Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
22

A parábola das bodas

221De novo, entrou Jesus a falar por parábolas, dizendo-lhes: 2O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. 3Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. 4Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas. 5Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; 6e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram. 7O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade. 8Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos. 9Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. 10E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados. 11Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial 12e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. 13Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

22.13
Mt 8.12
25.30
14Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

A questão do tributo

Mc 12.13-17; Lc 20.20-26

15Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra. 16E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens. 17Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não? 18Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. 20E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? 21Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. 22Ouvindo isto, se admiraram e, deixando-o, foram-se.

Os saduceus e a ressurreição

Mc 12.18-27; Lc 20.27-40

23Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição,

22.23
At 23.8
e lhe perguntaram: 24Mestre, Moisés disse:

Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido.

22.24
Dt 25.5

25Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; 26o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; 27depois de todos eles, morreu também a mulher. 28Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram. 29Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. 30Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. 31E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou:

32Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?

22.32
Êx 3.6

Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. 33Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina.

O grande mandamento

Mc 12.28-31

34Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. 35E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: 36Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? 37Respondeu-lhe Jesus:

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.

22.37
Dt 6.5

38Este é o grande e primeiro mandamento. 39O segundo, semelhante a este, é:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

22.39
Lv 19.18

40Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
22.34-40
Lc 10.25-28

O Cristo, Filho de Davi

Mc 12.35-37; Lc 20.41-44

41Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: 42Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. 43Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo:

44Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés?

22.44
Sl 110.1

45Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 46E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.
23

Jesus censura os escribas e os fariseus

Mc 12.38-40; Lc 11.37-52; 20.45-47

231Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: 2Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. 3Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. 4Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. 5Praticam, porém, todas as suas obras

23.5
Mt 6.1
com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios
23.5
Dt 6.8
e alongam as suas franjas.
23.5
Nm 15.38
6Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, 7as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. 8Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. 9A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. 11Mas o maior
23.11
Mt 20.26-27
Mc 9.35
10.43-44
Lc 22.26
dentre vós será vosso servo. 12Quem a si mesmo se exaltar
23.12
Lc 14.11
18.14
será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.

Várias advertências de Jesus

13Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!

14[Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!]

15Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!

16Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou! 17Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? 18E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. 19Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está. 21Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita; 22e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus

23.22
Is 66.1
Mt 5.34
e por aquele que no trono está sentado.

23Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo

23.23
Lv 27.30
da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! 24Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!

25Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! 26Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!

27Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados,

23.27
At 23.3
que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! 28Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

29Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos 30e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas! 31Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. 32Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. 33Serpentes, raça de víboras!

23.33
Mt 3.7
Lc 3.7
Como escapareis da condenação do inferno? 34Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; 35para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel
23.35
Gn 4.8
até ao sangue de Zacarias,
23.35
2Cr 24.20-21
filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. 36Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.

O lamento sobre Jerusalém

Lc 13.34-35

37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! 38Eis que a vossa casa vos ficará deserta. 39Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer:

Bendito o que vem em nome do Senhor!

23.39
Sl 118.26

24

O sermão profético

A destruição do templo

Mc 13.1-2; Lc 21.5-6

241Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. 2Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

O princípio das dores

Mc 13.3-13; Lc 21.7-19

3No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. 4E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. 5Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. 6E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 7Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; 8porém tudo isto é o princípio das dores. 9Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. 10Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; 11levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 12E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. 13Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. 14E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.

A grande tribulação

Mc 13.14-23; Lc 21.20-23

15Quando, pois, virdes o abominável da desolação

24.15
Dn 9.27
11.31
12.11
de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), 16então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 17quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; 18e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 19Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 20Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; 21porque nesse tempo haverá grande tribulação,
24.21
Dn 12.1
Ap 7.14
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. 22Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. 23Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; 24porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. 25Vede que vo-lo tenho predito. 26Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. 27Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. 28Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.

A vinda do Filho do Homem

Mc 13.24-27; Lc 21.25-28

29Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá,

24.29
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 30Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens
24.30
Dn 7.13
Ap 1.7
do céu, com poder e muita glória. 31E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mc 13.28-37; Lc 21.29-36

32Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. 33Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. 34Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 35Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 36Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. 37Pois assim como foi nos dias de Noé,

24.37
Gn 6.5-8
também será a vinda do Filho do Homem. 38Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio
24.39
Gn 7.6-24
e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. 40Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; 41duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. 43Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. 44Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
24.42-44
Lc 12.35-40

A parábola do bom servo e do mau

Lc 12.42-46

45Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 46Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 47Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 48Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, 49e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios, 50virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

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