Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
21

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mc 11.1-11; Lc 19.28-40; Jo 12.12-15

211Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: 2Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. 3E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E logo os enviará. 4Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta:

5Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga.

21.5
Zc 9.9

6Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara, 7trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou. 8E a maior parte da multidão estendeu as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, espalhando-os pela estrada. 9E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hosana
21.9
Sl 118.25-26
ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! 10E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este? 11E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia!

A purificação do templo

Mc 11.15-17; Lc 19.45-46

12Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. 13E disse-lhes: Está escrito:

A minha casa será chamada casa de oração;

21.13
Is 56.7

vós, porém, a transformais em covil de salteadores.
21.13
Jr 7.11

Jesus efetua curas no templo

14Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. 15Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: 16Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes:

Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?

21.16
Sl 8.2

17E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde pernoitou.

A figueira sem fruto

Mc 11.12-14,20-24

18Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; 19e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. 20Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira! 21Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé

21.21
Mt 17.20
1Co 13.2
e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá; 22e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.

A autoridade de Jesus e o batismo de João

Mc 11.27-33; Lc 20.1-8

23Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade? 24E Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25Donde era o batismo de João, do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele? 26E, se dissermos: dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta. 27Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E ele, por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

A parábola dos dois filhos

28E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. 29Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. 30Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. 32Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos

21.32
Lc 3.12
7.29-30
e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.

A parábola dos lavradores maus

Mc 12.1-12; Lc 20.9-19

33Atentai noutra parábola. Havia um homem, dono de casa, que plantou uma vinha.

21.33
Is 5.1-2
Cercou-a de uma sebe, construiu nela um lagar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país. 34Ao tempo da colheita, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam. 35E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. 36Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte. 37E, por último, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: A meu filho respeitarão. 38Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança. 39E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram. 40Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? 41Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos.

42Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras:

A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?

21.42
Sl 118.22-23

43Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos. 44Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.

45Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, entenderam que era a respeito deles que Jesus falava; 46e, conquanto buscassem prendê-lo, temeram as multidões, porque estas o consideravam como profeta.

22

A parábola das bodas

221De novo, entrou Jesus a falar por parábolas, dizendo-lhes: 2O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. 3Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. 4Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas. 5Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; 6e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram. 7O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade. 8Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos. 9Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. 10E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados. 11Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial 12e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. 13Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

22.13
Mt 8.12
25.30
14Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

A questão do tributo

Mc 12.13-17; Lc 20.20-26

15Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra. 16E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens. 17Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não? 18Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. 20E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? 21Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. 22Ouvindo isto, se admiraram e, deixando-o, foram-se.

Os saduceus e a ressurreição

Mc 12.18-27; Lc 20.27-40

23Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição,

22.23
At 23.8
e lhe perguntaram: 24Mestre, Moisés disse:

Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido.

22.24
Dt 25.5

25Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; 26o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; 27depois de todos eles, morreu também a mulher. 28Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram. 29Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. 30Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. 31E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou:

32Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?

22.32
Êx 3.6

Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. 33Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina.

O grande mandamento

Mc 12.28-31

34Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. 35E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: 36Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? 37Respondeu-lhe Jesus:

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.

22.37
Dt 6.5

38Este é o grande e primeiro mandamento. 39O segundo, semelhante a este, é:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

22.39
Lv 19.18

40Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
22.34-40
Lc 10.25-28

O Cristo, Filho de Davi

Mc 12.35-37; Lc 20.41-44

41Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: 42Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. 43Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo:

44Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés?

22.44
Sl 110.1

45Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 46E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.
23

Jesus censura os escribas e os fariseus

Mc 12.38-40; Lc 11.37-52; 20.45-47

231Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: 2Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. 3Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. 4Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. 5Praticam, porém, todas as suas obras

23.5
Mt 6.1
com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios
23.5
Dt 6.8
e alongam as suas franjas.
23.5
Nm 15.38
6Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, 7as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. 8Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. 9A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. 11Mas o maior
23.11
Mt 20.26-27
Mc 9.35
10.43-44
Lc 22.26
dentre vós será vosso servo. 12Quem a si mesmo se exaltar
23.12
Lc 14.11
18.14
será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.

Várias advertências de Jesus

13Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!

14[Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!]

15Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!

16Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou! 17Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? 18E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. 19Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está. 21Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita; 22e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus

23.22
Is 66.1
Mt 5.34
e por aquele que no trono está sentado.

23Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo

23.23
Lv 27.30
da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! 24Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!

25Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! 26Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!

27Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados,

23.27
At 23.3
que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! 28Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

29Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos 30e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas! 31Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. 32Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. 33Serpentes, raça de víboras!

23.33
Mt 3.7
Lc 3.7
Como escapareis da condenação do inferno? 34Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; 35para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel
23.35
Gn 4.8
até ao sangue de Zacarias,
23.35
2Cr 24.20-21
filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. 36Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.

O lamento sobre Jerusalém

Lc 13.34-35

37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! 38Eis que a vossa casa vos ficará deserta. 39Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer:

Bendito o que vem em nome do Senhor!

23.39
Sl 118.26