Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
4

Elifaz repreende a Jó

41Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

2Se intentar alguém falar-te, enfadar-te-ás?

Quem, todavia, poderá conter as palavras?

3Eis que tens ensinado a muitos

e tens fortalecido mãos fracas.

4As tuas palavras têm sustentado aos que tropeçavam,

e os joelhos vacilantes tens fortificado.

5Mas agora, em chegando a tua vez, tu te enfadas;

sendo tu atingido, te perturbas.

6Porventura, não é o teu temor de Deus aquilo em que confias,

e a tua esperança, a retidão dos teus caminhos?

7Lembra-te: acaso, já pereceu algum inocente?

E onde foram os retos destruídos?

8Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade

e semeiam o mal, isso mesmo eles segam.

9Com o hálito de Deus perecem;

e com o assopro da sua ira se consomem.

10Cessa o bramido do leão e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leõezinhos se quebram.

11Perece o leão, porque não há presa,

e os filhos da leoa andam dispersos.

12Uma palavra se me disse em segredo;

e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.

13Entre pensamentos de visões noturnas,

quando profundo sono cai sobre os homens,

14sobrevieram-me o espanto e o tremor,

e todos os meus ossos estremeceram.

15Então, um espírito passou por diante de mim;

fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo;

16parou ele, mas não lhe discerni a aparência;

um vulto estava diante dos meus olhos;

houve silêncio, e ouvi uma voz:

17Seria, porventura, o mortal justo diante de Deus?

Seria, acaso, o homem puro diante do seu Criador?

18Eis que Deus não confia nos seus servos

e aos seus anjos atribui imperfeições;

19quanto mais àqueles que habitam em casas de barro,

cujo fundamento está no pó,

e são esmagados como a traça!

20Nascem de manhã e à tarde são destruídos;

perecem para sempre, sem que disso se faça caso.

21Se se lhes corta o fio da vida,

morrem e não atingem a sabedoria.