Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
25

A parábola das dez virgens

251Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. 2Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. 3As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. 5E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. 6Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! 7Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. 8E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. 9Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. 10E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. 11Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.

25.10-12
Lc 13.25
13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

A parábola dos talentos

14Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 16O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. 23Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, 25receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29Porque a todo o que tem se lhe dará,

25.29
Mt 13.12
Mc 4.25
Lc 8.18
e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30E o servo inútil, lançai-o
25.30
Mt 8.12
22.13
para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

O grande julgamento

31Quando vier o Filho do Homem na sua majestade

25.31
Mt 16.27
e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
25.31
Mt 19.28
32e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; 33e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; 34então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. 35Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; 36estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. 37Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? 40O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. 44E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? 45Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. 46E irão estes para o castigo eterno,
25.46
Dn 12.2
porém os justos, para a vida eterna.

26

O plano para tirar a vida de Jesus

Mc 14.1-2; Lc 22.1-2; Jo 11.45-53

261Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos: 2Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.

3Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; 4e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. 5Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Jesus ungido em Betânia

Mc 14.3-9; Jo 12.1-8

6Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, 7aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. 8Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? 9Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. 10Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. 11Porque os pobres,

26.11
Dt 15.11
sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; 12pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento. 13Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

O pacto da traição

Mc 14.10-11; Lc 22.3-6

14Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: 15Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. 16E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.

Os discípulos preparam a Páscoa

Mc 14.12-16; Lc 22.7-13

17No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos,

26.17
Êx 12.1-27
vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? 18E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. 19E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.

O traidor é indicado

Mc 14.17-21; Lc 22.21-23; Jo 13.21-30

20Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos. 21E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. 22E eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor? 23E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá. 24O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem

26.24
Sl 41.9
está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido! 25Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.

A Ceia do Senhor

Mc 14.22-26; Lc 22.14-20; 1Co 11.23-25

26Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. 27A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; 28porque isto é o meu sangue,

26.28
Êx 24.6-8
o sangue da [nova] aliança,
26.28
Jr 31.31-34
derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. 29E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai. 30E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

Pedro é avisado

Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38

31Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito:

Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.

26.31
Zc 13.7

32Mas, depois da minha ressurreição,
26.32
Mt 28.16
irei adiante de vós para a Galileia. 33Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. 34Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. 35Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.

Jesus no Getsêmani

Mc 14.32-42; Lc 22.39-46

36Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 42Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. 44Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. 46Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.

Jesus é preso

Mc 14.43-50; Lc 22.47-53; Jo 18.2-11

47Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. 48Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o. 49E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. 50Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam. 51E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. 52Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. 53Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? 54Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder? 55Naquele momento, disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava [convosco] ensinando,

26.55
Lc 19.47
21.37
e não me prendestes. 56Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram.

Jesus perante o Sinédrio

Mc 14.53-65; Lc 22.63-71; Jo 18.12-14,19-24

57E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos. 58Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim. 59Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. 60E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: 61Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.

26.61
Jo 2.19
62E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? 63Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. 64Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens
26.64
Dn 7.13
do céu. 65Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! 66Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
26.65-66
Lv 24.16
67Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: 68Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!

Pedro nega a Jesus

Mc 14.66-72; Lc 22.55-62; Jo 18.15-18,25-27

69Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu. 70Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. 72E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. 73Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia. 74Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o galo. 75Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente.

27

Jesus entregue a Pilatos

Mc 15.1; Lc 23.1-2; Jo 18.28-32

271Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem; 2e, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos.

O suicídio de Judas

3Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: 4Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. 5Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se. 6E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. 7E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros. 8Por isso, aquele campo tem sido chamado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.

27.6-8
At 1.18-19
9Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias:

Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram;

10e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.

27.9-10
Zc 11.12-13

Jesus perante Pilatos

Mc 15.1-15; Lc 23.1-5,13-25; Jo 18.33—19.16

11Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes. 12E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. 13Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem? 14Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.

15Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. 16Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. 17Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? 18Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado. 19E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito. 20Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. 21De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! 22Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. 23Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado!

24Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos

27.24
Dt 21.6-9
perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco! 25E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! 26Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

Jesus entregue aos soldados

Mc 15.16-20; Jo 19.2-3

27Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. 28Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; 29tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! 30E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. 31Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.

Simão leva a cruz do Senhor

Mc 15.21; Lc 23.26

32Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.

A crucificação

Mc 15.22-32; Lc 23.32-43; Jo 19.17-24

33E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira, 34deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber. 35Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes,

27.35
Sl 22.18
tirando a sorte. 36E, assentados ali, o guardavam. 37Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: Este é Jesus, o Rei dos Judeus. 38E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. 39Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça
27.39
Sl 22.7
109.25
e dizendo: 40Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas!
27.40
Mt 26.61
Jo 2.19
Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! 41De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: 42Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. 43Confiou em Deus;
27.43
Sl 22.8
pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. 44E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.

A morte de Jesus

Mc 15.33-41; Lc 23.44-49; Jo 19.28-30

45Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra. 46Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

27.46
Sl 22.1
47E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias. 48E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre
27.48
Sl 69.21
e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber. 49Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo. 50E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.

51Eis que o véu

27.51
Êx 26.31-33
do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; 52abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; 53e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. 54O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus.

55Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galileia, para o servirem; 56entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu.

27.55-56
Lc 8.2-3

O sepultamento de Jesus

Mc 15.42-47; Lc 23.50-56; Jo 19.38-42

57Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. 58Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue. 59E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho 60e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou. 61Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria.

A guarda do sepulcro

62No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, 63disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei.

27.63
Mt 16.21
17.23
20.19
Mc 8.31
9.31
10.33-34
Lc 9.22
18.31-33
64Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro. 65Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. 66Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta.

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