Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

Jesus é senhor do sábado

Mt 12.1-8; Mc 2.23-28

61Aconteceu que, num sábado, passando Jesus pelas searas, os seus discípulos colhiam e comiam espigas,

6.1
Dt 23.25
debulhando-as com as mãos. 2E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito aos sábados? 3Respondeu-lhes Jesus: Nem ao menos tendes lido o que fez Davi,
6.3
1Sm 21.1-6
quando teve fome, ele e seus companheiros? 4Como entrou na casa de Deus, tomou, e comeu os pães da proposição, e os deu aos que com ele estavam, pães que não lhes era lícito comer, mas exclusivamente aos sacerdotes?
6.4
Lv 24.9
5E acrescentou-lhes: O Filho do Homem é senhor do sábado.

O homem da mão ressequida

Mt 12.9-14; Mc 3.1-6

6Sucedeu que, em outro sábado, entrou ele na sinagoga e ensinava. Ora, achava-se ali um homem cuja mão direita estava ressequida. 7Os escribas e os fariseus observavam-no, procurando ver se ele faria uma cura no sábado, a fim de acharem de que o acusar. 8Mas ele, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão ressequida: Levanta-te e vem para o meio; e ele, levantando-se, permaneceu de pé. 9Então, disse Jesus a eles: Que vos parece? É lícito, no sábado, fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou deixá-la perecer? 10E, fitando todos ao redor, disse ao homem: Estende a mão. Ele assim o fez, e a mão lhe foi restaurada. 11Mas eles se encheram de furor e discutiam entre si quanto ao que fariam a Jesus.

A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes

Mt 10.1-4; Mc 3.13-19

12Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. 13E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos: 14Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.

Jesus cura muitos enfermos

Mt 4.23-25

17E, descendo com eles, parou numa planura onde se encontravam muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidom, 18que vieram para o ouvirem e serem curados de suas enfermidades; também os atormentados por espíritos imundos eram curados. 19E todos da multidão procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava todos.

As bem-aventuranças

Mt 5.1-12

20Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes:

Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

21Bem-aventurados vós, os que agora tendes fome, porque sereis fartos.

Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.

22Bem-aventurados

6.22
1Pe 4.14
sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem. 23Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu; pois dessa forma procederam seus pais com os profetas.
6.23
2Cr 36.16
At 7.52

Os ais

24Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação.

25Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque vireis a ter fome.

Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar.

26Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas.

Da vingança

Mt 5.38-42

27Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; 28bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. 29Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica; 30dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda. 31Como quereis

6.31
Mt 7.12
que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.

Do amor ao próximo

Mt 5.43-48

32Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. 33Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. 34E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. 35Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.

O juízo temerário é proibido

Mt 7.1-5

37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; 38dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.

A parábola do cego que guia a outro cego

39Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?

6.39
Mt 15.14
40O discípulo
6.40
Mt 10.24
Jo 13.16
15.20
não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem-instruído será como o seu mestre. 41Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? 42Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
6.41-42
Mt 7.3-5

Árvores e seus frutos

Mt 12.33-35

43Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. 44Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas. 45O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.

6.43-45
Mt 12.33-37

Os dois fundamentos

Mt 7.24-27

46Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? 47Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. 48É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não a pôde abalar, por ter sido bem-construída. 49Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces, e, arrojando-se o rio contra ela, logo desabou; e aconteceu que foi grande a ruína daquela casa.

7

A cura do servo de um centurião

Mt 8.5-13

71Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. 3Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. 4Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; 5porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. 6Então, Jesus foi com eles. E, já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. 7Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 8Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 9Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 10E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo.

A ressurreição do filho da viúva de Naim

11Em dia subsequente, dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e iam com ele os seus discípulos e numerosa multidão. 12Como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela. 13Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! 14Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! 15Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe. 16Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo. 17Esta notícia a respeito dele divulgou-se por toda a Judeia e por toda a circunvizinhança.

João envia mensageiros a Jesus

Mt 11.2-6

18Todas estas coisas foram referidas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles, 19enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? 20Quando os homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou-nos para te perguntar: És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro? 21Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. 22Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem,

7.22
Is 35.5-6
os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres,
7.22
Is 61.1
anuncia-se-lhes o evangelho. 23E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.

Jesus dá testemunho de João

Mt 11.7-19

24Tendo-se retirado os mensageiros, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 25Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo assistem nos palácios dos reis. 26Sim, que saístes a ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. 27Este é aquele de quem está escrito:

Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

7.27
Ml 3.1

28E eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele. 29Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; 30mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.
7.29-30
Mt 21.32
Lc 3.12

31A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? 32São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros:

Nós vos tocamos flauta, e não dançastes;

entoamos lamentações, e não chorastes.

33Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio! 34Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! 35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A pecadora que ungiu os pés de Jesus

36Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; 38e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento. 39Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. 40Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 41Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta. 42Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. 49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? 50Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

8

As mulheres que assistiam Jesus

81Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.

A parábola do semeador

Mt 13.1-9; Mc 4.1-9

4Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola: 5Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

Mt 13.10-23; Mc 4.10-20

9E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam;

8.10
Is 6.9-10
e, ouvindo, não entendam. 11Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. 12A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. 13A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. 14A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. 15A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.

A parábola da candeia

Mc 4.21-25

16Ninguém, depois de acender

8.16
Mt 5.15
Lc 11.33
uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz. 17Nada há oculto,
8.17
Mt 10.26
Lc 12.2
que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado. 18Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará;
8.18
Mt 25.29
Lc 19.26
e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.

A família de Jesus

Mt 12.46-50; Mc 3.31-35

19Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se por causa da concorrência de povo. 20E lhe comunicaram: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te. 21Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.

Jesus acalma uma tempestade

Mt 8.23-27; Mc 4.35-41

22Aconteceu que, num daqueles dias, entrou ele num barco em companhia dos seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra margem do lago; e partiram. 23Enquanto navegavam, ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar. 24Chegando-se a ele, despertaram-no dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Despertando-se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança. 25Então, lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?

A cura do endemoninhado geraseno

Mt 8.28-33; Mc 5.1-14

26Então, rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galileia. 27Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros. 28E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes. 29Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto. 30Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios. 31Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo. 32Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu. 33Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou. 34Os porqueiros, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.

Os gerasenos rejeitam Jesus

Mt 8.34; Mc 5.14b-20

35Então, saiu o povo para ver o que se passara, e foram ter com Jesus. De fato, acharam o homem de quem saíram os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror. 36E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como fora salvo o endemoninhado. 37Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou. 38O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: 39Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti. Então, foi ele anunciando por toda a cidade todas as coisas que Jesus lhe tinha feito.

O pedido de Jairo

Mt 9.18-19; Mc 5.21-24

40Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando. 41Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa. 42Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte.

A cura de uma mulher enferma

Mt 9.20-22; Mc 5.24b-34

Enquanto ele ia, as multidões o apertavam. 43Certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia, e a quem ninguém tinha podido curar [e que gastara com os médicos todos os seus haveres], 44veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste, e logo se lhe estancou a hemorragia. 45Mas Jesus disse: Quem me tocou? Como todos negassem, Pedro [com seus companheiros] disse: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem [e dizes: Quem me tocou?]. 46Contudo, Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder. 47Vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou, à vista de todo o povo, a causa por que lhe havia tocado e como imediatamente fora curada. 48Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.

A ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-25; Mc 5.35-43

49Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. 50Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva. 51Tendo chegado à casa, a ninguém permitiu que entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e bem assim o pai e a mãe da menina. 52E todos choravam e a pranteavam. Mas ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme. 53E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta. 54Entretanto, ele, tomando-a pela mão, disse-lhe, em voz alta: Menina, levanta-te! 55Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer. 56Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.

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