Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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A oração de Jonas no ventre do peixe

21Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao Senhor, seu Deus, 2e disse:

Na minha angústia, clamei ao Senhor,

e ele me respondeu;

do ventre do abismo, gritei,

e tu me ouviste a voz.

3Pois me lançaste no profundo,

no coração dos mares,

e a corrente das águas me cercou;

todas as tuas ondas e as tuas vagas

passaram por cima de mim.

4Então, eu disse: lançado estou

de diante dos teus olhos;

tornarei, porventura, a ver

o teu santo templo?

5As águas me cercaram até à alma,

o abismo me rodeou;

e as algas se enrolaram na minha cabeça.

6Desci até aos fundamentos dos montes,

desci até à terra,

cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre;

contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida,

ó Senhor, meu Deus!

7Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma,

eu me lembrei do Senhor;

e subiu a ti a minha oração,

no teu santo templo.

8Os que se entregam à idolatria vã

abandonam aquele que lhes é misericordioso.

9Mas, com a voz do agradecimento,

eu te oferecerei sacrifício;

o que votei pagarei.

Ao Senhor pertence a salvação!

10Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.
3

Jonas prega em Nínive

31Veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo: 2Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo. 3Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor. Ora, Nínive era cidade mui importante diante de Deus e de três dias para percorrê-la. 4Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias,

3.4
Mt 12.41
Lc 11.32
e Nínive será subvertida.

O arrependimento dos ninivitas

5Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor. 6Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza. 7E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água; 8mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos. 9Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?

10Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez.

4

O descontentamento de Jonas

41Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. 2E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente,

4.2
Êx 34.6
e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. 3Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver. 4E disse o Senhor: É razoável essa tua ira? 5Então, Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da mesma, e ali fez uma enramada, e repousou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade.

A lição do Senhor

6Então, fez o Senhor Deus nascer uma planta, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu desconforto. Jonas, pois, se alegrou em extremo por causa da planta. 7Mas Deus, no dia seguinte, ao subir da alva, enviou um verme, o qual feriu a planta, e esta se secou. 8Em nascendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental; o sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que desfalecia, pelo que pediu para si a morte, dizendo: Melhor me é morrer do que viver! 9Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte. 10Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; 11e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?