Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
23

Jesus censura os escribas e os fariseus

Mc 12.38-40; Lc 11.37-52; 20.45-47

231Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: 2Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. 3Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. 4Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. 5Praticam, porém, todas as suas obras

23.5
Mt 6.1
com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios
23.5
Dt 6.8
e alongam as suas franjas.
23.5
Nm 15.38
6Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, 7as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. 8Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. 9A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. 11Mas o maior
23.11
Mt 20.26-27
Mc 9.35
10.43-44
Lc 22.26
dentre vós será vosso servo. 12Quem a si mesmo se exaltar
23.12
Lc 14.11
18.14
será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.

Várias advertências de Jesus

13Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!

14[Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!]

15Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!

16Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou! 17Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? 18E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. 19Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está. 21Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita; 22e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus

23.22
Is 66.1
Mt 5.34
e por aquele que no trono está sentado.

23Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo

23.23
Lv 27.30
da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! 24Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!

25Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! 26Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!

27Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados,

23.27
At 23.3
que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! 28Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

29Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos 30e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas! 31Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. 32Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. 33Serpentes, raça de víboras!

23.33
Mt 3.7
Lc 3.7
Como escapareis da condenação do inferno? 34Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; 35para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel
23.35
Gn 4.8
até ao sangue de Zacarias,
23.35
2Cr 24.20-21
filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. 36Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.

O lamento sobre Jerusalém

Lc 13.34-35

37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! 38Eis que a vossa casa vos ficará deserta. 39Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer:

Bendito o que vem em nome do Senhor!

23.39
Sl 118.26

24

O sermão profético

A destruição do templo

Mc 13.1-2; Lc 21.5-6

241Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. 2Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

O princípio das dores

Mc 13.3-13; Lc 21.7-19

3No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. 4E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. 5Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. 6E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 7Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; 8porém tudo isto é o princípio das dores. 9Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. 10Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; 11levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 12E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. 13Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. 14E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.

A grande tribulação

Mc 13.14-23; Lc 21.20-23

15Quando, pois, virdes o abominável da desolação

24.15
Dn 9.27
11.31
12.11
de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), 16então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 17quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; 18e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 19Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 20Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; 21porque nesse tempo haverá grande tribulação,
24.21
Dn 12.1
Ap 7.14
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. 22Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. 23Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 24porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. 25Vede que vo-lo tenho predito. 26Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. 27Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. 28Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.

A vinda do Filho do Homem

Mc 13.24-27; Lc 21.25-28

29Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá,

24.29
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 30Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens
24.30
Dn 7.13
Ap 1.7
do céu, com poder e muita glória. 31E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mc 13.28-37; Lc 21.29-36

32Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 33Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 34Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 35Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 36Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. 37Pois assim como foi nos dias de Noé,

24.37
Gn 6.5-8
também será a vinda do Filho do Homem. 38Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio
24.39
Gn 7.6-24
e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. 40Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; 41duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. 43Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. 44Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
24.42-44
Lc 12.35-40

A parábola do bom servo e do mau

Lc 12.42-46

45Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 46Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 47Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 48Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, 49e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios, 50virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

25

A parábola das dez virgens

251Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. 2Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. 3As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. 5E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. 6Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! 7Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. 8E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. 9Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. 10E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. 11Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.

25.10-12
Lc 13.25
13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

A parábola dos talentos

14Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 16O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. 23Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, 25receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29Porque a todo o que tem se lhe dará,

25.29
Mt 13.12
Mc 4.25
Lc 8.18
e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30E o servo inútil, lançai-o
25.30
Mt 8.12
22.13
para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

O grande julgamento

31Quando vier o Filho do Homem na sua majestade

25.31
Mt 16.27
e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
25.31
Mt 19.28
32e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; 33e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; 34então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. 35Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; 36estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. 37Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? 40O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. 44E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? 45Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. 46E irão estes para o castigo eterno,
25.46
Dn 12.2
porém os justos, para a vida eterna.