Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

A prática da justiça

61Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles;

6.1
Mt 23.5
doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.

Como se deve dar esmolas

2Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 3Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; 4para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Como se deve orar

5E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé

6.5
Lc 18.10-14
nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto
6.6
Is 26.20
e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. 7E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. 8Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.

A oração dominical

Lc 11.2-4

9Portanto, vós orareis assim:

Pai nosso, que estás nos céus,

santificado seja o teu nome;

10venha o teu reino;

faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

11o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

12e perdoa-nos as nossas dívidas,

assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

13e não nos deixes cair em tentação;

mas livra-nos do mal

[pois teu é o reino,

6.13
1Cr 29.11
o poder e a glória para sempre. Amém]!

14Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
6.14-15
Mc 11.25-26

Como jejuar

16Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, 18com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Os tesouros no céu

19Não acumuleis

6.19
Tg 5.2-3
para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; 21porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

A luz e as trevas

Lc 11.34-36

22São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; 23se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!

Os dois senhores

24Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

A ansiosa solicitude pela vida

Lc 12.22-31

25Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? 26Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?6.27 ao curso da sua vida; ou à estatura 28E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão,

6.29
1Rs 10.4-7
2Cr 9.3-6
em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

7

O juízo temerário é proibido

Lc 6.37-38,41-42

71Não julgueis, para que não sejais julgados. 2Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida

7.2
Mc 4.24
com que tiverdes medido, vos medirão também. 3Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? 4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? 5Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.

Não deis o que é santo aos cães

6Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.

Jesus incita a orar

Lc 11.9-13

7Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. 8Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. 9Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? 10Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem? 12Tudo quanto, pois, quereis

7.12
Lc 6.31
que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.

As duas estradas

Lc 13.24

13Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), 14porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.

Os falsos profetas

15Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. 16Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 18Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. 19Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. 20Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

7.17-20
Mt 3.10
12.33
Lc 3.9

21Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

7.23
Sl 6.8

Os dois fundamentos

Lc 6.46-49

24Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; 25e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. 26E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; 27e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.

O fim do sermão do monte

28Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; 29porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

7.28-29
Mc 1.22
Lc 4.32

8

A cura de um leproso

Mc 1.40-44; Lc 5.12-14

81Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. 2E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. 3E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. 4Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou,

8.4
Lv 14.1-32
para servir de testemunho ao povo.

A cura do criado de um centurião

Lc 7.1-10

5Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: 6Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente. 7Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo. 8Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 9Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 10Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 11Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. 12Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas;

8.11-12
Mt 22.13
25.30
Lc 13.28-29
ali haverá choro e ranger de dentes. 13Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado.

A cura da sogra de Pedro

Mc 1.29-31; Lc 4.38-39

14Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. 15Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.

Muitas outras curas

Mc 1.32-34; Lc 4.40-41

16Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes; 17para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías:

Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.

8.17
Is 53.4

Jesus põe à prova os que querem segui-lo

Lc 9.57-62

18Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 21E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 22Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.

Jesus acalma uma tempestade

Mc 4.35-41; Lc 8.22-25

23Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. 24E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. 25Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! 26Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. 27E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?

A cura de dois endemoninhados gadarenos

Mc 5.1-20; Lc 8.26-39

28Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? 30Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos. 31Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos. 32Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pereceram. 33Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados. 34Então, a cidade toda saiu para encontrar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.