Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
8

As mulheres que assistiam Jesus

81Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Mc 4.1-9

4Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola: 5Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

Mt 13.10-23; Mc 4.10-20

9E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam;

8.10
Is 6.9-10
e, ouvindo, não entendam. 11Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. 12A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. 13A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. 14A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. 15A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.

A parábola da candeia

Mc 4.21-25

16Ninguém, depois de acender

8.16
Mt 5.15
Lc 11.33
uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz. 17Nada há oculto,
8.17
Mt 10.26
Lc 12.2
que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado. 18Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará;
8.18
Mt 25.29
Lc 19.26
e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.

A família de Jesus

Mt 12.46-50; Mc 3.31-35

19Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se por causa da concorrência de povo. 20E lhe comunicaram: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te. 21Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Mc 4.35-41

22Aconteceu que, num daqueles dias, entrou ele num barco em companhia dos seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra margem do lago; e partiram. 23Enquanto navegavam, ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar. 24Chegando-se a ele, despertaram-no dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Despertando-se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança. 25Então, lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?

A cura do endemoninhado geraseno

Mt 8.28-33; Mc 5.1-14

26Então, rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galileia. 27Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros. 28E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes. 29Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto. 30Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios. 31Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo. 32Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu. 33Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou. 34Os porqueiros, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

Os gerasenos rejeitam Jesus

Mt 8.34; Mc 5.14b-20

35Então, saiu o povo para ver o que se passara, e foram ter com Jesus. De fato, acharam o homem de quem saíram os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror. 36E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como fora salvo o endemoninhado. 37Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou. 38O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: 39Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti. Então, foi ele anunciando por toda a cidade todas as coisas que Jesus lhe tinha feito.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Mc 5.21-24

40Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando. 41Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa. 42Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Mc 5.24b-34

Enquanto ele ia, as multidões o apertavam. 43Certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia, e a quem ninguém tinha podido curar [e que gastara com os médicos todos os seus haveres], 44veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste, e logo se lhe estancou a hemorragia. 45Mas Jesus disse: Quem me tocou? Como todos negassem, Pedro [com seus companheiros] disse: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem [e dizes: Quem me tocou?]. 46Contudo, Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder. 47Vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou, à vista de todo o povo, a causa por que lhe havia tocado e como imediatamente fora curada. 48Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-25; Mc 5.35-43

49Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. 50Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva. 51Tendo chegado à casa, a ninguém permitiu que entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e bem assim o pai e a mãe da menina. 52E todos choravam e a pranteavam. Mas ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme. 53E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta. 54Entretanto, ele, tomando-a pela mão, disse-lhe, em voz alta: Menina, levanta-te! 55Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer. 56Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.

9

As instruções para os doze

Mt 10.1,5-15; Mc 6.7-13

91Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. 2Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. 3E disse-lhes: Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas. 4Na casa em que entrardes, ali permanecei e dali saireis. 5E onde quer que não vos receberem, ao sairdes daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés

9.5
At 13.51
em testemunho contra eles. 6Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte.
9.1-6
Lc 10.1-12

Herodes e João Batista

Mt 14.1-12; Mc 6.14-29

7Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava e ficou perplexo, porque alguns diziam: João ressuscitou dentre os mortos; 8outros: Elias apareceu; e outros: Ressurgiu um dos antigos profetas.

9.7-8
Mt 16.14
Mc 8.28
Lc 9.19
9Herodes, porém, disse: Eu mandei decapitar a João; quem é, pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas? E se esforçava por vê-lo.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Jo 6.1-13

10Ao regressarem, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito. E, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida. 11Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura. 12Mas o dia começava a declinar. Então, se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto. 13Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer. Responderam eles: Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo. 14Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Então, disse aos seus discípulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinquenta. 15Eles atenderam, acomodando a todos. 16E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo. 17Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos.

A confissão de Pedro. Jesus prediz a própria morte

Mt 16.13-21; Mc 8.27-31

18Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu? 19Responderam eles: João Batista,

9.19
Mt 14.1-2
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8
mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas. 20Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Então, falou Pedro
9.20
Jo 6.68-69
e disse: És o Cristo de Deus. 21Ele, porém, advertindo-os, mandou que a ninguém declarassem tal coisa, 22dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.

O discípulo de Jesus deve levar a sua cruz

Mt 16.24-28; Mc 8.34—9.1

23Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.

9.23-24
Mt 10.38-39
Lc 14.27
17.33
Jo 12.25
25Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo? 26Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. 27Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus.

A transfiguração

Mt 17.1-8; Mc 9.2-8

28Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. 29E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. 30Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, 31os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. 32Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. 33Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. 35E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho,

9.35
Mt 3.17
12.18
Mc 1.11
Lc 3.22
o meu eleito;
9.35
Is 42.1
a ele ouvi.
9.28-35
2Pe 1.17-18
36Depois daquela voz, achou-se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto.

A cura de um jovem possesso

Mt 17.14-20; Mc 9.14-29

37No dia seguinte, ao descerem eles do monte, veio ao encontro de Jesus grande multidão. 38E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único; 39um espírito se apodera dele, e, de repente, o menino grita, e o espírito o atira por terra, convulsiona-o até espumar; e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado. 40Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam. 41Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho. 42Quando se ia aproximando, o demônio o atirou no chão e o convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou a seu pai. 43E todos ficaram maravilhados ante a majestade de Deus.

De novo prediz Jesus a sua morte

Mt 17.22-23; Mc 9.30-32

Como todos se maravilhassem de quanto Jesus fazia, disse aos seus discípulos: 44Fixai nos vossos ouvidos as seguintes palavras: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens. 45Eles, porém, não entendiam isto, e foi-lhes encoberto para que o não compreendessem; e temiam interrogá-lo a este respeito.

O maior no reino dos céus

Mt 18.1-5; Mc 9.33-37

46Levantou-se entre eles uma discussão

9.46
Lc 22.24
sobre qual deles seria o maior. 47Mas Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si 48e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim
9.48
Mt 10.40
Lc 10.16
Jo 13.20
recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.

Jesus ensina a tolerância e a caridade

Mc 9.38-40

49Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que, em teu nome, expelia demônios e lho proibimos, porque não segue conosco. 50Mas Jesus lhe disse: Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.

Os samaritanos não recebem Jesus

51E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém 52e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. 53Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém. 54Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu

9.54
2Rs 1.9-16
para os consumir? 55Jesus, porém, voltando-se os repreendeu [e disse: Vós não sabeis de que espírito sois]. 56[Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.] E seguiram para outra aldeia.

Jesus põe à prova os que queriam segui-lo

Mt 8.18-22

57Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. 58Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 59A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 60Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. 61Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.

9.61
1Rs 19.20
62Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.

10

A missão dos setenta

101Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir. 2E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

10.2
Mt 9.37-38
3Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho. 5Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa! 6Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não houver, ela voltará sobre vós. 7Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário.
10.7
1Co 9.14
1Tm 5.18
Não andeis a mudar de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido. 9Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus. 10Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem, saí pelas ruas e clamai: 11Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós outros.
10.11
At 13.51
Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus. 12Digo-vos que, naquele dia, haverá menos rigor para Sodoma
10.12
Gn 19.24-28
Mt 11.24
do que para aquela cidade.
10.1-12
Mt 10.5-15
Mc 6.7-13
Lc 9.1-6

Ai das cidades impenitentes!

Mt 11.20-24

13Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza. 14Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.

10.13-14
Is 23.1-18
Ez 26.1—28.26
Jl 3.4-8
Am 1.9-10
Zc 9.2-4
15Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu?
10.15
Is 14.13-15
Descerás até ao inferno. 16Quem vos der ouvidos ouve-me a mim;
10.16
Mt 10.40
Mc 9.37
Lc 9.48
Jo 13.20
e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou.

O regresso dos setenta

17Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! 18Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. 19Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões

10.19
Sl 91.13
e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. 20Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.

Jesus, o Salvador dos humildes

Mt 11.25-27

21Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue

10.22
Jo 3.35
por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho,
10.22
Jo 10.15
senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

23E, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes particularmente: Bem-aventurados os olhos que veem as coisas que vós vedes. 24Pois eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

O bom samaritano

25E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 26Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? 27A isto ele respondeu:

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento;

e:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

10.27
Dt 6.5
Lv 19.18

28Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.
10.28
Lv 18.5
10.25-28
Mt 22.35-40
Mc 12.28-34
29Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? 30Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. 31Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. 32Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. 33Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 34E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. 35No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. 36Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? 37Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.

Marta e Maria

38Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. 39Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.

10.38-39
Jo 11.1
40Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. 41Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. 42Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.