Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
9

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mc 2.1-12; Lc 5.17-26

91Entrando Jesus num barco, passou para o outro lado e foi para a sua própria cidade. 2E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados. 3Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema. 4Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração? 5Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? 6Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 7E, levantando-se, partiu para sua casa. 8Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

A vocação de Mateus

Mc 2.13-14; Lc 5.27-28

9Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Jesus come com pecadores

Mc 2.15-17; Lc 5.29-32

10E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. 11Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?

9.10-11
Lc 15.1-2
12Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. 13Ide, porém, e aprendei
9.13
Mt 12.7
o que significa:

Misericórdia quero e não holocaustos;

9.13
Os 6.6

pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento].

Do jejum

Mc 2.18-22; Lc 5.33-39

14Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam? 15Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. 16Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. 17Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.

O pedido de um chefe

Mc 5.21-24a; Lc 8.40-42a

18Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá.

A cura de uma mulher enferma

Mc 5.24b-34; Lc 8.42b-48

19E Jesus, levantando-se, o seguia, e também os seus discípulos. 20E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste; 21porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. 22E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã.

A ressurreição da filha de Jairo

Mc 5.35-43; Lc 8.49-56

23Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse: 24Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele. 25Mas, afastado o povo, entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26E a fama deste acontecimento correu por toda aquela terra.

A cura de dois cegos

27Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Filho de Davi! 28Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor! 29Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé. 30E abriram-se-lhes os olhos. Jesus, porém, os advertiu severamente, dizendo: Acautelai-vos de que ninguém o saiba. 31Saindo eles, porém, divulgaram-lhe a fama por toda aquela terra.

A cura de um mudo endemoninhado. A blasfêmia dos fariseus

32Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado. 33E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! 34Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios.

9.32-34
Mt 10.25
12.22-24
Mc 3.22
Lc 11.14-15

Jesus ia por toda parte fazendo o bem. A seara e os trabalhadores

35E percorria

9.35
Mt 4.23
Mc 1.39
Lc 4.44
Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. 36Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
9.36
1Rs 22.17
2Cr 18.16
Mc 6.34
37E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
9.37-38
Lc 10.2

10

A escolha dos doze apóstolos

Os seus nomes

Mc 3.13-19; Lc 6.12-16

101Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. 2Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

As instruções para os doze

Mc 6.7-11; Lc 9.1-5

5A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; 7e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. 8Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai. 9Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; 10nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.

10.10
1Co 9.14
1Tm 5.18
11E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. 12Ao entrardes na casa, saudai-a; 13se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. 14Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó
10.14
At 13.51
dos vossos pés. 15Em verdade vos digo que menos rigor
10.15
Mt 11.23-24
haverá para Sodoma e Gomorra,
10.15
Gn 19.24-28
no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
10.5-15
Lc 10.1-12

As admoestações

16Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 17E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; 18por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. 19E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, 20visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. 21Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 22Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. 23Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem.

Os estímulos

24O discípulo

10.24
Lc 6.40
não está acima do seu mestre, nem o servo,
10.24
Jo 13.16
15.20
acima do seu senhor. 25Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu
10.25
Mt 9.34
12.24
Mc 3.22
Lc 11.15
ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? 26Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado;
10.26
Mc 4.22
Lc 8.17
nem oculto, que não venha a ser conhecido. 27O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados. 28Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. 29Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. 30E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. 31Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; 33mas aquele que me negar
10.33
2Tm 2.12
diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

As dificuldades

34Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. 35Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. 36Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.

10.35-36
Mq 7.6
37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; 38e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. 39Quem acha a sua vida perdê-la-á;
10.39
Lc 17.33
Jo 12.25
quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.
10.38-39
Mt 16.24-25
Mc 8.34-35
Lc 9.23-24
17.33
Jo 12.25

As recompensas

40Quem vos recebe a mim me recebe;

10.40
Lc 10.16
Jo 13.20
e quem me recebe recebe aquele
10.40
Mc 9.37
Lc 9.48
que me enviou. 41Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. 42E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

11

Jesus prega nas cidades

111Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.

João envia mensageiros a Jesus

Lc 7.18-23

2Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: 3És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? 4E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos

11.5
Is 35.5-6
veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.
11.5
Is 61.1
6E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.

Jesus dá testemunho de João

Lc 7.24-35

7Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. 9Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. 10Este é de quem está escrito:

Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

11.10
Ml 3.1

11Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. 12Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. 13Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.
11.12-13
Lc 16.16
14E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias,
11.14
Ml 4.5
Mt 17.10-13
Mc 9.11-13
que estava para vir. 15Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.

16Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:

17Nós vos tocamos flauta, e não dançastes;

entoamos lamentações, e não pranteastes.

18Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! 19Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.

Ai das cidades impenitentes!

Lc 10.13-15

20Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: 21Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. 22E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.

11.21-22
Is 23.1-18
Ez 26.1—28.26
Jl 3.4-8
Am 1.9-10
Zc 9.2-4
23Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu?
11.23
Is 14.13-15
Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. 24Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
11.23-24
Gn 19.24-28
Mt 10.15
Lc 10.12

Jesus, o Salvador dos humildes

Lc 10.21-22

25Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue

11.27
Jo 3.35
por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai;
11.27
Jo 10.15
e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a mim

28Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

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