar a Páscoa, essa alma será eliminada do seu povo, porquanto não apresentou a oferta do Senhor, a seu tempo; tal homem levará sobre si o seu pecado. 14Se um estrangeiro habitar entre vós e também celebrar a Páscoa ao Senhor, segundo o estatuto da Páscoa e segundo o seu rito, assim a celebrará; um só estatuto haverá para vós outros, tanto para o estrangeiro como para o natural da terra.

A nuvem sobre o tabernáculo

Êx 40.34-38

15No dia em que foi erigido o tabernáculo, a nuvem o cobriu, a saber, a tenda do Testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã. 16Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de noite, havia aparência de fogo. 17Quando a nuvem se erguia de sobre a tenda, os filhos de Israel se punham em marcha; e, no lugar onde a nuvem parava, aí os filhos de Israel se acampavam. 18Segundo o mandado do Senhor, os filhos de Israel partiam e, segundo o mandado do Senhor, se acampavam; por todo o tempo em que a nuvem pairava sobre o tabernáculo, permaneciam acampados. 19Quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernáculo, então, os filhos de Israel cumpriam a ordem do Senhor e não partiam. 20Às vezes, a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então, segundo o mandado do Senhor, permaneciam e, segundo a ordem do Senhor, partiam. 21Às vezes, a nuvem ficava desde a tarde até à manhã; quando, pela manhã, a nuvem se erguia, punham-se em marcha; quer de dia, quer de noite, erguendo-se a nuvem, partiam. 22Se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo por dois dias, ou um mês, ou por mais tempo, enquanto pairava sobre ele, os filhos de Israel permaneciam acampados e não se punham em marcha; mas, erguendo-se ela, partiam. 23Segundo o mandado do Senhor, se acampavam e, segundo o mandado do Senhor, se punham em marcha; cumpriam o seu dever para com o Senhor, segundo a ordem do Senhor por intermédio de Moisés.

10

As duas trombetas de prata

101Disse mais o Senhor a Moisés: 2Faze duas trombetas de prata; de obra batida as farás; servir-te-ão para convocares a congregação e para a partida dos arraiais. 3Quando tocarem, toda a congregação se ajuntará a ti à porta da tenda da congregação. 4Mas, quando tocar uma só, a ti se ajuntarão os príncipes, os cabeças dos milhares de Israel. 5Quando as tocardes a rebate, partirão os arraiais que se acham acampados do lado oriental. 6Mas, quando a segunda vez as tocardes a rebate, então, partirão os arraiais que se acham acampados do lado sul; a rebate, as tocarão para as suas partidas. 7Mas, se se houver de ajuntar a congregação, tocá-las-eis, porém não a rebate. 8Os filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as trombetas; e a vós outros será isto por estatuto perpétuo nas vossas gerações. 9Quando, na vossa terra, sairdes a pelejar contra os opressores que vos apertam, também tocareis as trombetas a rebate, e perante o Senhor, vosso Deus, haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos. 10Da mesma sorte, no dia da vossa alegria, e nas vossas solenidades, e nos princípios dos vossos meses, também tocareis as vossas trombetas sobre os vossos holocaustos e sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por lembrança perante vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus.

Os israelitas partem do Sinai

11Aconteceu, no ano segundo, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se ergueu de sobre o tabernáculo da congregação. 12Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada; e a nuvem repousou no deserto de Parã. 13Assim, pela primeira vez, se puseram em marcha, segundo o mandado do Senhor, por Moisés. 14Primeiramente, partiu o estandarte do arraial dos filhos de Judá, segundo as suas turmas; e, sobre o seu exército, estava Naassom, filho de Aminadabe; 15sobre o exército da tribo dos filhos de Issacar, Natanael, filho de Zuar; 16e, sobre o exército da tribo dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom.

17Então, desarmaram o tabernáculo, e os filhos de Gérson e os filhos de Merari partiram, levando o tabernáculo. 18Depois, partiu o estandarte do arraial de Rúben, segundo as suas turmas; e, sobre o seu exército, estava Elizur, filho de Sedeur; 19sobre o exército da tribo dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de Zurisadai; 20e, sobre o exército da tribo dos filhos de Gade, Eliasafe, filho de Deuel. 21Então, partiram os coatitas, levando as coisas santas; e erigia-se o tabernáculo até que estes chegassem.

22Depois, partiu o estandarte do arraial dos filhos de Efraim, segundo as suas turmas; e, sobre o seu exército, estava Elisama, filho de Amiúde; 23sobre o exército da tribo dos filhos de Manassés, Gamaliel, filho de Pedazur; 24e, sobre o exército da tribo dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gideoni.

25Então, partiu o estandarte do arraial dos filhos de Dã, formando a retaguarda de todos os arraiais, segundo as suas turmas; e, sobre o seu exército, estava Aiezer, filho de Amisadai; 26sobre o exército da tribo dos filhos de Aser, Pagiel, filho de Ocrã; 27e, sobre o exército da tribo dos filhos de Naftali, Aira, filho de Enã. 28Nesta ordem, puseram-se em marcha os filhos de Israel, segundo os seus exércitos.

Moisés roga a Hobabe que vá com eles

29Disse Moisés a Hobabe, filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés: Estamos de viagem para o lugar de que o Senhor disse: Dar-vo-lo-ei; vem conosco, e te faremos bem, porque o Senhor prometeu boas coisas a Israel. 30Porém ele respondeu: Não irei; antes, irei

10.30
Êx 18.27
à minha terra e à minha parentela. 31Tornou-lhe Moisés: Ora, não nos deixes, porque tu sabes que devemos acampar-nos no deserto; e nos servirás de guia. 32Se vieres conosco, far-te-emos o mesmo bem que o Senhor a nós nos fizer.

33Partiram, pois, do monte do Senhor caminho de três dias; a arca da Aliança do Senhor ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso. 34A nuvem do Senhor pairava sobre eles de dia, quando partiam do arraial. 35Partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te,

10.35
Sl 68.1
Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam. 36E, quando pousava, dizia: Volta, ó Senhor, para os milhares de milhares de Israel.

11

As murmurações dos israelitas

111Queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do Senhor; ouvindo-o o Senhor, acendeu-se-lhe a ira, e fogo do Senhor ardeu entre eles e consumiu extremidades do arraial. 2Então, o povo clamou a Moisés, e, orando este ao Senhor, o fogo se apagou. 3Pelo que chamou aquele lugar Taberá, porque o fogo do Senhor se acendera entre eles.

4E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? 5Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. 6Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná. 7Era o maná como semente de coentro, e a sua aparência, semelhante à de bdélio. 8Espalhava-se o povo, e o colhia, e em moinhos o moía ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele fazia bolos; o seu sabor era como o de bolos amassados com azeite. 9Quando, de noite, descia o orvalho sobre o arraial, sobre este também caía o maná.

11.7-9
Êx 16.13-15

Moisés acha pesado o seu cargo

10Então, Moisés ouviu chorar o povo por famílias, cada um à porta de sua tenda; e a ira do Senhor grandemente se acendeu, e pareceu mal aos olhos de Moisés. 11Disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei favor aos teus olhos, visto que puseste sobre mim a carga de todo este povo? 12Concebi eu, porventura, todo este povo? Dei-o eu à luz, para que me digas: Leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que, sob juramento, prometeste a seus pais? 13Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Pois chora diante de mim, dizendo: Dá-nos carne que possamos comer. 14Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois me é pesado demais. 15Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria.

Deus designa setenta anciãos para ajudarem Moisés

16Disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos e superintendentes do povo; e os trarás perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo. 17Então, descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente. 18Dize ao povo: Santificai-vos para amanhã e comereis carne; porquanto chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: Quem nos dará carne a comer? Íamos bem no Egito. Pelo que o Senhor vos dará carne, e comereis. 19Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte; 20mas um mês inteiro, até vos sair pelos narizes, até que vos enfastieis dela, porquanto rejeitastes o Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito? 21Respondeu Moisés: Seiscentos mil homens de pé é este povo no meio do qual estou; e tu disseste: Dar-lhes-ei carne, e a comerão um mês inteiro. 22Matar-se-ão para eles rebanhos de ovelhas e de gado que lhes bastem? Ou se ajuntarão para eles todos os peixes do mar que lhes bastem? 23Porém o Senhor respondeu a Moisés: Ter-se-ia encurtado a mão do Senhor? Agora mesmo, verás se se cumprirá ou não a minha palavra!

24Saiu, pois, Moisés, e referiu ao povo as palavras do Senhor, e ajuntou setenta homens dos anciãos do povo, e os pôs ao redor da tenda. 25Então, o Senhor desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais. 26Porém, no arraial, ficaram dois homens; um se chamava Eldade, e o outro, Medade. Repousou sobre eles o Espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda; e profetizavam no arraial. 27Então, correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse: Eldade e Medade profetizam no arraial. 28Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho. 29Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito! 30Depois, Moisés se recolheu ao arraial, ele e os anciãos de Israel.

Deus manda codornizes

31Então, soprou um vento do Senhor, e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um dia, ao seu redor, cerca de dois côvados sobre a terra. 32Levantou-se o povo todo aquele dia, e a noite, e o outro dia e recolheu as codornizes; o que menos colheu teve dez ômeres; e as estenderam para si ao redor do arraial. 33Estava ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando se acendeu a ira do Senhor contra o povo, e o feriu com praga mui grande. 34Pelo que o nome daquele lugar se chamou Quibrote-Hataavá, porquanto ali enterraram o povo que teve o desejo das comidas dos egípcios. 35De Quibrote-Hataavá partiu o povo para Hazerote e ali ficou.