Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
41

411Podes tu, com anzol, apanhar o crocodilo

41.1
Sl 74.14
104.26
Is 27.1

ou lhe travar a língua com uma corda?

2Podes meter-lhe no nariz uma vara de junco?

Ou furar-lhe as bochechas com um gancho?

3Acaso, te fará muitas súplicas?

Ou te falará palavras brandas?

4Fará ele acordo contigo?

Ou tomá-lo-ás por servo para sempre?

5Brincarás com ele, como se fora um passarinho?

Ou tê-lo-ás preso à correia para as tuas meninas?

6Acaso, os teus sócios negociam com ele?

Ou o repartirão entre os mercadores?

7Encher-lhe-ás a pele de arpões?

Ou a cabeça, de farpas?

8Põe a mão sobre ele,

lembra-te da peleja e nunca mais o intentarás.

9Eis que a gente se engana em sua esperança;

acaso, não será o homem derribado só em vê-lo?

10Ninguém há tão ousado, que se atreva a despertá-lo.

Quem é, pois, aquele que pode erguer-se diante de mim?

11Quem primeiro me deu a mim,

41.11
Rm 11.35
para que eu haja de retribuir-lhe?

Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.

12Não me calarei a respeito dos seus membros,

nem da sua grande força, nem da graça da sua compostura.

13Quem lhe abrirá as vestes do seu dorso?

Ou lhe penetrará a couraça dobrada?

14Quem abriria as portas do seu rosto?

Pois em roda dos seus dentes está o terror.

15As fileiras de suas escamas são o seu orgulho,

cada uma bem-encostada como por um selo que as ajusta.

16A tal ponto uma se chega à outra,

que entre elas não entra nem o ar.

17Umas às outras se ligam,

aderem entre si e não se podem separar.

18Cada um dos seus espirros faz resplandecer luz,

e os seus olhos são como as pestanas da alva.

19Da sua boca saem tochas;

faíscas de fogo saltam dela.

20Das suas narinas procede fumaça,

como de uma panela fervente ou de juncos que ardem.

21O seu hálito faz incender os carvões;

e da sua boca sai chama.

22No seu pescoço reside a força;

e diante dele salta o desespero.

23Suas partes carnudas são bem-pegadas entre si;

todas fundidas nele e imóveis.

24O seu coração é firme como uma pedra,

firme como a mó de baixo.

25Levantando-se ele, tremem os valentes;

quando irrompe, ficam como que fora de si.

26Se o golpe de espada o alcança, de nada vale,

nem de lança, de dardo ou de flecha.

27Para ele, o ferro é palha,

e o cobre, pau podre.

28A seta o não faz fugir;

as pedras das fundas se lhe tornam em restolho.

29Os porretes atirados são para ele como palha,

e ri-se do brandir da lança.

30Debaixo do ventre, há escamas pontiagudas;

arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar.

31As profundezas faz ferver, como uma panela;

torna o mar como caldeira de unguento.

32Após si, deixa um sulco luminoso;

o abismo parece ter-se encanecido.

33Na terra, não tem ele igual,

pois foi feito para nunca ter medo.

34Ele olha com desprezo tudo o que é alto;

é rei sobre todos os animais orgulhosos.

42

A confissão de Jó

421Então, respondeu Jó ao Senhor:

2Bem sei que tudo podes,

e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.

3Quem é aquele, como disseste,

que sem conhecimento encobre o conselho?

Na verdade, falei do que não entendia;

coisas maravilhosas demais para mim,

coisas que eu não conhecia.

4Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei;

eu te perguntarei, e tu me ensinarás.

5Eu te conhecia só de ouvir,

mas agora os meus olhos te veem.

6Por isso, me abomino

e me arrependo no pó e na cinza.

Deus repreende os três amigos de Jó

7Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó, o Senhor disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. 8Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós. O meu servo Jó orará por vós; porque dele aceitarei a intercessão, para que eu não vos trate segundo a vossa loucura; porque vós não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. 9Então, foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a oração de Jó.

Deus restaura a prosperidade de Jó

10Mudou o Senhor a sorte de Jó,

42.10
Jó 1.1-3
quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra. 11Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. 12Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13Também teve outros sete filhos e três filhas. 14Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque. 15Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. 16Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração. 17Então, morreu Jó, velho e farto de dias.