Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
19

Zaqueu, o publicano

191Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. 2Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, 3procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura. 4Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar. 5Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. 6Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria. 7Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador. 8Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. 9Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. 10Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

A parábola das dez minas

11Ouvindo eles estas coisas, Jesus propôs uma parábola, visto estar perto de Jerusalém e lhes parecer que o reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente. 12Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar. 13Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte. 14Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. 15Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido. 16Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. 17Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. 18Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. 19A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. 20Veio, então, outro, dizendo: Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço. 21Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. 22Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; 23por que não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros. 24E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. 25Eles ponderaram: Senhor, ele já tem dez. 26Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á;

19.26
Mt 13.12
Mc 4.25
Lc 8.18
mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado. 27Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Jo 12.12-19

28E, dito isto, prosseguia Jesus subindo para Jerusalém. 29Ora, aconteceu que, ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, 30dizendo-lhes: Ide à aldeia fronteira e ali, ao entrardes, achareis preso um jumentinho que jamais homem algum montou; soltai-o e trazei-o. 31Se alguém vos perguntar: Por que o soltais? Respondereis assim: Porque o Senhor precisa dele. 32E, indo os que foram mandados, acharam segundo lhes dissera Jesus. 33Quando eles estavam soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que o soltais? 34Responderam: Porque o Senhor precisa dele. 35Então, o trouxeram e, pondo as suas vestes sobre ele, ajudaram Jesus a montar. 36Indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. 37E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, 38dizendo: Bendito

19.38
Sl 118.26
é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas! 39Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos! 40Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.

Jesus chora à vista de Jerusalém

41Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou 42e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. 43Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; 44e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação.

A purificação do templo

Mt 21.12-17; Mc 11.15-19

45Depois, entrando no templo, expulsou os que ali vendiam, 46dizendo-lhes: Está escrito:

A minha casa será casa de oração.

19.46
Is 56.7

Mas vós a transformastes em covil de salteadores.
19.46
Jr 7.11

O Mestre ensina no templo

47Diariamente, Jesus ensinava no templo;

19.47
Lc 21.37
mas os principais sacerdotes, os escribas e os maiorais do povo procuravam eliminá-lo; 48contudo, não atinavam em como fazê-lo, porque todo o povo, ao ouvi-lo, ficava dominado por ele.

20

A autoridade de Jesus e o batismo de João

Mt 21.23-27; Mc 11.27-33

201Aconteceu que, num daqueles dias, estando Jesus a ensinar o povo no templo e a evangelizar, sobrevieram os principais sacerdotes e os escribas, juntamente com os anciãos, 2e o arguiram nestes termos: Dize-nos: com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu esta autoridade? 3Respondeu-lhes: Também eu vos farei uma pergunta; dizei-me: 4o batismo de João era dos céus ou dos homens? 5Então, eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não acreditastes nele? 6Mas, se dissermos: dos homens, o povo todo nos apedrejará; porque está convicto de ser João um profeta. 7Por fim, responderam que não sabiam. 8Então, Jesus lhes replicou: Pois nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

A parábola dos lavradores maus

Mt 21.33-46; Mc 12.1-12

9A seguir, passou Jesus a proferir ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha,

20.9
Is 5.1-2
arrendou-a a lavradores e ausentou-se do país por prazo considerável. 10No devido tempo, mandou um servo aos lavradores para que lhe dessem do fruto da vinha; os lavradores, porém, depois de o espancarem, o despacharam vazio. 11Em vista disso, enviou-lhes outro servo; mas eles também a este espancaram e, depois de o ultrajarem, o despacharam vazio. 12Mandou ainda um terceiro; também a este, depois de o ferirem, expulsaram. 13Então, disse o dono da vinha: Que farei? Enviarei o meu filho amado; talvez o respeitem. 14Vendo-o, porém, os lavradores, arrazoavam entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança venha a ser nossa. 15E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o dono da vinha? 16Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça! 17Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito:

A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular?

20.17
Sl 118.22

18Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.

A questão do tributo

Mt 22.15-22; Mc 12.13-17

19Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos,

20.19
Mt 21.45-46
Mc 12.12
pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo. 20Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador. 21Então, o consultaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade; 22é lícito pagar tributo a César ou não? 23Mas Jesus, percebendo-lhes o ardil, respondeu: 24Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus: 25Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. 26Não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se.

Os saduceus e a ressurreição

Mt 22.23-33; Mc 12.18-27

27Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição,

20.27
At 23.8
28perguntaram-lhe: Mestre, Moisés nos deixou escrito
20.28
Dt 25.5
que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido. 29Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos; 30o segundo e o terceiro também desposaram a viúva; 31igualmente os sete não tiveram filhos e morreram. 32Por fim, morreu também a mulher. 33Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram. 34Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; 35mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. 36Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. 37E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor
20.37
Êx 3.6
o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. 38Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem. 39Então, disseram alguns dos escribas: Mestre, respondeste bem! 40Dali por diante, não ousaram mais interrogá-lo.

O Cristo, filho de Davi

Mt 22.41-46; Mc 12.35-37

41Mas Jesus lhes perguntou: Como podem dizer que o Cristo é filho de Davi? 42Visto como o próprio Davi afirma no livro dos Salmos:

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,

43até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.

20.42-43
Sl 110.1

44Assim, pois, Davi lhe chama Senhor, e como pode ser ele seu filho?

Jesus censura os escribas

Mt 23.1-12; Mc 12.38-40

45Ouvindo-o todo o povo, recomendou Jesus a seus discípulos: 46Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e muito apreciam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; 47os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.

21

A oferta da viúva pobre

Mc 12.41-44

211Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. 2Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; 3e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. 4Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento.

A destruição do templo

Mt 24.1-2; Mc 13.1-2

5Falavam alguns a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de dádivas; 6então, disse Jesus: Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.

O princípio das dores

Mt 24.3-14; Mc 13.3-13

7Perguntaram-lhe: Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir? 8Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais. 9Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas, mas o fim não será logo.

10Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; 11haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu. 12Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome; 13e isto vos acontecerá para que deis testemunho. 14Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; 15porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem. 16E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós. 17De todos sereis odiados por causa do meu nome. 18Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.

Jerusalém sitiada

Mt 24.15-28; Mc 13.14-23

20Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. 21Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. 22Porque estes dias são de vingança,

21.22
Os 9.7
para se cumprir tudo o que está escrito. 23Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. 24Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.

A vinda do Filho do Homem

Mt 24.29-31; Mc 13.24-27

25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas;

21.25
Is 13.10
Ez 32.7
Jl 2.31
Ap 6.12-13
sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; 26haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. 27Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem,
21.27
Dn 7.13
Ap 1.7
com poder e grande glória. 28Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.

A parábola da figueira. Exortação à vigilância

Mt 24.32-44; Mc 13.28-37

29Ainda lhes propôs uma parábola, dizendo: Vede a figueira e todas as árvores. 30Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo. 31Assim também, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. 32Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. 33Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.

34Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. 35Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra. 36Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.

21.34-36
Lc 12.35-40

O povo vai ter com Jesus para o ouvir

37Jesus ensinava todos os dias no templo,

21.37
Lc 19.47
mas à noite, saindo, ia pousar no monte chamado das Oliveiras. 38E todo o povo madrugava para ir ter com ele no templo, a fim de ouvi-lo.