Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
4

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Lc 8.4-8

41Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou num barco,

4.1
Lc 5.1-3
onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia. 2Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento. 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. 5Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um. 9E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

Mt 13.10-23; Lc 8.9-15

10Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. 11Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, 12para que, vendo, vejam

4.12
Is 6.9-10
e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles. 13Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? 14O semeador semeia a palavra. 15São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. 16Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. 20Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

A parábola da candeia

Lc 8.16-18

21Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?

4.21
Mt 5.15
Lc 11.33
22Pois nada está oculto,
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido
4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. 25Pois ao que tem
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26
se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. 28A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

Mt 13.31-32; Lc 13.18-19

30Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.

Por que Jesus falou por parábolas

Mt 13.34-35

33E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Lc 8.22-25

35Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. 36E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. 38E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. 40Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? 41E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

5

A cura do endemoninhado geraseno

Mt 8.28-33; Lc 8.26-34

51Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. 2Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, 3o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; 4porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo. 5Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras. 6Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou, 7exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem! 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país. 11Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos. 12E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. 13Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. 14Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos.

Os gerasenos rejeitam a Jesus

Mt 8.34; Lc 8.35-39

Então, saiu o povo para ver o que sucedera. 15Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. 16Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. 17E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. 18Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. 20Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Lc 8.40-42

21Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar. 22Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés 23e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá. 24Jesus foi com ele.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Lc 8.43-48

Grande multidão o seguia, comprimindo-o.

25Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia 26e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, 27tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. 28Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. 29E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. 30Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? 31Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. 33Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. 34E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-26; Lc 8.49-56

35Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? 36Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente. 37Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João. 38Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. 39Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme. 40E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! 42Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados. 43Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.

6

Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus

Mt 13.53-58; Lc 4.16-30

61Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam. 2Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? 3Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele. 4Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra,

6.4
Jo 4.44
entre os seus parentes e na sua casa. 5Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.

As instruções para os doze

Mt 10.5-15; Lc 9.1-6

7Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. 8Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro; 9que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas. 10E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar. 11Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles. 12Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse; 13expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.

6.13
Tg 5.14
6.7-13
Lc 10.1-12

A morte de João Batista

Mt 14.1-12; Lc 9.7-9

14Chegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara notório; e alguns diziam: João Batista ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. 15Outros diziam: É Elias; ainda outros: É profeta como um dos profetas.

6.14-15
Mt 16.14
Mc 8.28
Lc 9.19
16Herodes, porém, ouvindo isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que ressurgiu. 17Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe (porquanto Herodes se casara com ela), mandara prender a João e atá-lo no cárcere. 18Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
6.17-18
Lc 3.19-20
19E Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia. 20Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente. 21E, chegando um dia favorável, em que Herodes no seu aniversário natalício dera um banquete aos seus dignitários, aos oficiais militares e aos principais da Galileia, 22entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas. Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23E jurou-lhe: Se pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu ta darei. 24Saindo ela, perguntou à sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista. 25No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista. 26Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar. 27E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cárcere, 28e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a sua mãe. 29Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram-lhe o corpo e o depositaram no túmulo.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Lc 9.10-17; Jo 6.1-14

30Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado. 31E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham. 32Então, foram sós no barco para um lugar solitário. 33Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles. 34Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor.

6.34
1Rs 22.17
2Cr 18.16
Mt 9.36
E passou a ensinar-lhes muitas coisas. 35Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora; 36despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer. 37Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer? 38E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes. 39Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. 40E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta. 41Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes. 42Todos comeram e se fartaram; 43e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.

Jesus anda por sobre o mar

Mt 14.22-33; Jo 6.16-21

45Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar. 47Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra. 48E, vendo-os em dificuldade a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, andando por sobre o mar; e queria tomar-lhes a dianteira. 49Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram. 50Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! 51E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram entre si atônitos, 52porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido.

Jesus em Genesaré

Mt 14.34-36

53Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré, onde aportaram. 54Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus; 55e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava. 56Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.