Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
12

O fermento dos fariseus. Algumas admoestações

121Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus,

12.1
Mt 16.6
Mc 8.15
que é a hipocrisia. 2Nada há encoberto
12.2
Mc 4.22
Lc 8.17
que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido. 3Porque tudo o que dissestes às escuras será ouvido em plena luz; e o que dissestes aos ouvidos no interior da casa será proclamado dos eirados. 4Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. 5Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer. 6Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. 7Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais. 8Digo-vos ainda: todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos anjos de Deus; 9mas o que me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus. 10Todo aquele
12.10
Mt 12.31-32
Mc 3.28-29
que proferir uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão. 11Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. 12Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer.
12.11-12
Mt 10.17-20

Jesus reprova a avareza

13Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. 14Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? 15Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. 16E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. 17E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? 18E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. 19Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. 20Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.

A ansiosa solicitude pela vida

Mt 6.25-34

22A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. 23Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes. 24Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! 25Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?12.25 ao curso da sua vida; ou à sua estatura 26Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? 27Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão,

12.27
1Rs 10.4-7
2Cr 9.3-6
em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 28Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! 29Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações. 30Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas. 31Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas. 32Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino. 33Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, 34porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

A parábola do servo vigilante

35Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. 36Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. 38Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar. 39Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, [vigiaria e] não deixaria arrombar a sua casa. 40Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.

12.35-40
Mt 24.42-44
Mc 13.32-37
Lc 21.34-36
41Então, Pedro perguntou: Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos? 42Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 43Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 44Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 45Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis. 47Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. 48Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.

Jesus traz fogo e dissensão à terra

49Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder. 50Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado;

12.50
Mc 10.38-39
e quanto me angustio até que o mesmo se realize! 51Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão. 52Porque, daqui em diante, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. 53Estarão divididos:
12.53
Mq 7.6
pai contra filho, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra.

Os sinais dos tempos

54Disse também às multidões: Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva, e assim acontece; 55e, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece. 56Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?

12.54-56
Mt 12.38-42
Lc 11.29-32
57E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo? 58Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao meirinho e o meirinho te recolha à prisão. 59Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo.

13

A morte dos galileus e a queda da torre de Siloé

131Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. 2Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? 3Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 4Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

A parábola da figueira estéril

6Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. 7Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? 8Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. 9Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.

A cura de uma enferma

10Ora, ensinava Jesus no sábado numa das sinagogas. 11E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. 12Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; 13e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus. 14O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar;

13.14
Êx 20.9-10
Dt 5.13-14
vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado. 15Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? 16Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? 17Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que Jesus realizava.

A parábola do grão de mostarda

Mt 13.31-32; Mc 4.30-32

18E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? 19É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta; e cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos.

A parábola do fermento

Mt 13.33

20Disse mais: A que compararei o reino de Deus? 21É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

A porta estreita

22Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. 23E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? 24Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. 25Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. 26Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. 27Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniquidades.

13.27
Sl 6.8
28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora. 29Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus. 30Contudo, há últimos que virão a ser primeiros,
13.30
Mt 19.30
20.16
Mc 10.31
e primeiros que serão últimos.

A mensagem de Jesus a Herodes. O lamento sobre Jerusalém

Mt 23.37-39

31Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. 32Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. 33Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém. 34Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes! 35Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer:

Bendito o que vem em nome do Senhor!

13.35
Sl 118.26

14

A cura de um hidrópico

141Aconteceu que, ao entrar ele num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, eis que o estavam observando. 2Ora, diante dele se achava um homem hidrópico. 3Então, Jesus, dirigindo-se aos intérpretes da Lei e aos fariseus, perguntou-lhes: É ou não é lícito curar no sábado? 4Eles, porém, nada disseram. E, tomando-o, o curou e o despediu. 5A seguir, lhes perguntou: Qual de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado?

14.5
Mt 12.11
6A isto nada puderam responder.

Os primeiros lugares

7Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola: 8Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu, 9vindo aquele que te convidou e também a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás, envergonhado, ocupar o último lugar. 10Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas.

14.8-10
Pv 25.6-7
11Pois todo o que se exalta será humilhado;
14.11
Mt 23.12
Lc 18.14
e o que se humilha será exaltado. 12Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. 13Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; 14e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.

A parábola da grande ceia

15Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus. 16Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos. 17À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. 18Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. 19Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. 20E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. 21Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. 22Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. 23Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa. 24Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

O serviço de Cristo exige abnegação

25Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: 26Se alguém vem a mim e não aborrece14.26 aborrece; isto é, ama menos, Mt 10.37 a seu pai, e mãe,

14.26
Mt 10.37
e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27E qualquer que não tomar a sua cruz
14.27
Mt 10.38
16.24
Mc 8.34
Lc 9.23
e vier após mim não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, 30dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. 31Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. 33Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

Os discípulos, sal da terra

Mt 5.13; Mc 9.50

34O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor? 35Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.