Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
36

No sofrer do homem, Deus lhe visa o bem

361Prosseguiu Eliú e disse:

2Mais um pouco de paciência, e te mostrarei

que ainda tenho argumentos a favor de Deus.

3De longe trarei o meu conhecimento

e ao meu Criador atribuirei a justiça.

4Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas;

contigo está quem é senhor do assunto.

5Eis que Deus é mui grande; contudo a ninguém despreza;

é grande na força da sua compreensão.

6Não poupa a vida ao perverso,

mas faz justiça aos aflitos.

7Dos justos não tira os olhos;

antes, com os reis, no trono

os assenta para sempre, e são exaltados.

8Se estão presos em grilhões

e amarrados com cordas de aflição,

9ele lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões,

e que se houveram com soberba.

10Abre-lhes também os ouvidos para a instrução

e manda-lhes que se convertam da iniquidade.

11Se o ouvirem e o servirem,

acabarão seus dias em felicidade

e os seus anos em delícias.

12Porém, se não o ouvirem,

serão traspassados pela lança

e morrerão na sua cegueira.

13Os ímpios de coração amontoam para si a ira;

e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro.

14Perdem a vida na sua mocidade

e morrem entre os prostitutos cultuais.

15Ao aflito livra por meio da sua aflição

e pela opressão lhe abre os ouvidos.

16Assim também procura tirar-te das fauces da angústia

para um lugar espaçoso, em que não há aperto,

e as iguarias da tua mesa seriam cheias de gordura;

17mas tu te enches do juízo do perverso,

e, por isso, o juízo e a justiça te alcançarão.

18Guarda-te, pois, de que a ira não te induza a escarnecer,

nem te desvie a grande quantia do resgate.

19Estimaria ele as tuas lamúrias e todos os teus grandes esforços,

para que te vejas livre da tua angústia?

20Não suspires pela noite,

em que povos serão tomados do seu lugar.

21Guarda-te, não te inclines para a iniquidade;

pois isso preferes à tua miséria.

22Eis que Deus se mostra grande em seu poder!

Quem é mestre como ele?

23Quem lhe prescreveu o seu caminho

ou quem lhe pode dizer: Praticaste a injustiça?

Eliú exalta a majestade de Deus

24Lembra-te de lhe magnificares as obras

que os homens celebram.

25Todos os homens as contemplam;

de longe as admira o homem.

26Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender;

o número dos seus anos não se pode calcular.

27Porque atrai para si as gotas de água

que de seu vapor destilam em chuva,

28a qual as nuvens derramam

e gotejam sobre o homem abundantemente.

29Acaso, pode alguém entender o estender-se das nuvens

e os trovões do seu pavilhão?

30Eis que estende sobre elas o seu relâmpago

e encobre as profundezas do mar.

31Pois por estas coisas julga os povos

e lhes dá mantimento em abundância.

32Enche as mãos de relâmpagos

e os dardeja contra o adversário.

33O fragor da tempestade dá notícias a respeito dele,

dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.