Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
35

Deus não ouve os aflitos, porque estes não têm fé

351Disse mais Eliú:

2Achas que é justo dizeres:

Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3Porque dizes: De que me serviria ela?

Que proveito tiraria dela mais do que do meu pecado?

4Dar-te-ei resposta, a ti

e aos teus amigos contigo.

5Atenta para os céus e vê;

contempla as altas nuvens acima de ti.

6Se pecas, que mal lhe causas tu?

Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?

7Se és justo, que lhe dás

ou que recebe ele da tua mão?

8A tua impiedade só pode fazer o mal ao homem como tu mesmo;

e a tua justiça, dar proveito ao filho do homem.

35.6-8
Jó 22.2-3

9Por causa das muitas opressões, os homens clamam,

clamam por socorro contra o braço dos poderosos.

10Mas ninguém diz: Onde está Deus, que me fez,

que inspira canções de louvor durante a noite,

11que nos ensina mais do que aos animais da terra

e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?

12Clamam, porém ele não responde,

por causa da arrogância dos maus.

13Só gritos vazios Deus não ouvirá,

nem atentará para eles o Todo-Poderoso.

14Jó, ainda que dizes que não o vês,

a tua causa está diante dele;

por isso, espera nele.

15Mas agora, porque Deus na sua ira não está punindo,

nem fazendo muito caso das transgressões,

16abres a tua boca, com palavras vãs,

amontoando frases de ignorante.

36

No sofrer do homem, Deus lhe visa o bem

361Prosseguiu Eliú e disse:

2Mais um pouco de paciência, e te mostrarei

que ainda tenho argumentos a favor de Deus.

3De longe trarei o meu conhecimento

e ao meu Criador atribuirei a justiça.

4Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas;

contigo está quem é senhor do assunto.

5Eis que Deus é mui grande; contudo a ninguém despreza;

é grande na força da sua compreensão.

6Não poupa a vida ao perverso,

mas faz justiça aos aflitos.

7Dos justos não tira os olhos;

antes, com os reis, no trono

os assenta para sempre, e são exaltados.

8Se estão presos em grilhões

e amarrados com cordas de aflição,

9ele lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões,

e que se houveram com soberba.

10Abre-lhes também os ouvidos para a instrução

e manda-lhes que se convertam da iniquidade.

11Se o ouvirem e o servirem,

acabarão seus dias em felicidade

e os seus anos em delícias.

12Porém, se não o ouvirem,

serão traspassados pela lança

e morrerão na sua cegueira.

13Os ímpios de coração amontoam para si a ira;

e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro.

14Perdem a vida na sua mocidade

e morrem entre os prostitutos cultuais.

15Ao aflito livra por meio da sua aflição

e pela opressão lhe abre os ouvidos.

16Assim também procura tirar-te das fauces da angústia

para um lugar espaçoso, em que não há aperto,

e as iguarias da tua mesa seriam cheias de gordura;

17mas tu te enches do juízo do perverso,

e, por isso, o juízo e a justiça te alcançarão.

18Guarda-te, pois, de que a ira não te induza a escarnecer,

nem te desvie a grande quantia do resgate.

19Estimaria ele as tuas lamúrias e todos os teus grandes esforços,

para que te vejas livre da tua angústia?

20Não suspires pela noite,

em que povos serão tomados do seu lugar.

21Guarda-te, não te inclines para a iniquidade;

pois isso preferes à tua miséria.

22Eis que Deus se mostra grande em seu poder!

Quem é mestre como ele?

23Quem lhe prescreveu o seu caminho

ou quem lhe pode dizer: Praticaste a injustiça?

Eliú exalta a majestade de Deus

24Lembra-te de lhe magnificares as obras

que os homens celebram.

25Todos os homens as contemplam;

de longe as admira o homem.

26Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender;

o número dos seus anos não se pode calcular.

27Porque atrai para si as gotas de água

que de seu vapor destilam em chuva,

28a qual as nuvens derramam

e gotejam sobre o homem abundantemente.

29Acaso, pode alguém entender o estender-se das nuvens

e os trovões do seu pavilhão?

30Eis que estende sobre elas o seu relâmpago

e encobre as profundezas do mar.

31Pois por estas coisas julga os povos

e lhes dá mantimento em abundância.

32Enche as mãos de relâmpagos

e os dardeja contra o adversário.

33O fragor da tempestade dá notícias a respeito dele,

dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.

37

371Sobre isto treme também o meu coração

e salta do seu lugar.

2Dai ouvidos ao trovão de Deus,

estrondo que sai da sua boca;

3ele o solta por debaixo de todos os céus,

e o seu relâmpago, até aos confins da terra.

4Depois deste, ruge a sua voz,

troveja com o estrondo da sua majestade,

e já ele não retém o relâmpago quando lhe ouvem a voz.

5Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente;

faz grandes coisas, que nós não compreendemos.

6Porque ele diz à neve: Cai sobre a terra;

e à chuva e ao aguaceiro: Sede fortes.

7Assim, torna ele inativas as mãos de todos os homens,

para que reconheçam as obras dele.

8E as alimárias entram nos seus esconderijos

e ficam nas suas cavernas.

9De suas recâmaras sai o pé de vento,

e, dos ventos do norte, o frio.

10Pelo sopro de Deus se dá a geada,

e as largas águas se congelam.

11Também de umidade carrega as densas nuvens,

nuvens que espargem os relâmpagos.

12Então, elas, segundo o rumo que ele dá,

se espalham para uma e outra direção,

para fazerem tudo o que lhes ordena

sobre a redondeza da terra.

13E tudo isso faz ele vir para disciplina,

se convém à terra, ou para exercer a sua misericórdia.

14Inclina, Jó, os ouvidos a isto,

para e considera as maravilhas de Deus.

15Porventura, sabes tu como Deus as opera

e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem?

16Tens tu notícia do equilíbrio das nuvens

e das maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?

17Que faz aquecer as tuas vestes,

quando há calma sobre a terra por causa do vento sul?

18Ou estendeste com ele o firmamento,

que é sólido como espelho fundido?

19Ensina-nos o que lhe diremos;

porque nós, envoltos em trevas, nada lhe podemos expor.

20Contar-lhe-ia alguém o que tenho dito?

Seria isso desejar o homem ser devorado.

21Eis que o homem não pode olhar para o sol,

que brilha no céu,

uma vez passado o vento que o deixa limpo.

22Do norte vem o áureo esplendor,

pois Deus está cercado de tremenda majestade.

23Ao Todo-Poderoso, não o podemos alcançar;

ele é grande em poder,

porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça.

24Por isso, os homens o temem;

ele não olha para os que se julgam sábios.