Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
22

O plano para tirar a vida de Jesus

Mt 26.1-5; Mc 14.1-2

221Estava próxima a Festa dos Pães Asmos, chamada Páscoa. 2Preocupavam-se os principais sacerdotes e os escribas em como tirar a vida a Jesus; porque temiam o povo.

O pacto da traição

Mt 26.14-16; Mc 14.10-11

3Ora, Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era um dos doze. 4Este foi entender-se com os principais sacerdotes e os capitães sobre como lhes entregaria a Jesus; 5então, eles se alegraram e combinaram em lhe dar dinheiro. 6Judas concordou e buscava uma boa ocasião de lho entregar sem tumulto.

Os discípulos preparam a Páscoa

Mt 26.17-19; Mc 14.12-16

7Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos,

22.7
Êx 12.1-27
em que importava comemorar a Páscoa. 8Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos. 9Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? 10Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar 11e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 12Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado; ali fazei os preparativos. 13E, indo, tudo encontraram como Jesus lhes dissera e prepararam a Páscoa.

A última Páscoa

14Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. 15E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento. 16Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus. 17E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós; 18pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.

A Ceia do Senhor

Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; 1Co 11.23-25

19E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. 20Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança

22.20
Jr 31.31-34
no meu sangue
22.20
Êx 24.6-8
derramado em favor de vós. 21Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa. 22Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado,
22.22
Sl 41.9
mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído! 23Então, começaram a indagar entre si quem seria, dentre eles, o que estava para fazer isto.

Seja o maior como o menor

24Suscitaram também entre si uma discussão

22.24
Mt 18.1
Mc 9.34
Lc 9.46
sobre qual deles parecia ser o maior. 25Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. 26Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. 27Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.
22.27
Jo 13.12-15
22.24-27
Mt 20.24-28
Mc 10.41-45
28Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. 29Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, 30para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar
22.30
Mt 19.28
as doze tribos de Israel.

Pedro é avisado

Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Jo 13.36-38

31Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! 32Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. 33Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. 34Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.

As duas espadas

35A seguir, Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa,

22.35
Mt 10.9-10
Mc 6.8-9
Lc 9.3
10.4
sem alforje e sem sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Nada, disseram eles. 36Então, lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma. 37Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito:

Ele foi contado com os malfeitores.

22.37
Is 53.12

Porque o que a mim se refere está sendo cumprido. 38Então, lhe disseram: Senhor, eis aqui duas espadas! Respondeu-lhes: Basta!

Jesus no Getsêmani

Mt 26.36-46; Mc 14.32-42

39E, saindo, foi, como de costume, para o monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam. 40Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis em tentação. 41Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos, orava, 42dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua. 43[Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. 44E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.] 45Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo de tristeza, 46e disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.

Jesus é preso

Mt 26.47-56; Mc 14.43-50; Jo 18.1-11

47Falava ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas, que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para o beijar. 48Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem? 49Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia suceder, perguntaram: Senhor, feriremos à espada? 50Um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita. 51Mas Jesus acudiu, dizendo: Deixai, basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou. 52Então, dirigindo-se Jesus aos principais sacerdotes, capitães do templo e anciãos que vieram prendê-lo, disse: Saístes com espadas e porretes como para deter um salteador? 53Diariamente, estando eu convosco no templo,

22.53
Lc 19.47
21.37
não pusestes as mãos sobre mim. Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas.

Pedro nega a Jesus

Mt 26.69-75; Mc 14.66-72; Jo 18.15-18,25-27

54Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. 55E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles. 56Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. 57Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. 58Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. 59E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. 60Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. 61Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. 62Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.

Os guardas zombam de Jesus

63Os que detinham Jesus zombavam dele, davam-lhe pancadas e, 64vendando-lhe os olhos, diziam: Profetiza-nos: quem é que te bateu? 65E muitas outras coisas diziam contra ele, blasfemando.

Jesus perante o Sinédrio

Mt 26.57-68; Mc 14.53-65

66Logo que amanheceu, reuniu-se a assembleia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziram ao Sinédrio, onde lhe disseram: 67Se tu és o Cristo, dize-nos. Então, Jesus lhes respondeu: Se vo-lo disser, não o acreditareis; 68também, se vos perguntar, de nenhum modo me respondereis. 69Desde agora, estará sentado o Filho do Homem à direita do Todo-Poderoso Deus. 70Então, disseram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? E ele lhes respondeu: Vós dizeis que eu sou. 71Clamaram, pois: Que necessidade mais temos de testemunho? Porque nós mesmos o ouvimos da sua própria boca.

23

Jesus perante Pilatos

Mt 27.1-2,11-14; Mc 15.1-5; Jo 18.28-38

231Levantando-se toda a assembleia, levaram Jesus a Pilatos. 2E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei. 3Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes. 4Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum. 5Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui. 6Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu. 7Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu.

Jesus perante Herodes

8Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. 9E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia. 10Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. 11Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos. 12Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro.

Jesus outra vez perante Pilatos

Mt 27.15-26; Mc 15.6-15; Jo 18.39—19.16

13Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo, 14disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. 15Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte. 16Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei. 17[E era-lhe forçoso soltar-lhes um detento por ocasião da festa.] 18Toda a multidão, porém, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabás! 19Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio. 20Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda. 21Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o! 22Então, pela terceira vez, lhes perguntou: Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte; portanto, depois de o castigar, soltá-lo-ei. 23Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu. 24Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido. 25Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles.

Simão leva a cruz de Jesus

Mt 27.32; Mc 15.21

26E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.

Jesus rumo ao Calvário

27Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. 28Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram, nem amamentaram. 30Nesses dias, dirão

23.30
Os 10.8
Ap 6.16
aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! 31Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?

32E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.

A crucificação

Mt 27.33-44; Mc 15.22-32; Jo 19.17-27

33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,23.33 Calvário; no original, caveira ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda. 34Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes

23.34
Sl 22.18
dele, lançaram sortes. 35O povo estava ali e a tudo observava. Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido. 36Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo: 37Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. 38Também sobre ele estava esta epígrafe [em letras gregas, romanas e hebraicas]: Este é o Rei dos Judeus.

Os dois malfeitores

39Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. 40Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? 41Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. 42E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. 43Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

A morte de Jesus

Mt 27.45-56; Mc 15.33-41; Jo 19.28-30

44Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. 45E rasgou-se pelo meio o véu

23.45
Êx 26.31-33
do santuário. 46Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!
23.46
Sl 31.5
E, dito isto, expirou. 47Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo. 48E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos. 49Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres
23.49
Lc 8.2-3
que o tinham seguido desde a Galileia permaneceram a contemplar de longe estas coisas.

O sepultamento de Jesus

Mt 27.57-61; Mc 15.42-47; Jo 19.38-42

50E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo 51(que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros), natural de Arimateia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus, 52tendo procurado a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus, 53e, tirando-o do madeiro, envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado. 54Era o dia da preparação, e começava o sábado. 55As mulheres que tinham vindo da Galileia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. 56Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos.

E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento.

23.56
Êx 20.10
Dt 5.14

24

A ressurreição de Jesus

Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Jo 20.1-10

241Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado. 2E encontraram a pedra removida do sepulcro; 3mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes. 5Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? 6Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, 7quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.

24.6-7
Mt 16.21
17.22-23
20.18-19
Mc 8.31
9.31
10.33-34
Lc 9.22
18.31-33
8Então, se lembraram das suas palavras. 9E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam. 10Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos. 11Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas. 12Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido.

Os discípulos no caminho de Emaús

Mc 16.12-13

13Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 14E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. 15Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. 16Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. 17Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. 18Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? 19Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, 20e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. 22É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; 23e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. 24De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. 25Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! 26Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? 27E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.

28Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. 29Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. 30E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; 31então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. 32E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? 33E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, 34os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão! 35Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.

Jesus aparece aos discípulos

Jo 20.19-23

36Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! 37Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. 38Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? 39Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. 40Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. 43E ele comeu na presença deles.

Jesus explica as Escrituras

44A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer

24.46
Is 53.1-12
e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia
24.46
Os 6.2
47e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. 48Vós sois testemunhas destas coisas. 49Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai;
24.49
At 1.4
permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.

A ascensão de Jesus

Mc 16.19-20

50Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. 51Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu. 52Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; 53e estavam sempre no templo, louvando a Deus.

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