Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
14

A morte de João Batista

Mc 6.14-29; Lc 9.7-9

141Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus 2e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. 3Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão; 4pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.

14.4
Lv 18.16
20.21
14.3-4
Lc 3.19-20
5E, querendo matá-lo, temia o povo, porque o tinham como profeta. 6Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes. 7Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse. 8Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista. 9Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem; 10e deu ordens e decapitou a João no cárcere. 11Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe. 12Então, vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; depois, foram e o anunciaram a Jesus.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mc 6.30-44; Lc 9.10-17; Jo 6.1-13

13Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; sabendo-o as multidões, vieram das cidades seguindo-o por terra. 14Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos. 15Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. 16Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer. 17Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. 18Então, ele disse: Trazei-mos. 19E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões. 20Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

Jesus anda por sobre o mar

Mc 6.45-52; Jo 6.15-21

22Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. 23E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só. 24Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. 25Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. 26E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram.

27Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! 28Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. 29E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. 30Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! 31E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste? 32Subindo ambos para o barco, cessou o vento. 33E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!

Jesus em Genesaré

Mc 6.53-56

34Então, estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré. 35Reconhecendo-o os homens daquela terra, mandaram avisar a toda a circunvizinhança e trouxeram-lhe todos os enfermos; 36e lhe rogavam que ao menos pudessem tocar na orla da sua veste. E todos os que tocaram ficaram sãos.

15

Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem

Mc 7.1-23

151Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: 2Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. 3Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? 4Porque Deus ordenou:

Honra a teu pai e a tua mãe;

15.4
Êx 20.12

e:

Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.

15.4
Êx 21.17
Lv 20.9

5Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim; 6esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. 7Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:

8Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

9E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

15.8-9
Is 29.13

10E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: 11não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. 12Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? 13Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. 14Deixai-os; são cegos, guias de cegos.
15.14
Lc 6.39
Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco. 15Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola. 16Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda? 17Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? 18Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. 19Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. 20São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina.

A mulher cananeia

Mc 7.24-30

21Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. 22E eis que uma mulher cananeia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. 23Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. 24Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 27Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. 28Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.

Jesus volta para o mar da Galileia e cura muitos enfermos

29Partindo Jesus dali, foi para junto do mar da Galileia; e, subindo ao monte, assentou-se ali. 30E vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou. 31De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel.

A segunda multiplicação de pães e peixes

Mc 8.1-10

32E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça pelo caminho. 33Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar tão grande multidão? 34Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns peixinhos. 35Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão, 36tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo. 37Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios. 38Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. 39E, tendo despedido as multidões, entrou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.

16

Os fariseus e os saduceus pedem um sinal do céu

Mc 8.11-13

161Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. 2Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; 3e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? 4Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

16.4
Jn 3.4-5
E, deixando-os, retirou-se.
16.1-4
Mt 12.38-42
Lc 11.29-32

O fermento dos fariseus e dos saduceus

Mc 8.14-21

5Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar pão. 6E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus

16.6
Lc 12.1
e dos saduceus. 7Eles, porém, discorriam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão. 8Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? 9Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães
16.9
Mt 14.17-21
para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? 10Nem dos sete pães
16.10
Mt 15.34-38
para os quatro mil e de quantos cestos tomastes? 11Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. 12Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

A confissão de Pedro

Mc 8.27-30; Lc 9.18-21

13Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 14E eles responderam: Uns dizem: João Batista;

16.14
Mt 14.1-2
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8
outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 15Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? 16Respondendo Simão Pedro,
16.16
Jo 6.68-69
disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares
16.19
Mt 18.18
Jo 20.23
na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 20Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

Jesus prediz a sua morte e ressurreição

Mc 8.31-33; Lc 9.22

21Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. 22E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. 23Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

O discípulo de Cristo deve levar a sua cruz

Mc 8.34—9.1; Lc 9.23-27

24Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém

16.24
Mt 10.38
Lc 14.27
quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 25Porquanto, quem quiser salvar
16.25
Mt 10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. 26Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? 27Porque o Filho do Homem há de vir
16.27
Mt 25.31
na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá
16.27
Sl 62.12
a cada um conforme as suas obras. 28Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino.