Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
8

A cura de um leproso

Mc 1.40-44; Lc 5.12-14

81Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. 2E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. 3E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. 4Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou,

8.4
Lv 14.1-32
para servir de testemunho ao povo.

A cura do criado de um centurião

Lc 7.1-10

5Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: 6Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente. 7Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo. 8Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 9Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 10Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 11Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. 12Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas;

8.11-12
Mt 22.13
25.30
Lc 13.28-29
ali haverá choro e ranger de dentes. 13Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado.

A cura da sogra de Pedro

Mc 1.29-31; Lc 4.38-39

14Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. 15Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.

Muitas outras curas

Mc 1.32-34; Lc 4.40-41

16Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes; 17para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías:

Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.

8.17
Is 53.4

Jesus põe à prova os que querem segui-lo

Lc 9.57-62

18Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 21E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 22Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.

Jesus acalma uma tempestade

Mc 4.35-41; Lc 8.22-25

23Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. 24E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. 25Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! 26Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. 27E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?

A cura de dois endemoninhados gadarenos

Mc 5.1-20; Lc 8.26-39

28Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? 30Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos. 31Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos. 32Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pereceram. 33Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados. 34Então, a cidade toda saiu para encontrar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.

9

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mc 2.1-12; Lc 5.17-26

91Entrando Jesus num barco, passou para o outro lado e foi para a sua própria cidade. 2E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados. 3Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema. 4Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração? 5Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? 6Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 7E, levantando-se, partiu para sua casa. 8Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

A vocação de Mateus

Mc 2.13-14; Lc 5.27-28

9Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Jesus come com pecadores

Mc 2.15-17; Lc 5.29-32

10E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. 11Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?

9.10-11
Lc 15.1-2
12Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. 13Ide, porém, e aprendei
9.13
Mt 12.7
o que significa:

Misericórdia quero e não holocaustos;

9.13
Os 6.6

pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento].

Do jejum

Mc 2.18-22; Lc 5.33-39

14Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam? 15Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. 16Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. 17Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.

O pedido de um chefe

Mc 5.21-24a; Lc 8.40-42a

18Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá.

A cura de uma mulher enferma

Mc 5.24b-34; Lc 8.42b-48

19E Jesus, levantando-se, o seguia, e também os seus discípulos. 20E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste; 21porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. 22E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã.

A ressurreição da filha de Jairo

Mc 5.35-43; Lc 8.49-56

23Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse: 24Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele. 25Mas, afastado o povo, entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26E a fama deste acontecimento correu por toda aquela terra.

A cura de dois cegos

27Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Filho de Davi! 28Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor! 29Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé. 30E abriram-se-lhes os olhos. Jesus, porém, os advertiu severamente, dizendo: Acautelai-vos de que ninguém o saiba. 31Saindo eles, porém, divulgaram-lhe a fama por toda aquela terra.

A cura de um mudo endemoninhado. A blasfêmia dos fariseus

32Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado. 33E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! 34Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios.

9.32-34
Mt 10.25
12.22-24
Mc 3.22
Lc 11.14-15

Jesus ia por toda parte fazendo o bem. A seara e os trabalhadores

35E percorria

9.35
Mt 4.23
Mc 1.39
Lc 4.44
Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. 36Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
9.36
1Rs 22.17
2Cr 18.16
Mc 6.34
37E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
9.37-38
Lc 10.2

10

A escolha dos doze apóstolos

Os seus nomes

Mc 3.13-19; Lc 6.12-16

101Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. 2Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

As instruções para os doze

Mc 6.7-11; Lc 9.1-5

5A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; 7e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. 8Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai. 9Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; 10nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.

10.10
1Co 9.14
1Tm 5.18
11E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. 12Ao entrardes na casa, saudai-a; 13se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. 14Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó
10.14
At 13.51
dos vossos pés. 15Em verdade vos digo que menos rigor
10.15
Mt 11.23-24
haverá para Sodoma e Gomorra,
10.15
Gn 19.24-28
no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
10.5-15
Lc 10.1-12

As admoestações

16Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 17E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; 18por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. 19E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, 20visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. 21Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 22Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. 23Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem.

Os estímulos

24O discípulo

10.24
Lc 6.40
não está acima do seu mestre, nem o servo,
10.24
Jo 13.16
15.20
acima do seu senhor. 25Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu
10.25
Mt 9.34
12.24
Mc 3.22
Lc 11.15
ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? 26Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado;
10.26
Mc 4.22
Lc 8.17
nem oculto, que não venha a ser conhecido. 27O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados. 28Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. 29Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. 30E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. 31Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; 33mas aquele que me negar
10.33
2Tm 2.12
diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

As dificuldades

34Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. 35Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. 36Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.

10.35-36
Mq 7.6
37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; 38e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39Quem acha a sua vida perdê-la-á;
10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.
10.38-39
Mt 16.24-25
Mc 8.34-35
Lc 9.23-24
17.33
Jo 12.25

As recompensas

40Quem vos recebe a mim me recebe;

10.40
Lc 10.16
Jo 13.20
e quem me recebe recebe aquele
10.40
Mc 9.37
Lc 9.48
que me enviou. 41Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. 42E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

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