Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
24

O sermão profético

A destruição do templo

Mc 13.1-2; Lc 21.5-6

241Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. 2Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

O princípio das dores

Mc 13.3-13; Lc 21.7-19

3No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. 4E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. 5Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. 6E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 7Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; 8porém tudo isto é o princípio das dores. 9Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. 10Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; 11levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 12E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. 13Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. 14E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.

A grande tribulação

Mc 13.14-23; Lc 21.20-23

15Quando, pois, virdes o abominável da desolação

24.15
Dn 9.27
11.31
12.11
de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), 16então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 17quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; 18e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 19Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 20Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; 21porque nesse tempo haverá grande tribulação,
24.21
Dn 12.1
Ap 7.14
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. 22Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. 23Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 24porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. 25Vede que vo-lo tenho predito. 26Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. 27Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. 28Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.

A vinda do Filho do Homem

Mc 13.24-27; Lc 21.25-28

29Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá,

24.29
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 30Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens
24.30
Dn 7.13
Ap 1.7
do céu, com poder e muita glória. 31E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mc 13.28-37; Lc 21.29-36

32Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 33Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 34Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 35Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 36Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. 37Pois assim como foi nos dias de Noé,

24.37
Gn 6.5-8
também será a vinda do Filho do Homem. 38Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio
24.39
Gn 7.6-24
e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. 40Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; 41duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. 43Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. 44Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
24.42-44
Lc 12.35-40

A parábola do bom servo e do mau

Lc 12.42-46

45Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 46Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 47Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 48Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, 49e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios, 50virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

25

A parábola das dez virgens

251Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. 2Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. 3As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. 5E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. 6Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! 7Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. 8E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. 9Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. 10E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. 11Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.

25.10-12
Lc 13.25
13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

A parábola dos talentos

14Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 16O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. 23Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, 25receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29Porque a todo o que tem se lhe dará,

25.29
Mt 13.12
Mc 4.25
Lc 8.18
e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30E o servo inútil, lançai-o
25.30
Mt 8.12
22.13
para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

O grande julgamento

31Quando vier o Filho do Homem na sua majestade

25.31
Mt 16.27
e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
25.31
Mt 19.28
32e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; 33e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; 34então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. 35Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; 36estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. 37Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? 40O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. 44E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? 45Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. 46E irão estes para o castigo eterno,
25.46
Dn 12.2
porém os justos, para a vida eterna.

26

O plano para tirar a vida de Jesus

Mc 14.1-2; Lc 22.1-2; Jo 11.45-53

261Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos: 2Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.

3Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; 4e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. 5Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Jesus ungido em Betânia

Mc 14.3-9; Jo 12.1-8

6Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, 7aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. 8Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? 9Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. 10Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. 11Porque os pobres,

26.11
Dt 15.11
sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; 12pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento. 13Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

O pacto da traição

Mc 14.10-11; Lc 22.3-6

14Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: 15Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. 16E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.

Os discípulos preparam a Páscoa

Mc 14.12-16; Lc 22.7-13

17No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos,

26.17
Êx 12.1-27
vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? 18E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. 19E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.

O traidor é indicado

Mc 14.17-21; Lc 22.21-23; Jo 13.21-30

20Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos. 21E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. 22E eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor? 23E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá. 24O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem

26.24
Sl 41.9
está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido! 25Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.

A Ceia do Senhor

Mc 14.22-26; Lc 22.14-20; 1Co 11.23-25

26Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. 27A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; 28porque isto é o meu sangue,

26.28
Êx 24.6-8
o sangue da [nova] aliança,
26.28
Jr 31.31-34
derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. 29E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai. 30E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

Pedro é avisado

Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38

31Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito:

Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.

26.31
Zc 13.7

32Mas, depois da minha ressurreição,
26.32
Mt 28.16
irei adiante de vós para a Galileia. 33Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. 34Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. 35Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.

Jesus no Getsêmani

Mc 14.32-42; Lc 22.39-46

36Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 42Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. 44Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. 46Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.

Jesus é preso

Mc 14.43-50; Lc 22.47-53; Jo 18.2-11

47Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. 48Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o. 49E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. 50Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam. 51E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. 52Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. 53Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? 54Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder? 55Naquele momento, disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava [convosco] ensinando,

26.55
Lc 19.47
21.37
e não me prendestes. 56Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram.

Jesus perante o Sinédrio

Mc 14.53-65; Lc 22.63-71; Jo 18.12-14,19-24

57E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos. 58Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim. 59Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. 60E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: 61Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.

26.61
Jo 2.19
62E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? 63Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. 64Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens
26.64
Dn 7.13
do céu. 65Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! 66Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
26.65-66
Lv 24.16
67Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: 68Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!

Pedro nega a Jesus

Mc 14.66-72; Lc 22.55-62; Jo 18.15-18,25-27

69Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu. 70Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. 72E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. 73Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia. 74Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o galo. 75Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente.

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