Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
34

Eliú justifica a Deus

341Disse mais Eliú:

2Ouvi, ó sábios, as minhas razões;

vós, instruídos, inclinai os ouvidos para mim.

3Porque o ouvido prova as palavras,

como o paladar, a comida.

4O que é direito escolhamos para nós;

conheçamos entre nós o que é bom.

5Porque Jó disse: Sou justo,

e Deus tirou o meu direito.

6Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso;

a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim.

7Que homem há como Jó,

que bebe a zombaria como água?

8E anda em companhia dos que praticam a iniquidade

e caminha com homens perversos?

9Pois disse: De nada aproveita ao homem

o comprazer-se em Deus.

10Pelo que vós, homens sensatos, escutai-me:

longe de Deus o praticar ele a perversidade,

e do Todo-Poderoso o cometer injustiça.

11Pois retribui ao homem segundo as suas obras

34.11
Sl 62.12

e faz que a cada um toque segundo o seu caminho.

12Na verdade, Deus não procede maliciosamente;

nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.

13Quem lhe entregou o governo da terra?

Quem lhe confiou o universo?

14Se Deus pensasse apenas em si mesmo

e para si recolhesse o seu espírito e o seu sopro,

15toda a carne juntamente expiraria,

e o homem voltaria para o pó.

16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto;

inclina os ouvidos ao som das minhas palavras.

17Acaso, governaria o que aborrecesse o direito?

E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso?

18Dir-se-á a um rei: Oh! Vil?

Ou aos príncipes: Oh! Perversos?

19Quanto menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes,

nem estima ao rico mais do que ao pobre;

porque todos são obra de suas mãos.

20De repente, morrem;

à meia-noite, os povos são perturbados e passam,

e os poderosos são tomados por força invisível.

21Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem

e veem todos os seus passos.

22Não há trevas nem sombra assaz profunda,

onde se escondam os que praticam a iniquidade.

23Pois Deus não precisa observar por muito tempo o homem

antes de o fazer ir a juízo perante ele.

24Quebranta os fortes, sem os inquirir,

e põe outros em seu lugar.

25Ele conhece, pois, as suas obras;

de noite, os transtorna, e ficam moídos.

26Ele os fere como a perversos,

à vista de todos;

27porque dele se desviaram,

e não quiseram compreender nenhum de seus caminhos,

28e, assim, fizeram que o clamor do pobre subisse até Deus,

e este ouviu o lamento dos aflitos.

29Se ele aquietar-se, quem o condenará?

Se encobrir o rosto, quem o poderá contemplar,

seja um povo, seja um homem?

30Para que o ímpio não reine,

e não haja quem iluda o povo.

31Se alguém diz a Deus:

Sofri, não pecarei mais;

32o que não vejo, ensina-mo tu;

se cometi injustiça, jamais a tornarei a praticar,

33acaso, deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres?

Acaso, deve ele dizer-te: Escolhe tu, e não eu;

declara o que sabes, fala?

34Os homens sensatos dir-me-ão,

dir-me-á o sábio que me ouve:

35Jó falou sem conhecimento,

e nas suas palavras não há sabedoria.

36Tomara fosse Jó provado até ao fim,

porque ele respondeu como homem de iniquidade.

37Pois ao seu pecado acrescenta rebelião,

entre nós, com desprezo, bate ele palmas

e multiplica as suas palavras contra Deus.

35

Deus não ouve os aflitos, porque estes não têm fé

351Disse mais Eliú:

2Achas que é justo dizeres:

Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3Porque dizes: De que me serviria ela?

Que proveito tiraria dela mais do que do meu pecado?

4Dar-te-ei resposta, a ti

e aos teus amigos contigo.

5Atenta para os céus e vê;

contempla as altas nuvens acima de ti.

6Se pecas, que mal lhe causas tu?

Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?

7Se és justo, que lhe dás

ou que recebe ele da tua mão?

8A tua impiedade só pode fazer o mal ao homem como tu mesmo;

e a tua justiça, dar proveito ao filho do homem.

35.6-8
Jó 22.2-3

9Por causa das muitas opressões, os homens clamam,

clamam por socorro contra o braço dos poderosos.

10Mas ninguém diz: Onde está Deus, que me fez,

que inspira canções de louvor durante a noite,

11que nos ensina mais do que aos animais da terra

e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?

12Clamam, porém ele não responde,

por causa da arrogância dos maus.

13Só gritos vazios Deus não ouvirá,

nem atentará para eles o Todo-Poderoso.

14Jó, ainda que dizes que não o vês,

a tua causa está diante dele;

por isso, espera nele.

15Mas agora, porque Deus na sua ira não está punindo,

nem fazendo muito caso das transgressões,

16abres a tua boca, com palavras vãs,

amontoando frases de ignorante.

36

No sofrer do homem, Deus lhe visa o bem

361Prosseguiu Eliú e disse:

2Mais um pouco de paciência, e te mostrarei

que ainda tenho argumentos a favor de Deus.

3De longe trarei o meu conhecimento

e ao meu Criador atribuirei a justiça.

4Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas;

contigo está quem é senhor do assunto.

5Eis que Deus é mui grande; contudo a ninguém despreza;

é grande na força da sua compreensão.

6Não poupa a vida ao perverso,

mas faz justiça aos aflitos.

7Dos justos não tira os olhos;

antes, com os reis, no trono

os assenta para sempre, e são exaltados.

8Se estão presos em grilhões

e amarrados com cordas de aflição,

9ele lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões,

e que se houveram com soberba.

10Abre-lhes também os ouvidos para a instrução

e manda-lhes que se convertam da iniquidade.

11Se o ouvirem e o servirem,

acabarão seus dias em felicidade

e os seus anos em delícias.

12Porém, se não o ouvirem,

serão traspassados pela lança

e morrerão na sua cegueira.

13Os ímpios de coração amontoam para si a ira;

e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro.

14Perdem a vida na sua mocidade

e morrem entre os prostitutos cultuais.

15Ao aflito livra por meio da sua aflição

e pela opressão lhe abre os ouvidos.

16Assim também procura tirar-te das fauces da angústia

para um lugar espaçoso, em que não há aperto,

e as iguarias da tua mesa seriam cheias de gordura;

17mas tu te enches do juízo do perverso,

e, por isso, o juízo e a justiça te alcançarão.

18Guarda-te, pois, de que a ira não te induza a escarnecer,

nem te desvie a grande quantia do resgate.

19Estimaria ele as tuas lamúrias e todos os teus grandes esforços,

para que te vejas livre da tua angústia?

20Não suspires pela noite,

em que povos serão tomados do seu lugar.

21Guarda-te, não te inclines para a iniquidade;

pois isso preferes à tua miséria.

22Eis que Deus se mostra grande em seu poder!

Quem é mestre como ele?

23Quem lhe prescreveu o seu caminho

ou quem lhe pode dizer: Praticaste a injustiça?

Eliú exalta a majestade de Deus

24Lembra-te de lhe magnificares as obras

que os homens celebram.

25Todos os homens as contemplam;

de longe as admira o homem.

26Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender;

o número dos seus anos não se pode calcular.

27Porque atrai para si as gotas de água

que de seu vapor destilam em chuva,

28a qual as nuvens derramam

e gotejam sobre o homem abundantemente.

29Acaso, pode alguém entender o estender-se das nuvens

e os trovões do seu pavilhão?

30Eis que estende sobre elas o seu relâmpago

e encobre as profundezas do mar.

31Pois por estas coisas julga os povos

e lhes dá mantimento em abundância.

32Enche as mãos de relâmpagos

e os dardeja contra o adversário.

33O fragor da tempestade dá notícias a respeito dele,

dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.

Utilizamos cookies de acordo com o nossa Política de Privacidade, respeitando todos as suas informações pessoais.[ocultar]