Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
7

A cura do servo de um centurião

Mt 8.5-13

71Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. 3Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. 4Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; 5porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. 6Então, Jesus foi com eles. E, já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. 7Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 8Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 9Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 10E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo.

A ressurreição do filho da viúva de Naim

11Em dia subsequente, dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e iam com ele os seus discípulos e numerosa multidão. 12Como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela. 13Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! 14Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! 15Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe. 16Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo. 17Esta notícia a respeito dele divulgou-se por toda a Judeia e por toda a circunvizinhança.

João envia mensageiros a Jesus

Mt 11.2-6

18Todas estas coisas foram referidas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles, 19enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? 20Quando os homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou-nos para te perguntar: És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro? 21Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. 22Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem,

7.22
Is 35.5-6
os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres,
7.22
Is 61.1
anuncia-se-lhes o evangelho. 23E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.

Jesus dá testemunho de João

Mt 11.7-19

24Tendo-se retirado os mensageiros, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 25Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo assistem nos palácios dos reis. 26Sim, que saístes a ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. 27Este é aquele de quem está escrito:

Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

7.27
Ml 3.1

28E eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele. 29Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; 30mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.
7.29-30
Mt 21.32
Lc 3.12

31A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? 32São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros:

Nós vos tocamos flauta, e não dançastes;

entoamos lamentações, e não chorastes.

33Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio! 34Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! 35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A pecadora que ungiu os pés de Jesus

36Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; 38e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento. 39Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. 40Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 41Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta. 42Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. 49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? 50Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

8

As mulheres que assistiam Jesus

81Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Mc 4.1-9

4Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola: 5Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

Mt 13.10-23; Mc 4.10-20

9E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam;

8.10
Is 6.9-10
e, ouvindo, não entendam. 11Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. 12A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. 13A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. 14A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. 15A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.

A parábola da candeia

Mc 4.21-25

16Ninguém, depois de acender

8.16
Mt 5.15
Lc 11.33
uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz. 17Nada há oculto,
8.17
Mt 10.26
Lc 12.2
que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado. 18Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará;
8.18
Mt 25.29
Lc 19.26
e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.

A família de Jesus

Mt 12.46-50; Mc 3.31-35

19Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se por causa da concorrência de povo. 20E lhe comunicaram: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te. 21Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Mc 4.35-41

22Aconteceu que, num daqueles dias, entrou ele num barco em companhia dos seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra margem do lago; e partiram. 23Enquanto navegavam, ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar. 24Chegando-se a ele, despertaram-no dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Despertando-se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança. 25Então, lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?

A cura do endemoninhado geraseno

Mt 8.28-33; Mc 5.1-14

26Então, rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galileia. 27Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros. 28E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes. 29Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto. 30Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios. 31Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo. 32Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu. 33Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou. 34Os porqueiros, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

Os gerasenos rejeitam Jesus

Mt 8.34; Mc 5.14b-20

35Então, saiu o povo para ver o que se passara, e foram ter com Jesus. De fato, acharam o homem de quem saíram os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror. 36E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como fora salvo o endemoninhado. 37Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou. 38O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: 39Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti. Então, foi ele anunciando por toda a cidade todas as coisas que Jesus lhe tinha feito.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Mc 5.21-24

40Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando. 41Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa. 42Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Mc 5.24b-34

Enquanto ele ia, as multidões o apertavam. 43Certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia, e a quem ninguém tinha podido curar [e que gastara com os médicos todos os seus haveres], 44veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste, e logo se lhe estancou a hemorragia. 45Mas Jesus disse: Quem me tocou? Como todos negassem, Pedro [com seus companheiros] disse: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem [e dizes: Quem me tocou?]. 46Contudo, Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder. 47Vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou, à vista de todo o povo, a causa por que lhe havia tocado e como imediatamente fora curada. 48Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-25; Mc 5.35-43

49Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. 50Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva. 51Tendo chegado à casa, a ninguém permitiu que entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e bem assim o pai e a mãe da menina. 52E todos choravam e a pranteavam. Mas ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme. 53E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta. 54Entretanto, ele, tomando-a pela mão, disse-lhe, em voz alta: Menina, levanta-te! 55Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer. 56Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.

9

As instruções para os doze

Mt 10.1,5-15; Mc 6.7-13

91Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. 2Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. 3E disse-lhes: Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas. 4Na casa em que entrardes, ali permanecei e dali saireis. 5E onde quer que não vos receberem, ao sairdes daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés

9.5
At 13.51
em testemunho contra eles. 6Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte.
9.1-6
Lc 10.1-12

Herodes e João Batista

Mt 14.1-12; Mc 6.14-29

7Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava e ficou perplexo, porque alguns diziam: João ressuscitou dentre os mortos; 8outros: Elias apareceu; e outros: Ressurgiu um dos antigos profetas.

9.7-8
Mt 16.14
Mc 8.28
Lc 9.19
9Herodes, porém, disse: Eu mandei decapitar a João; quem é, pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas? E se esforçava por vê-lo.

A primeira multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Jo 6.1-13

10Ao regressarem, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito. E, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida. 11Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura. 12Mas o dia começava a declinar. Então, se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto. 13Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer. Responderam eles: Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo. 14Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Então, disse aos seus discípulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinquenta. 15Eles atenderam, acomodando a todos. 16E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo. 17Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos.

A confissão de Pedro. Jesus prediz a própria morte

Mt 16.13-21; Mc 8.27-31

18Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu? 19Responderam eles: João Batista,

9.19
Mt 14.1-2
Mc 6.14-15
Lc 9.7-8
mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas. 20Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Então, falou Pedro
9.20
Jo 6.68-69
e disse: És o Cristo de Deus. 21Ele, porém, advertindo-os, mandou que a ninguém declarassem tal coisa, 22dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.

O discípulo de Jesus deve levar a sua cruz

Mt 16.24-28; Mc 8.34—9.1

23Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.

9.23-24
Mt 10.38-39
Lc 14.27
17.33
Jo 12.25
25Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo? 26Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. 27Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus.

A transfiguração

Mt 17.1-8; Mc 9.2-8

28Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. 29E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. 30Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, 31os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. 32Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. 33Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. 35E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho,

9.35
Mt 3.17
12.18
Mc 1.11
Lc 3.22
o meu eleito;
9.35
Is 42.1
a ele ouvi.
9.28-35
2Pe 1.17-18
36Depois daquela voz, achou-se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto.

A cura de um jovem possesso

Mt 17.14-20; Mc 9.14-29

37No dia seguinte, ao descerem eles do monte, veio ao encontro de Jesus grande multidão. 38E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único; 39um espírito se apodera dele, e, de repente, o menino grita, e o espírito o atira por terra, convulsiona-o até espumar; e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado. 40Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam. 41Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho. 42Quando se ia aproximando, o demônio o atirou no chão e o convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou a seu pai. 43E todos ficaram maravilhados ante a majestade de Deus.

De novo prediz Jesus a sua morte

Mt 17.22-23; Mc 9.30-32

Como todos se maravilhassem de quanto Jesus fazia, disse aos seus discípulos: 44Fixai nos vossos ouvidos as seguintes palavras: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens. 45Eles, porém, não entendiam isto, e foi-lhes encoberto para que o não compreendessem; e temiam interrogá-lo a este respeito.

O maior no reino dos céus

Mt 18.1-5; Mc 9.33-37

46Levantou-se entre eles uma discussão

9.46
Lc 22.24
sobre qual deles seria o maior. 47Mas Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si 48e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim
9.48
Mt 10.40
Lc 10.16
Jo 13.20
recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.

Jesus ensina a tolerância e a caridade

Mc 9.38-40

49Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que, em teu nome, expelia demônios e lho proibimos, porque não segue conosco. 50Mas Jesus lhe disse: Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.

Os samaritanos não recebem Jesus

51E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém 52e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. 53Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém. 54Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu

9.54
2Rs 1.9-16
para os consumir? 55Jesus, porém, voltando-se os repreendeu [e disse: Vós não sabeis de que espírito sois]. 56[Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.] E seguiram para outra aldeia.

Jesus põe à prova os que queriam segui-lo

Mt 8.18-22

57Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. 58Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 59A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 60Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. 61Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.

9.61
1Rs 19.20
62Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.

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