Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
15

Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem

Mc 7.1-23

151Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: 2Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. 3Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? 4Porque Deus ordenou:

Honra a teu pai e a tua mãe;

15.4
Êx 20.12

e:

Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.

15.4
Êx 21.17
Lv 20.9

5Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim; 6esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. 7Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:

8Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

9E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

15.8-9
Is 29.13

10E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: 11não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. 12Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? 13Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. 14Deixai-os; são cegos, guias de cegos.
15.14
Lc 6.39
Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco. 15Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola. 16Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda? 17Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? 18Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. 19Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. 20São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina.

A mulher cananeia

Mc 7.24-30

21Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. 22E eis que uma mulher cananeia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. 23Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. 24Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 27Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. 28Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.

Jesus volta para o mar da Galileia e cura muitos enfermos

29Partindo Jesus dali, foi para junto do mar da Galileia; e, subindo ao monte, assentou-se ali. 30E vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou. 31De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel.

A segunda multiplicação de pães e peixes

Mc 8.1-10

32E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça pelo caminho. 33Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar tão grande multidão? 34Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns peixinhos. 35Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão, 36tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo. 37Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios. 38Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. 39E, tendo despedido as multidões, entrou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.

16

Os fariseus e os saduceus pedem um sinal do céu

Mc 8.11-13

161Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. 2Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; 3e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? 4Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

16.4
Jn 3.4-5
E, deixando-os, retirou-se.
16.1-4
Mt 12.38-42
Lc 11.29-32

O fermento dos fariseus e dos saduceus

Mc 8.14-21

5Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar pão. 6E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus

16.6
Lc 12.1
e dos saduceus. 7Eles, porém, discorriam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão. 8Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? 9Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães
16.9
Mt 14.17-21
para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? 10Nem dos sete pães
16.10
Mt 15.34-38
para os quatro mil e de quantos cestos tomastes? 11Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. 12Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

A confissão de Pedro

Mc 8.27-30; Lc 9.18-21

13Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 14E eles responderam: Uns dizem: João Batista;

16.14
Mt 14.1-2
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8
outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 15Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? 16Respondendo Simão Pedro,
16.16
Jo 6.68-69
disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares
16.19
Mt 18.18
Jo 20.23
na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 20Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mc 8.31-33; Lc 9.22

21Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. 22E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. 23Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

O discípulo de Cristo deve levar a sua cruz

Mc 8.34—9.1; Lc 9.23-27

24Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém

16.24
Mt 10.38
Lc 14.27
quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 25Porquanto, quem quiser salvar
16.25
Mt 10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. 26Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? 27Porque o Filho do Homem há de vir
16.27
Mt 25.31
na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá
16.27
Sl 62.12
a cada um conforme as suas obras. 28Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino.

17

A transfiguração

Mc 9.2-8; Lc 9.28-36

171Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. 5Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;

17.5
Is 42.1
a ele ouvi.
17.5
Mt 3.17
12.18
Mc 1.11
Lc 3.22
17.1-5
2Pe 1.17-18
6Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. 7Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais! 8Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus.

A vinda de Elias

Mc 9.9-13

9E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos. 10Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias

17.10
Ml 4.5
venha primeiro? 11Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. 12Eu, porém, vos declaro que Elias
17.12
Mt 11.14
já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. 13Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.

A cura de um jovem possesso

Mc 9.14-29; Lc 9.37-42

14E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: 15Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. 16Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. 17Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. 18E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado.

19Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? 20E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé

17.20
Mt 21.21
Mc 11.23
1Co 13.2
como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível. 21[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.]

De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mc 9.30-32; Lc 9.43b-45

22Reunidos eles na Galileia, disse-lhes Jesus: O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens; 23e estes o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então, os discípulos se entristeceram grandemente.

Jesus paga imposto

24Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto

17.24
Êx 30.13
38.26
das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? 25Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? 26Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. 27Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.

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