Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus

Mt 13.53-58; Lc 4.16-30

61Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam. 2Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? 3Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele. 4Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra,

6.4
Jo 4.44
entre os seus parentes e na sua casa. 5Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.

As instruções para os doze

Mt 10.5-15; Lc 9.1-6

7Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. 8Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro; 9que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas. 10E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar. 11Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles. 12Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse; 13expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.

6.13
Tg 5.14
6.7-13
Lc 10.1-12

A morte de João Batista

Mt 14.1-12; Lc 9.7-9

14Chegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara notório; e alguns diziam: João Batista ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. 15Outros diziam: É Elias; ainda outros: É profeta como um dos profetas.

6.14-15
Mt 16.14
Mc 8.28
Lc 9.19
16Herodes, porém, ouvindo isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que ressurgiu. 17Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe (porquanto Herodes se casara com ela), mandara prender a João e atá-lo no cárcere. 18Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
6.17-18
Lc 3.19-20
19E Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia. 20Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente. 21E, chegando um dia favorável, em que Herodes no seu aniversário natalício dera um banquete aos seus dignitários, aos oficiais militares e aos principais da Galileia, 22entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas. Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23E jurou-lhe: Se pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu ta darei. 24Saindo ela, perguntou à sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista. 25No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista. 26Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar. 27E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cárcere, 28e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a sua mãe. 29Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram-lhe o corpo e o depositaram no túmulo.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Lc 9.10-17; Jo 6.1-14

30Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado. 31E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham. 32Então, foram sós no barco para um lugar solitário. 33Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles. 34Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor.

6.34
1Rs 22.17
2Cr 18.16
Mt 9.36
E passou a ensinar-lhes muitas coisas. 35Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora; 36despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer. 37Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer? 38E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes. 39Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. 40E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta. 41Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes. 42Todos comeram e se fartaram; 43e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.

Jesus anda por sobre o mar

Mt 14.22-33; Jo 6.16-21

45Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar. 47Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra. 48E, vendo-os em dificuldade a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, andando por sobre o mar; e queria tomar-lhes a dianteira. 49Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram. 50Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! 51E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram entre si atônitos, 52porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido.

Jesus em Genesaré

Mt 14.34-36

53Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré, onde aportaram. 54Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus; 55e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava. 56Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.

7

Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem

Mt 15.1-20

71Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém. 2E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar 3(pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; 4quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]), 5interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar? 6Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:

Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

7E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

7.6-7
Is 29.13

8Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. 9E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. 10Pois Moisés disse:

Honra a teu pai e a tua mãe;

7.10
Êx 20.12
Dt 5.16

e:

Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.

7.10
Êx 21.17
Lv 20.9

11Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, 12então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, 13invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.

14Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei. 15Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina. 16[Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.] 17Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola. 18Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, 19porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. 20E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. 21Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, 22a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. 23Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

A mulher siro-fenícia

Mt 15.21-28

24Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro [e Sidom]. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se, 25porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés. 26Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. 27Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 28Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças. 29Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha. 30Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.

A cura de um surdo e gago

31De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galileia, através do território de Decápolis. 32Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. 33Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; 34depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! 35Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente. 36Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam. 37Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos.

8

A segunda multiplicação de pães e peixes

Mt 15.32-39

81Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse: 2Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer. 3Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe. 4Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los de pão neste deserto? 5E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? Responderam eles: Sete. 6Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo. 7Tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos. 8Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos. 9Eram cerca de quatro mil homens. Então, Jesus os despediu. 10Logo a seguir, tendo embarcado juntamente com seus discípulos, partiu para as regiões de Dalmanuta.

Os fariseus pedem um sinal do céu

Mt 16.1-4

11E, saindo os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o, pediram-lhe um sinal do céu. 12Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe dará sinal algum. 13E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.

8.11-13
Mt 12.38-42
Lc 11.29-32

O fermento dos fariseus e o de Herodes

Mt 16.5-12

14Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só. 15Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus

8.15
Lc 12.1
e do fermento de Herodes. 16E eles discorriam entre si: É que não temos pão. 17Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos,
8.18
Is 6.9-10
não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze! 20E de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete! 21Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda?

A cura de um cego em Betsaida

22Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. 23Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? 24Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. 25Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito. 26E mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.

A confissão de Pedro

Mt 16.13-20; Lc 9.18-21

27Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesareia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu? 28E responderam:

8.28
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8
João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas. 29Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro
8.29
Jo 6.68-69
lhe disse: Tu és o Cristo. 30Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.

Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mt 16.21-23; Lc 9.22

31Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. 32E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo. 33Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

O discípulo de Jesus deve levar a sua cruz

Mt 16.24-28; Lc 9.23-27

34Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

8.34
Mt 10.38
Lc 14.27
35Quem quiser, pois, salvar a sua vida
8.35
Mt 10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. 36Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37Que daria um homem em troca de sua alma? 38Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.

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