Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
12

A parábola dos lavradores maus

Mt 21.33-46; Lc 20.9-19

121Depois, entrou Jesus a falar-lhes por parábola: Um homem plantou uma vinha,

12.1
Is 5.1-2
cercou-a de uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país. 2No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles dos frutos da vinha; 3eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio. 4De novo, lhes enviou outro servo, e eles o esbordoaram na cabeça e o insultaram. 5Ainda outro lhes mandou, e a este mataram. Muitos outros lhes enviou, dos quais espancaram uns e mataram outros. 6Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo: Respeitarão a meu filho. 7Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo, e a herança será nossa. 8E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha. 9Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. 10Ainda não lestes esta Escritura:

A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular;

11isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos?

12.10-11
Sl 118.22-23

12E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.

A questão do tributo

Mt 22.15-22; Lc 20.19-26

13E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra. 14Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar? 15Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja. 16E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. 17Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.

Os saduceus e a ressurreição

Mt 22.23-33; Lc 20.27-40

18Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição,

12.18
At 23.8
aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo: 19Mestre, Moisés nos deixou escrito
12.19
Dt 25.5
que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência; 21o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma. 22E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram. 24Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, são como os anjos nos céus. 26Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou:

Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?

12.26
Êx 3.6

27Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.

O grande mandamento

Mt 22.34-40; Lc 10.25-28

28Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? 29Respondeu Jesus: O principal é:

Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!

30Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

12.29-30
Dt 6.4-5

31O segundo é:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

12.31
Lv 19.18

Não há outro mandamento maior do que estes. 32Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele,
12.32
Dt 4.35
33e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
12.33
Os 6.6
34Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.
12.28-34
Lc 10.25-28

O Cristo, filho de Davi

Mt 22.41-46; Lc 20.41-44

35Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? 36O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo:

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.

12.36
Sl 110.1

37O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

Jesus censura os escribas

Mt 23.1-7,14; Lc 20.45-47

38E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças; 39e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes; 40os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.

A oferta da viúva pobre

Lc 21.1-4

41Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. 43E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. 44Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.

13

O sermão profético

A destruição do templo

Mt 24.1-2; Lc 21.5-6

131Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções! 2Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

O princípio das dores

Mt 24.3-14; Lc 21.7-19

3No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: 4Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se. 5Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. 6Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. 7Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 8Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.

9Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. 10Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. 11Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. 12Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 13Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.

A grande tribulação

Mt 24.15-28; Lc 21.20-24

14Quando, pois, virdes o abominável da desolação

13.14
Dn 9.27
11.31
12.11
situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 15quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa; 16e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 17Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 18Orai para que isso não suceda no inverno. 19Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação
13.19
Dn 12.1
Ap 7.14
como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. 20Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias. 21Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 22pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. 23Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.

A vinda do Filho do Homem

Mt 24.29-31; Lc 21.25-28

24Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, 25as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.

13.24-25
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
26Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens,
13.26
Dn 7.13
Ap 1.7
com grande poder e glória. 27E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mt 24.32-44; Lc 21.29-36

28Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 29Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 30Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 32Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.

33Estai de sobreaviso, vigiai [e orai]; porque não sabeis quando será o tempo. 34É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie. 35Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; 36para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo. 37O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!

13.32-37
Lc 12.35-40

14

O plano para tirar a vida de Jesus

Mt 26.1-5; Lc 22.1-2

141Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam. 2Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Jesus ungido em Betânia

Mt 26.6-13; Jo 12.1-8

3Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. 4Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo? 5Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela. 6Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. 7Porque os pobres, sempre os tendes

14.7
Dt 15.11
convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes. 8Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura. 9Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

O pacto da traição

Mt 26.14-16; Lc 22.3-6

10E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus. 11Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.

Os discípulos preparam a Páscoa

Mt 26.17-19; Lc 22.7-13

12E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos,

14.12
Êx 12.1-27
quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa? 13Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água; 14segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. 16Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.

O traidor é indicado

Mt 26.20-25

17Ao cair da tarde, foi com os doze. 18Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá. 19E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu? 20Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato. 21Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito;

14.21
Sl 41.9
mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!

A Ceia do Senhor

Mt 26.26-30; Lc 22.19-23; 1Co 11.23-25

22E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. 23A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele. 24Então, lhes disse: Isto é o meu sangue,

14.24
Êx 24.6-8
o sangue da [nova] aliança,
14.24
Jr 31.31-34
derramado em favor de muitos. 25Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus. 26Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

Pedro é avisado

Mt 26.31-35; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38

27Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito:

Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.

14.27
Zc 13.7

28Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia.
14.28
Mt 28.16
29Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

Jesus no Getsêmani

Mt 26.36-46; Lc 22.39-46

32Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. 33E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. 34E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai. 35E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. 36E dizia: Aba,14.36 Aba; no original, Pai Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres. 37Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora? 38Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 39Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras. 40Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder. 41E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. 42Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.

Jesus é preso

Mt 26.47-56; Lc 22.47-53; Jo 18.1-11

43E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes. 44Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança. 45E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre!14.45 Mestre; no original, Rabi E o beijou. 46Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam. 47Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. 48Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? 49Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando,

14.49
Lc 19.47
21.37
e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras. 50Então, deixando-o, todos fugiram.

Jesus seguido por um jovem

51Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão. 52Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo.

Jesus perante o Sinédrio

Mt 26.57-68; Lc 22.63-71

53E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo. 55E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam. 56Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes. 57E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo: 58Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.

14.58
Jo 2.19
59Nem assim o testemunho deles era coerente. 60Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? 61Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem
14.62
Dn 7.13
assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. 63Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? 64Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.
14.64
Lv 24.16
65Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas.

Pedro nega a Jesus

Mt 26.69-75; Lc 22.54-62; Jo 18.15-18,25-27

66Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote 67e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. 68Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. [E o galo cantou.] 69E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles. 70Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu. 71Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais! 72E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar.