Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
37

371Sobre isto treme também o meu coração

e salta do seu lugar.

2Dai ouvidos ao trovão de Deus,

estrondo que sai da sua boca;

3ele o solta por debaixo de todos os céus,

e o seu relâmpago, até aos confins da terra.

4Depois deste, ruge a sua voz,

troveja com o estrondo da sua majestade,

e já ele não retém o relâmpago quando lhe ouvem a voz.

5Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente;

faz grandes coisas, que nós não compreendemos.

6Porque ele diz à neve: Cai sobre a terra;

e à chuva e ao aguaceiro: Sede fortes.

7Assim, torna ele inativas as mãos de todos os homens,

para que reconheçam as obras dele.

8E as alimárias entram nos seus esconderijos

e ficam nas suas cavernas.

9De suas recâmaras sai o pé de vento,

e, dos ventos do norte, o frio.

10Pelo sopro de Deus se dá a geada,

e as largas águas se congelam.

11Também de umidade carrega as densas nuvens,

nuvens que espargem os relâmpagos.

12Então, elas, segundo o rumo que ele dá,

se espalham para uma e outra direção,

para fazerem tudo o que lhes ordena

sobre a redondeza da terra.

13E tudo isso faz ele vir para disciplina,

se convém à terra, ou para exercer a sua misericórdia.

14Inclina, Jó, os ouvidos a isto,

para e considera as maravilhas de Deus.

15Porventura, sabes tu como Deus as opera

e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem?

16Tens tu notícia do equilíbrio das nuvens

e das maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?

17Que faz aquecer as tuas vestes,

quando há calma sobre a terra por causa do vento sul?

18Ou estendeste com ele o firmamento,

que é sólido como espelho fundido?

19Ensina-nos o que lhe diremos;

porque nós, envoltos em trevas, nada lhe podemos expor.

20Contar-lhe-ia alguém o que tenho dito?

Seria isso desejar o homem ser devorado.

21Eis que o homem não pode olhar para o sol,

que brilha no céu,

uma vez passado o vento que o deixa limpo.

22Do norte vem o áureo esplendor,

pois Deus está cercado de tremenda majestade.

23Ao Todo-Poderoso, não o podemos alcançar;

ele é grande em poder,

porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça.

24Por isso, os homens o temem;

ele não olha para os que se julgam sábios.

38

O Senhor convence a Jó de ignorância

381Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:

2Quem é este que escurece os meus desígnios

com palavras sem conhecimento?

3Cinge, pois, os lombos como homem,

pois eu te perguntarei, e tu me farás saber.

4Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?

Dize-mo, se tens entendimento.

5Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes?

Ou quem estendeu sobre ela o cordel?

6Sobre que estão fundadas as suas bases

ou quem lhe assentou a pedra angular,

7quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam,

e rejubilavam todos os filhos de Deus?

8Ou quem encerrou o mar com portas,

quando irrompeu da madre;

9quando eu lhe pus as nuvens por vestidura

e a escuridão por fraldas?

10Quando eu lhe tracei limites,

e lhe pus ferrolhos e portas,

11e disse: até aqui virás e não mais adiante,

e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?

38.8-11
Jr 5.22

12Acaso, desde que começaram os teus dias, deste ordem à madrugada

ou fizeste a alva saber o seu lugar,

13para que se apegasse às orlas da terra,

e desta fossem os perversos sacudidos?

14A terra se modela como o barro debaixo do selo,

e tudo se apresenta como vestidos;

15dos perversos se desvia a sua luz,

e o braço levantado para ferir se quebranta.

16Acaso, entraste nos mananciais do mar

ou percorreste o mais profundo do abismo?

17Porventura, te foram reveladas as portas da morte

ou viste essas portas da região tenebrosa?

18Tens ideia nítida da largura da terra?

Dize-mo, se o sabes.

19Onde está o caminho para a morada da luz?

E, quanto às trevas, onde é o seu lugar,

20para que as conduzas aos seus limites

e discirnas as veredas para a sua casa?

21Tu o sabes, porque nesse tempo eras nascido

e porque é grande o número dos teus dias!

22Acaso, entraste nos depósitos da neve

e viste os tesouros da saraiva,

23que eu retenho até ao tempo da angústia,

até ao dia da peleja e da guerra?

24Onde está o caminho para onde se difunde a luz

e se espalha o vento oriental sobre a terra?

25Quem abriu regos para o aguaceiro

ou caminho para os relâmpagos dos trovões;

26para que se faça chover sobre a terra,

onde não há ninguém,

e no ermo, em que não há gente;

27para dessedentar a terra deserta e assolada

e para fazer crescer os renovos da erva?

28Acaso, a chuva tem pai?

Ou quem gera as gotas do orvalho?

29De que ventre procede o gelo?

E quem dá à luz a geada do céu?

30As águas ficam duras como a pedra,

e a superfície das profundezas se torna compacta.

31Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo

ou soltar os laços do Órion?

38.31
Jó 9.9
Am 5.8

32Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco

ou guiar a Ursa com seus filhos?

33Sabes tu as ordenanças dos céus,

podes estabelecer a sua influência sobre a terra?

34Podes levantar a tua voz até às nuvens,

para que a abundância das águas te cubra?

35Ou ordenarás aos relâmpagos que saiam

e te digam: Eis-nos aqui?

36Quem pôs sabedoria nas camadas de nuvens?

Ou quem deu entendimento ao meteoro?

37Quem pode numerar com sabedoria as nuvens?

Ou os odres dos céus, quem os pode despejar,

38para que o pó se transforme em massa sólida,

e os torrões se apeguem uns aos outros?

39Caçarás, porventura, a presa para a leoa?

Ou saciarás a fome dos leõezinhos,

40quando se agacham nos covis

e estão à espreita nas covas?

41Quem prepara aos corvos o seu alimento,

quando os seus pintainhos gritam a Deus

e andam vagueando, por não terem que comer?

39

391Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos

ou cuidaste das corças quando dão suas crias?

2Podes contar os meses que cumprem?

Ou sabes o tempo do seu parto?

3Elas encurvam-se, para terem seus filhos,

e lançam de si as suas dores.

4Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto,

saem e nunca mais tornam para elas.

5Quem despediu livre o jumento selvagem,

e quem soltou as prisões ao asno veloz,

6ao qual dei o ermo por casa

e a terra salgada por moradas?

7Ri-se do tumulto da cidade,

não ouve os muitos gritos do arrieiro.

8Os montes são o lugar do seu pasto,

e anda à procura de tudo o que está verde.

9Acaso, quer o boi selvagem servir-te?

Ou passará ele a noite junto da tua manjedoura?

10Porventura, podes prendê-lo ao sulco com cordas?

Ou gradará ele os vales após ti?

11Confiarás nele, por ser grande a sua força,

ou deixarás a seu cuidado o teu trabalho?

12Fiarás dele que te traga para a casa o que semeaste

e o recolha na tua eira?

13O avestruz bate alegre as asas;

acaso, porém, tem asas e penas de bondade?

14Ele deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,

15e se esquece de que algum pé os pode esmagar

ou de que podem pisá-los os animais do campo.

16Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus;

embora seja em vão o seu trabalho, ele está tranquilo,

17porque Deus lhe negou sabedoria

e não lhe deu entendimento;

18mas, quando de um salto se levanta para correr,

ri-se do cavalo e do cavaleiro.

19Ou dás tu força ao cavalo

ou revestirás o seu pescoço de crinas?

20Acaso, o fazes pular como ao gafanhoto?

Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.

21Escarva no vale, folga na sua força

e sai ao encontro dos armados.

22Ri-se do temor e não se espanta;

e não torna atrás por causa da espada.

23Sobre ele chocalha a aljava,

flameja a lança e o dardo.

24De fúria e ira devora o caminho

e não se contém ao som da trombeta.

25Em cada sonido da trombeta, ele diz: Avante!

Cheira de longe a batalha,

o trovão dos príncipes e o alarido.

26Ou é pela tua inteligência que voa o falcão,

estendendo as asas para o Sul?

27Ou é pelo teu mandado que se remonta a águia

e faz alto o seu ninho?

28Habita no penhasco onde faz a sua morada,

sobre o cimo do penhasco, em lugar seguro.

29Dali, descobre a presa;

seus olhos a avistam de longe.

30Seus filhos chupam sangue;

onde há mortos, ela aí está.