Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)

A parábola do juiz iníquo

181Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer: 2Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. 3Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário. 4Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum; 5todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me. 6Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. 7Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? 8Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?

A parábola do fariseu e o publicano

9Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta

18.14
Mt 23.12
Lc 14.11
será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.

Jesus abençoa as crianças

Mt 19.13-15; Mc 10.13-16

15Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam. 16Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. 17Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.

O jovem rico

Mt 19.16-22; Mc 10.17-22

18Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 19Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus. 20Sabes os mandamentos: Não adulterarás

18.20
Êx 20.14
Dt 5.18
, não matarás
18.20
Êx 20.13
Dt 5.17
, não furtarás
18.20
Êx 20.15
Dt 5.19
, não dirás falso testemunho
18.20
Êx 20.16
Dt 5.20
, honra a teu pai e a tua mãe.
18.20
Êx 20.12
Dt 5.16
21Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude. 22Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. 23Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.

O perigo das riquezas

Mt 19.23-30; Mc 10.23-31

24E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 25Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 26E os que ouviram disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 27Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus. 28E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos. 29Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, 30que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.

Jesus outra vez prediz sua morte e ressurreição

Mt 20.17-19; Mc 10.32-34

31Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem; 32pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; 33e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. 34Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia.

A cura do cego de Jericó

Mt 20.29-34; Mc 10.46-52

35Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. 38Então, ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 39E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse; ele, porém, cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 40Então, parou Jesus e mandou que lho trouxessem. E, tendo ele chegado, perguntou-lhe: 41Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu torne a ver. 42Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. 43Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.