Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
2

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mt 9.1-8; Lc 5.17-26

21Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. 3Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente. 5Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. 6Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? 8E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 9Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: 11Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 12Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!

A vocação de Levi

Mt 9.9; Lc 5.27-28

13De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava. 14Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Jesus come com pecadores

Mt 9.10-13; Lc 5.29-32

15Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam. 16Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? 17Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

Do jejum

Mt 9.14-17; Lc 5.33-39

18Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. 20Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

Jesus é senhor do sábado

Mt 12.1-8; Lc 6.1-5

23Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas.

2.23
Dt 23.25
24Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? 25Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes,
2.26
Lv 24.9
e deu também aos que estavam com ele?
2.25-26
1Sm 21.1-6
27E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; 28de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.

3

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Lc 6.6-11

31De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos. 2E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem. 3E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio! 4Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio. 5Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada. 6Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.

Jesus se retira. A cura de muitos à beira-mar

7Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galileia uma grande multidão. Também da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele. 9Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem. 10Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar.

3.9-10
Mc 4.1
Lc 5.1-3
11Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus! 12Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.

A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes

Mt 10.1-4; Lc 6.12-16

13Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. 14Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar 15e a exercer a autoridade de expelir demônios. 16Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, 19e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

A blasfêmia dos escribas

Mt 12.22-32; Lc 11.14-23

20Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer. 21E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. 22Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu.

3.22
Mt 9.34
10.25
E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios. 23Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás? 24Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece. 27Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa. 28Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29Mas aquele que blasfemar
3.29
Mt 12.32
Lc 12.10
contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. 30Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

A família de Jesus

Mt 12.46-50; Lc 8.19-21

31Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura. 33Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. 35Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

4

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Lc 8.4-8

41Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou num barco,

4.1
Lc 5.1-3
onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia. 2Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento. 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. 5Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um. 9E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

Mt 13.10-23; Lc 8.9-15

10Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. 11Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, 12para que, vendo, vejam

4.12
Is 6.9-10
e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles. 13Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? 14O semeador semeia a palavra. 15São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. 16Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. 20Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

A parábola da candeia

Lc 8.16-18

21Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?

4.21
Mt 5.15
Lc 11.33
22Pois nada está oculto,
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido
4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. 25Pois ao que tem
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26
se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. 28A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

Mt 13.31-32; Lc 13.18-19

30Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.

Por que Jesus falou por parábolas

Mt 13.34-35

33E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Lc 8.22-25

35Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. 36E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. 38E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. 40Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? 41E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

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