Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

A transfiguração

Mc 9.2-8; Lc 9.28-36

171Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. 5Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;

17.5
Is 42.1
a ele ouvi.
17.5
Mt 3.17
12.18
Mc 1.11
Lc 3.22
17.1-5
2Pe 1.17-18
6Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. 7Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais! 8Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus.

A vinda de Elias

Mc 9.9-13

9E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos. 10Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias

17.10
Ml 4.5
venha primeiro? 11Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. 12Eu, porém, vos declaro que Elias
17.12
Mt 11.14
já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. 13Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.

A cura de um jovem possesso

Mc 9.14-29; Lc 9.37-42

14E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: 15Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. 16Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. 17Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. 18E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado.

19Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? 20E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé

17.20
Mt 21.21
Mc 11.23
1Co 13.2
como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível. 21[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.]

De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mc 9.30-32; Lc 9.43b-45

22Reunidos eles na Galileia, disse-lhes Jesus: O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens; 23e estes o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então, os discípulos se entristeceram grandemente.

Jesus paga imposto

24Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto

17.24
Êx 30.13
38.26
das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? 25Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? 26Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. 27Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.

18

O maior no reino dos céus

Mc 9.33-37; Lc 9.46-48

181Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior

18.1
Lc 22.24
no reino dos céus? 2E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. 3E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes
18.3
Mc 10.15
Lc 18.17
e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. 5E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.

Os tropeços

Mc 9.42-48; Lc 17.1-2

6Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.

7Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! 8Portanto, se a tua mão

18.8
Mt 5.30
ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. 9Se um dos teus olhos
18.9
Mt 5.29
te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.

A parábola da ovelha perdida

Lc 15.3-7

10Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste. 11[Porque o Filho do Homem

18.11
Lc 19.10
veio salvar o que estava perdido.] 12Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? 13E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. 14Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.

Como se deve tratar a um irmão culpado

15Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. 16Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas,

18.16
Dt 17.6
19.15
toda palavra se estabeleça. 17E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. 18Em verdade vos digo que tudo o que ligardes
18.18
Mt 16.19
Jo 20.23
na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. 19Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. 20Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Quantas vezes se deve perdoar a um irmão

Lc 17.3-4

21Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

A parábola do credor incompassivo

23Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. 28Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. 29Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

19

Jesus atravessa o Jordão

Mc 10.1

191E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, deixou a Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão. 2Seguiram-no muitas multidões, e curou-as ali.

A questão do divórcio

Mc 10.2-12; Lc 16.18

3Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? 4Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher

19.4
Gn 1.27
5.2
5e que disse:

Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?

19.5
Gn 2.24

6De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 7Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés
19.7
Dt 24.1-4
Mt 5.31
dar carta de divórcio e repudiar? 8Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. 9Eu, porém, vos digo: quem repudiar
19.9
Mt 5.32
1Co 7.10-11
sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério]. 10Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar. 11Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. 12Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.

Jesus abençoa as crianças

Mc 10.13-16; Lc 18.15-17

13Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam. 14Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. 15E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.

O jovem rico

Mc 10.17-22; Lc 18.18-23

16E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? 17Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. 18E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás,

19.18
Êx 20.13
Dt 5.17
não adulterarás,
19.18
Êx 20.14
Dt 5.18
não furtarás,
19.18
Êx 20.15
Dt 5.19
não dirás falso testemunho;
19.18
Êx 20.16
Dt 5.20
19honra a teu pai e a tua mãe
19.19
Êx 20.12
Dt 5.16
e amarás o teu próximo
19.19
Lv 19.18
como a ti mesmo. 20Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? 21Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. 22Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.

O perigo das riquezas

Mc 10.23-31; Lc 18.24-30

23Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. 24E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 25Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 26Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível. 27Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós? 28Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar

19.28
Mt 25.31
no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos
19.28
Lc 22.30
para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mulher], ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna. 30Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos,
19.30
Mt 20.16
Lc 13.30
primeiros.

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