Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
11

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mt 21.1-17; Lc 19.28-40; Jo 12.12-19

111Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos 2e disse-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e, logo ao entrar, achareis preso um jumentinho, o qual ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o. 3Se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? Respondei: O Senhor precisa dele e logo o mandará de volta para aqui. 4Então, foram e acharam o jumentinho preso, junto ao portão, do lado de fora, na rua, e o desprenderam. 5Alguns dos que ali estavam reclamaram: Que fazeis, soltando o jumentinho? 6Eles, porém, responderam conforme as instruções de Jesus; então, os deixaram ir. 7Levaram o jumentinho, sobre o qual puseram as suas vestes, e Jesus o montou. 8E muitos estendiam as suas vestes no caminho, e outros, ramos que haviam cortado dos campos. 9Tanto os que iam adiante dele como os que vinham depois clamavam: Hosana!

11.9
Sl 118.25-26
Bendito o que vem em nome do Senhor! 10Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores alturas!

11E, quando entrou em Jerusalém, no templo, tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.

A figueira sem fruto

Mt 21.18-22

12No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. 13E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. 14Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.

A purificação do templo

Mt 21.12-17; Lc 19.45-48

15E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. 16Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; 17também os ensinava e dizia: Não está escrito:

A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações?

11.17
Is 56.7

Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.
11.17
Jr 7.11
18E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina. 19Em vindo a tarde, saíram da cidade.

O poder da fé

20E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz. 21Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou. 22Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; 23porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte:

11.23
Mt 17.20
1Co 13.2
Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele. 24Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco. 25E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. 26[Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.]
11.25-26
Mt 6.14-15

A autoridade de Jesus e o batismo de João

Mt 21.23-27; Lc 20.1-8

27Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo, vieram ao seu encontro os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos 28e lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres? 29Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 30O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei! 31E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não acreditastes nele? 32Se, porém, dissermos: dos homens, é de temer o povo. Porque todos consideravam a João como profeta. 33Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem eu tampouco vos digo com que autoridade faço estas coisas.

12

A parábola dos lavradores maus

Mt 21.33-46; Lc 20.9-19

121Depois, entrou Jesus a falar-lhes por parábola: Um homem plantou uma vinha,

12.1
Is 5.1-2
cercou-a de uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país. 2No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles dos frutos da vinha; 3eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio. 4De novo, lhes enviou outro servo, e eles o esbordoaram na cabeça e o insultaram. 5Ainda outro lhes mandou, e a este mataram. Muitos outros lhes enviou, dos quais espancaram uns e mataram outros. 6Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo: Respeitarão a meu filho. 7Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo, e a herança será nossa. 8E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha. 9Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. 10Ainda não lestes esta Escritura:

A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular;

11isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos?

12.10-11
Sl 118.22-23

12E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.

A questão do tributo

Mt 22.15-22; Lc 20.19-26

13E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra. 14Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar? 15Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja. 16E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. 17Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.

Os saduceus e a ressurreição

Mt 22.23-33; Lc 20.27-40

18Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição,

12.18
At 23.8
aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo: 19Mestre, Moisés nos deixou escrito
12.19
Dt 25.5
que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência; 21o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma. 22E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram. 24Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, são como os anjos nos céus. 26Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou:

Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?

12.26
Êx 3.6

27Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.

O grande mandamento

Mt 22.34-40; Lc 10.25-28

28Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? 29Respondeu Jesus: O principal é:

Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!

30Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

12.29-30
Dt 6.4-5

31O segundo é:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

12.31
Lv 19.18

Não há outro mandamento maior do que estes. 32Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele,
12.32
Dt 4.35
33e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
12.33
Os 6.6
34Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.
12.28-34
Lc 10.25-28

O Cristo, filho de Davi

Mt 22.41-46; Lc 20.41-44

35Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? 36O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo:

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.

12.36
Sl 110.1

37O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

Jesus censura os escribas

Mt 23.1-7,14; Lc 20.45-47

38E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças; 39e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes; 40os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.

A oferta da viúva pobre

Lc 21.1-4

41Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. 43E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. 44Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.

13

O sermão profético

A destruição do templo

Mt 24.1-2; Lc 21.5-6

131Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções! 2Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

O princípio das dores

Mt 24.3-14; Lc 21.7-19

3No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: 4Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se. 5Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. 6Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. 7Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 8Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.

9Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. 10Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. 11Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. 12Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 13Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.

A grande tribulação

Mt 24.15-28; Lc 21.20-24

14Quando, pois, virdes o abominável da desolação

13.14
Dn 9.27
11.31
12.11
situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 15quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa; 16e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 17Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 18Orai para que isso não suceda no inverno. 19Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação
13.19
Dn 12.1
Ap 7.14
como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. 20Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias. 21Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 22pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. 23Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.

A vinda do Filho do Homem

Mt 24.29-31; Lc 21.25-28

24Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, 25as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.

13.24-25
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
26Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens,
13.26
Dn 7.13
Ap 1.7
com grande poder e glória. 27E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mt 24.32-44; Lc 21.29-36

28Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 29Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 30Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 32Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.

33Estai de sobreaviso, vigiai [e orai]; porque não sabeis quando será o tempo. 34É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie. 35Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; 36para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo. 37O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!

13.32-37
Lc 12.35-40