Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
15

Jesus recebe pecadores

151Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

15.1-2
Lc 5.29-30

A parábola da ovelha perdida

Mt 18.10-14

3Então, lhes propôs Jesus esta parábola: 4Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. 6E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. 7Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

A parábola da dracma perdida

8Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? 9E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. 10Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

A parábola do filho pródigo

11Continuou: Certo homem tinha dois filhos; 12o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. 13Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. 14Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. 15Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. 16Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. 17Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! 18Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. 20E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. 21E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; 23trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, 24porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.

25Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. 27E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. 28Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. 29Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; 30vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. 31Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. 32Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.

16

A parábola do administrador infiel

161Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens. 2Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela. 3Disse o administrador consigo mesmo: Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. 4Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas. 5Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão? 6Respondeu ele: Cem cados de azeite. Então, disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinquenta. 7Depois, perguntou a outro: Tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. 8E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz. 9E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos.

10Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? 12Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso? 13Ninguém pode servir

16.13
Mt 6.24
a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Jesus reprova os fariseus

14Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam. 15Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.

16A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. 17E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei.

Acerca do divórcio

Mt 19.9; Mc 10.10-12

18Quem repudiar sua mulher

16.18
Mt 5.32
1Co 7.10-11
e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.

O rico e o mendigo

19Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. 20Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. 23No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. 24Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. 26E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. 27Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, 28porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. 29Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. 30Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. 31Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

17

Os tropeços

Mt 18.6-7; Mc 9.42

171Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! 2Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.

Quantas vezes se deve perdoar a um irmão

Mt 18.21-22

3Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.

5Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. 6Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá.

7Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa? 8E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás? 9Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado? 10Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.

A cura de dez leprosos

11De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galileia. 12Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, 13que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! 14Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.

17.14
Lv 14.1-32
Aconteceu que, indo eles, foram purificados. 15Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, 16e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. 17Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? 18Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? 19E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

A vinda do reino de Deus

20Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. 21Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.

22A seguir, dirigiu-se aos discípulos: Virá o tempo em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23E vos dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Não vades nem os sigais; 24porque assim como o relâmpago, fuzilando, brilha de uma à outra extremidade do céu, assim será, no seu dia, o Filho do Homem. 25Mas importa que primeiro ele padeça muitas coisas e seja rejeitado por esta geração. 26Assim como foi nos dias de Noé,

17.26
Gn 6.5-8
será também nos dias do Filho do Homem: 27comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
17.27
Gn 7.6-24
e veio o dilúvio e destruiu a todos. 28O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; 29mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos.
17.28-29
Gn 18.20—19.25
30Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar. 31Naquele dia, quem estiver no eirado e tiver os seus bens em casa não desça para tirá-los; e de igual modo quem estiver no campo não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló.
17.32
Gn 19.26
33Quem quiser preservar a sua vida
17.33
Mt 10.39
16.25
Mc 8.35
Lc 9.24
Jo 12.25
perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará. 34Digo-vos que, naquela noite, dois estarão numa cama; um será tomado, e deixado o outro; 35duas mulheres estarão juntas moendo; uma será tomada, e deixada a outra. 36[Dois estarão no campo; um será tomado, e o outro, deixado.] 37Então, lhe perguntaram: Onde será isso, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão também os abutres.