Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
3

A pregação de João Batista

Mt 3.1-10; Mc 1.2-5

31No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Itureia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, 2sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 3Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados, 4conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías:

Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

5Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados;

6e toda carne verá a salvação de Deus.

3.4-6
Is 40.3-5

7Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras,

3.7
Mt 23.33
quem vos induziu a fugir da ira vindoura? 8Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão;
3.8
Jo 8.33
porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 9E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore,
3.9
Mt 7.19
pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

10Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? 11Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. 12Foram também publicanos

3.12
Lc 7.29
para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? 13Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado. 14Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo.

João dá testemunho de Jesus

Mt 3.11-12; Mc 1.7-8; Jo 1.19-27

15Estando o povo na expectativa, e discorrendo todos no seu íntimo a respeito de João, se não seria ele, porventura, o próprio Cristo, 16disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com3.16 com; ou em água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 17A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível.

18Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo; 19mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito, 20acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere.

3.19-20
Mt 14.3-4
Mc 6.17-18

O batismo de Jesus

Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Jo 1.32-34

21E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, 22e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado,

3.22
Mt 12.18
17.5
Mc 9.7
Lc 9.35
em ti me comprazo.
3.22
Is 42.1

A genealogia de Jesus Cristo

Mt 1.1-16

23Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli; 24Eli, filho de Matate, Matate, filho de Levi, Levi, filho de Melqui, este, filho de Janai, filho de José; 25José, filho de Matatias, Matatias, filho de Amós, Amós, filho de Naum, este, filho de Esli, filho de Nagai; 26Nagai, filho de Maate, Maate, filho de Matatias, Matatias, filho de Semei, este, filho de José, filho de Jodá; 27Jodá, filho de Joanã, Joanã, filho de Resa, Resa, filho de Zorobabel, este, de Salatiel, filho de Neri; 28Neri, filho de Melqui, Melqui, filho de Adi, Adi, filho de Cosã, este, de Elmadã, filho de Er; 29Er, filho de Josué, Josué, filho de Eliézer, Eliézer, filho de Jorim, este, de Matate, filho de Levi; 30Levi, filho de Simeão, Simeão, filho de Judá, Judá, filho de José, este, filho de Jonã, filho de Eliaquim; 31Eliaquim, filho de Meleá, Meleá, filho de Mená, Mená, filho de Matatá, este, filho de Natã, filho de Davi; 32Davi, filho de Jessé, Jessé, filho de Obede, Obede, filho de Boaz, este, filho de Salá, filho de Naassom; 33Naassom, filho de Aminadabe, Aminadabe, filho de Admim, Admim, filho de Arni, Arni, filho de Esrom, este, filho de Perez, filho de Judá; 34Judá, filho de Jacó, Jacó, filho de Isaque, Isaque, filho de Abraão, este, filho de Tera, filho de Naor; 35Naor, filho de Serugue, Serugue, filho de Ragaú, Ragaú, filho de Faleque, este, filho de Éber, filho de Salá; 36Salá, filho de Cainã, Cainã, filho de Arfaxade, Arfaxade, filho de Sem, este, filho de Noé, filho de Lameque; 37Lameque, filho de Metusalém, Metusalém, filho de Enoque, Enoque, filho de Jarede, este, filho de Maalalel, filho de Cainã; 38Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.

4

A tentação de Jesus

Mt 4.1-11; Mc 1.12-13

41Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, 2durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome. 3Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão. 4Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito:

Não só de pão viverá o homem.

4.4
Dt 8.3

5E, elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo. 6Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. 7Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua. 8Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito:

Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto.

4.8
Dt 6.13

9Então, o levou a Jerusalém, e o colocou sobre o pináculo do templo, e disse: Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo; 10porque está escrito:

Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem;

4.10
Sl 91.11

11e:

Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.

4.11
Sl 91.12

12Respondeu-lhe Jesus: Dito está:

Não tentarás o Senhor, teu Deus.

4.12
Dt 6.16

13Passadas que foram as tentações de toda sorte, apartou-se dele o diabo, até momento oportuno.

Jesus volta para a Galileia e principia a sua missão

Mt 4.12-17; Mc 1.14-15

14Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galileia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. 15E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos.

Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus

Mt 13.54-58; Mc 6.1-4

16Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. 17Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:

18O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,

19e apregoar o ano aceitável do Senhor.

4.18-19
Is 61.1-2

20Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. 21Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. 22Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios, e perguntavam: Não é este o filho de José? 23Disse-lhes Jesus: Sem dúvida, citar-me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; tudo o que ouvimos ter-se dado em Cafarnaum, faze-o também aqui na tua terra. 24E prosseguiu: De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem-recebido na sua própria terra.
4.24
Jo 4.44
25Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou
4.25
1Rs 17.1
por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; 26e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta
4.26
1Rs 17.8-16
de Sidom. 27Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro.
4.27
2Rs 5.1-14
28Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. 29E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. 30Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se.

A cura de um endemoninhado em Cafarnaum

Mc 1.21-28

31E desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado. 32E muito se maravilhavam da sua doutrina,

4.32
Mt 7.28-29
porque a sua palavra era com autoridade. 33Achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio imundo, e bradou em alta voz: 34Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! 35Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai deste homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal. 36Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder, ordena aos espíritos imundos, e eles saem? 37E a sua fama corria por todos os lugares da circunvizinhança.

A cura da sogra de Pedro

Mt 8.14-15; Mc 1.29-31

38Deixando ele a sinagoga, foi para a casa de Simão. Ora, a sogra de Simão achava-se enferma, com febre muito alta; e rogaram-lhe por ela. 39Inclinando-se ele para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou; e logo se levantou, passando a servi-los.

Muitas outras curas

Mt 8.16-17; Mc 1.32-34

40Ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias lhos traziam; e ele os curava, impondo as mãos sobre cada um. 41Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus! Ele, porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo.

Jesus vai a um lugar deserto

Mc 1.35-39

42Sendo dia, saiu e foi para um lugar deserto; as multidões o procuravam, e foram até junto dele, e instavam para que não os deixasse. 43Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado. 44E pregava nas sinagogas da Judeia.

4.44
Mt 4.23
9.35

5

A pesca maravilhosa

Mt 4.18-22; Mc 1.16-20

51Aconteceu que, ao apertá-lo a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes. 3Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco as multidões.

5.1-3
Mt 13.1-2
Mc 3.9-10
4.1
4Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. 5Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. 6Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. 7Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique. 8Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. 9Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros, 10bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. 11E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.
5.1-11
Jo 21.1-14

A cura de um leproso

Mt 8.1-4; Mc 1.40-45

12Aconteceu que, estando ele numa das cidades, veio à sua presença um homem coberto de lepra; ao ver a Jesus, prostrando-se com o rosto em terra, suplicou-lhe: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. 13E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra. 14Ordenou-lhe Jesus que a ninguém o dissesse, mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote e oferece,

5.14
Lv 14.1-32
pela tua purificação, o sacrifício que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. 15Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.

A cura de um paralítico em Cafarnaum

Mt 9.1-8; Mc 2.1-12

17Ora, aconteceu que, num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar. 18Vieram, então, uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. 19E, não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados. 21E os escribas e fariseus arrazoavam, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 22Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração? 23Qual é mais fácil, dizer: Estão perdoados os teus pecados ou: Levanta-te e anda? 24Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa. 25Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus. 26Todos ficaram atônitos, davam glória a Deus e, possuídos de temor, diziam: Hoje, vimos prodígios.

A vocação de Levi

Mt 9.9; Mc 2.13-14

27Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me! 28Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu.

Jesus come com pecadores

Mt 9.10-13; Mc 2.15-17

29Então, lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa. 30Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?

5.29-30
Lc 15.1-2
31Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. 32Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.

Do jejum

Mt 9.14-17; Mc 2.18-22

33Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os dos fariseus frequentemente jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem. 34Jesus, porém, lhes disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo? 35Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão. 36Também lhes disse uma parábola: Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha; pois rasgará a nova, e o remendo da nova não se ajustará à velha. 37E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. 38Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos [e ambos se conservam]. 39E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: O velho é excelente.

Utilizamos cookies de acordo com o nossa Política de Privacidade, respeitando todos as suas informações pessoais.[ocultar]