Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
1

11Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

João Batista

Mt 3.1-6; Lc 3.1-6

2Conforme está escrito na profecia de Isaías:

Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho;

1.2
Ml 3.1

3voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;

1.3
Is 40.3

4apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. 5Saíam a ter com ele toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. 6As vestes de João eram feitas de pelos de camelo;
1.6
2Rs 1.8
ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.

João dá testemunho de Jesus

Mt 3.11-12; Lc 3.15-17; Jo 1.19-28

7E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias. 8Eu vos tenho batizado com1.8 com; ou em água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

O batismo de Jesus

Mt 3.13-17; Lc 3.21-22; Jo 1.32-34

9Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e por João foi batizado no rio Jordão. 10Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. 11Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado,

1.11
Mt 12.18
17.5
Mc 9.7
Lc 9.35
em ti me comprazo.
1.11
Is 42.1

A tentação de Jesus

Mt 4.1-11; Lc 4.1-13

12E logo o Espírito o impeliu para o deserto, 13onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.

Jesus volta para a Galileia

Mt 4.12-17; Lc 4.14-15

14Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, 15dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus

1.15
Mt 3.2
está próximo; arrependei-vos
1.15
Dn 2.44
e crede no evangelho.

A vocação de discípulos

Mt 4.18-22; Lc 5.1-11

16Caminhando junto ao mar da Galileia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. 17Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. 18Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. 19Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. 20E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.

A cura de um endemoninhado em Cafarnaum

Lc 4.31-37

21Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. 22Maravilhavam-se

1.22
Mt 7.28-29
da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. 23Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: 24Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! 25Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. 26Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele. 27Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! 28Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galileia.

A cura da sogra de Pedro

Mt 8.14-15; Lc 4.38-39

29E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. 31Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.

Muitas outras curas

Mt 8.16-17; Lc 4.40-41

32À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados. 33Toda a cidade estava reunida à porta. 34E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.

Jesus se retira para orar

Lc 4.42-44

35Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. 36Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. 37Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. 38Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. 39Então, foi por toda a Galileia,

1.39
Mt 4.23
9.35
pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.

A cura de um leproso

Mt 8.1-4; Lc 5.12-16

40Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. 41Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! 42No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. 43Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu 44e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece

1.44
Lv 14.1-32
pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. 45Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.

2

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mt 9.1-8; Lc 5.17-26

21Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. 3Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente. 5Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. 6Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? 8E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 9Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: 11Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 12Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!

A vocação de Levi

Mt 9.9; Lc 5.27-28

13De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava. 14Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Jesus come com pecadores

Mt 9.10-13; Lc 5.29-32

15Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam. 16Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? 17Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

Do jejum

Mt 9.14-17; Lc 5.33-39

18Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. 20Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

Jesus é senhor do sábado

Mt 12.1-8; Lc 6.1-5

23Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas.

2.23
Dt 23.25
24Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? 25Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes,
2.26
Lv 24.9
e deu também aos que estavam com ele?
2.25-26
1Sm 21.1-6
27E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; 28de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.

3

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Lc 6.6-11

31De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos. 2E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem. 3E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio! 4Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio. 5Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada. 6Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.

Jesus se retira. A cura de muitos à beira-mar

7Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galileia uma grande multidão. Também da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele. 9Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem. 10Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar.

3.9-10
Mc 4.1
Lc 5.1-3
11Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus! 12Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.

A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes

Mt 10.1-4; Lc 6.12-16

13Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. 14Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar 15e a exercer a autoridade de expelir demônios. 16Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, 19e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

A blasfêmia dos escribas

Mt 12.22-32; Lc 11.14-23

20Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer. 21E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. 22Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu.

3.22
Mt 9.34
10.25
E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios. 23Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás? 24Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece. 27Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa. 28Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29Mas aquele que blasfemar
3.29
Mt 12.32
Lc 12.10
contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. 30Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

A família de Jesus

Mt 12.46-50; Lc 8.19-21

31Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura. 33Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. 35Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.