Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
18

A parábola do juiz iníquo

181Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer: 2Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. 3Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário. 4Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum; 5todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me. 6Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. 7Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? 8Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?

A parábola do fariseu e o publicano

9Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta

18.14
Mt 23.12
Lc 14.11
será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.

Jesus abençoa as crianças

Mt 19.13-15; Mc 10.13-16

15Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam. 16Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. 17Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.

O jovem rico

Mt 19.16-22; Mc 10.17-22

18Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 19Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus. 20Sabes os mandamentos: Não adulterarás

18.20
Êx 20.14
Dt 5.18
, não matarás
18.20
Êx 20.13
Dt 5.17
, não furtarás
18.20
Êx 20.15
Dt 5.19
, não dirás falso testemunho
18.20
Êx 20.16
Dt 5.20
, honra a teu pai e a tua mãe.
18.20
Êx 20.12
Dt 5.16
21Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude. 22Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. 23Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.

O perigo das riquezas

Mt 19.23-30; Mc 10.23-31

24E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 25Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 26E os que ouviram disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 27Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus. 28E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos. 29Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, 30que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.

Jesus outra vez prediz sua morte e ressurreição

Mt 20.17-19; Mc 10.32-34

31Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem; 32pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; 33e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. 34Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia.

A cura do cego de Jericó

Mt 20.29-34; Mc 10.46-52

35Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. 38Então, ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 39E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse; ele, porém, cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 40Então, parou Jesus e mandou que lho trouxessem. E, tendo ele chegado, perguntou-lhe: 41Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu torne a ver. 42Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. 43Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

19

Zaqueu, o publicano

191Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. 2Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, 3procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura. 4Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar. 5Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. 6Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria. 7Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador. 8Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. 9Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. 10Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

A parábola das dez minas

11Ouvindo eles estas coisas, Jesus propôs uma parábola, visto estar perto de Jerusalém e lhes parecer que o reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente. 12Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar. 13Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte. 14Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. 15Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido. 16Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. 17Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. 18Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. 19A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. 20Veio, então, outro, dizendo: Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço. 21Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. 22Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; 23por que não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros. 24E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. 25Eles ponderaram: Senhor, ele já tem dez. 26Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á;

19.26
Mt 13.12
Mc 4.25
Lc 8.18
mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado. 27Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Jo 12.12-19

28E, dito isto, prosseguia Jesus subindo para Jerusalém. 29Ora, aconteceu que, ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, 30dizendo-lhes: Ide à aldeia fronteira e ali, ao entrardes, achareis preso um jumentinho que jamais homem algum montou; soltai-o e trazei-o. 31Se alguém vos perguntar: Por que o soltais? Respondereis assim: Porque o Senhor precisa dele. 32E, indo os que foram mandados, acharam segundo lhes dissera Jesus. 33Quando eles estavam soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que o soltais? 34Responderam: Porque o Senhor precisa dele. 35Então, o trouxeram e, pondo as suas vestes sobre ele, ajudaram Jesus a montar. 36Indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. 37E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, 38dizendo: Bendito

19.38
Sl 118.26
é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas! 39Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos! 40Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.

Jesus chora à vista de Jerusalém

41Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou 42e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. 43Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; 44e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação.

A purificação do templo

Mt 21.12-17; Mc 11.15-19

45Depois, entrando no templo, expulsou os que ali vendiam, 46dizendo-lhes: Está escrito:

A minha casa será casa de oração.

19.46
Is 56.7

Mas vós a transformastes em covil de salteadores.
19.46
Jr 7.11

O Mestre ensina no templo

47Diariamente, Jesus ensinava no templo;

19.47
Lc 21.37
mas os principais sacerdotes, os escribas e os maiorais do povo procuravam eliminá-lo; 48contudo, não atinavam em como fazê-lo, porque todo o povo, ao ouvi-lo, ficava dominado por ele.

20

A autoridade de Jesus e o batismo de João

Mt 21.23-27; Mc 11.27-33

201Aconteceu que, num daqueles dias, estando Jesus a ensinar o povo no templo e a evangelizar, sobrevieram os principais sacerdotes e os escribas, juntamente com os anciãos, 2e o arguiram nestes termos: Dize-nos: com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu esta autoridade? 3Respondeu-lhes: Também eu vos farei uma pergunta; dizei-me: 4o batismo de João era dos céus ou dos homens? 5Então, eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não acreditastes nele? 6Mas, se dissermos: dos homens, o povo todo nos apedrejará; porque está convicto de ser João um profeta. 7Por fim, responderam que não sabiam. 8Então, Jesus lhes replicou: Pois nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

A parábola dos lavradores maus

Mt 21.33-46; Mc 12.1-12

9A seguir, passou Jesus a proferir ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha,

20.9
Is 5.1-2
arrendou-a a lavradores e ausentou-se do país por prazo considerável. 10No devido tempo, mandou um servo aos lavradores para que lhe dessem do fruto da vinha; os lavradores, porém, depois de o espancarem, o despacharam vazio. 11Em vista disso, enviou-lhes outro servo; mas eles também a este espancaram e, depois de o ultrajarem, o despacharam vazio. 12Mandou ainda um terceiro; também a este, depois de o ferirem, expulsaram. 13Então, disse o dono da vinha: Que farei? Enviarei o meu filho amado; talvez o respeitem. 14Vendo-o, porém, os lavradores, arrazoavam entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança venha a ser nossa. 15E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o dono da vinha? 16Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça! 17Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito:

A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular?

20.17
Sl 118.22

18Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.

A questão do tributo

Mt 22.15-22; Mc 12.13-17

19Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos,

20.19
Mt 21.45-46
Mc 12.12
pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo. 20Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador. 21Então, o consultaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade; 22é lícito pagar tributo a César ou não? 23Mas Jesus, percebendo-lhes o ardil, respondeu: 24Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus: 25Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. 26Não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se.

Os saduceus e a ressurreição

Mt 22.23-33; Mc 12.18-27

27Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição,

20.27
At 23.8
28perguntaram-lhe: Mestre, Moisés nos deixou escrito
20.28
Dt 25.5
que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido. 29Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos; 30o segundo e o terceiro também desposaram a viúva; 31igualmente os sete não tiveram filhos e morreram. 32Por fim, morreu também a mulher. 33Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram. 34Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; 35mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. 36Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. 37E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor
20.37
Êx 3.6
o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. 38Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem. 39Então, disseram alguns dos escribas: Mestre, respondeste bem! 40Dali por diante, não ousaram mais interrogá-lo.

O Cristo, filho de Davi

Mt 22.41-46; Mc 12.35-37

41Mas Jesus lhes perguntou: Como podem dizer que o Cristo é filho de Davi? 42Visto como o próprio Davi afirma no livro dos Salmos:

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,

43até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.

20.42-43
Sl 110.1

44Assim, pois, Davi lhe chama Senhor, e como pode ser ele seu filho?

Jesus censura os escribas

Mt 23.1-12; Mc 12.38-40

45Ouvindo-o todo o povo, recomendou Jesus a seus discípulos: 46Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e muito apreciam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; 47os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.