Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)

Jó declara sua integridade

311Fiz aliança com meus olhos;

como, pois, os fixaria eu numa donzela?

2Que porção, pois, teria eu do Deus lá de cima

e que herança, do Todo-Poderoso desde as alturas?

3Acaso, não é a perdição para o iníquo,

e o infortúnio, para os que praticam a maldade?

4Ou não vê Deus os meus caminhos

e não conta todos os meus passos?

5Se andei com falsidade,

e se o meu pé se apressou para o engano

6(pese-me Deus em balanças fiéis

e conhecerá a minha integridade);

7se os meus passos se desviaram do caminho,

e se o meu coração segue os meus olhos,

e se às minhas mãos se apegou qualquer mancha,

8então, semeie eu, e outro coma,

e sejam arrancados os renovos do meu campo.

9Se o meu coração se deixou seduzir por causa de mulher,

se andei à espreita à porta do meu próximo,

10então, moa minha mulher para outro,

e outros se encurvem sobre ela.

11Pois seria isso um crime hediondo,

delito à punição de juízes;

12pois seria fogo que consome até à destruição

e desarraigaria toda a minha renda.

13Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva,

quando eles contendiam comigo,

14então, que faria eu quando Deus se levantasse?

E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia eu?

15Aquele que me formou no ventre materno

não os fez também a eles?

Ou não é o mesmo que nos formou na madre?

16Se retive o que os pobres desejavam

ou fiz desfalecer os olhos da viúva;

17ou, se sozinho comi o meu bocado,

e o órfão dele não participou

18(Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como se eu lhe fora o pai,

e desde o ventre da minha mãe fui o guia da viúva.);

19se a alguém vi perecer por falta de roupa

e ao necessitado, por não ter coberta;

20se os seus lombos não me abençoaram,

se ele não se aquentava com a lã dos meus cordeiros;

21se eu levantei a mão contra o órfão,

por me ver apoiado pelos juízes da porta,

22então, caia a omoplata do meu ombro,

e seja arrancado o meu braço da articulação.

23Porque o castigo de Deus seria para mim um assombro,

e eu não poderia enfrentar a sua majestade.

24Se no ouro pus a minha esperança

ou disse ao ouro fino: em ti confio;

25se me alegrei por serem grandes os meus bens

e por ter a minha mão alcançado muito;

26se olhei para o sol, quando resplandecia,

ou para a lua, que caminhava esplendente,

27e o meu coração se deixou enganar em oculto,

e beijos lhes atirei com a mão,

28também isto seria delito à punição de juízes;

pois assim negaria eu ao Deus lá de cima.

29Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio

e se exultei quando o mal o atingiu

30(Também não deixei pecar a minha boca,

pedindo com imprecações a sua morte.);

31se a gente da minha tenda não disse:

Ah! Quem haverá aí que não se saciou de carne provida por ele

32(O estrangeiro não pernoitava na rua;

as minhas portas abria ao viandante.)!

33Se, como Adão, encobri as minhas transgressões,

ocultando o meu delito no meu seio;

34porque eu temia a grande multidão,

e o desprezo das famílias me apavorava,

de sorte que me calei e não saí da porta.

35Tomara eu tivesse quem me ouvisse!

Eis aqui a minha defesa assinada!

Que o Todo-Poderoso me responda!

Que o meu adversário escreva a sua acusação!

36Por certo que a levaria sobre o meu ombro,

atá-la-ia sobre mim como coroa;

37mostrar-lhe-ia o número dos meus passos;

como príncipe me chegaria a ele.

38Se a minha terra clamar contra mim,

e se os seus sulcos juntamente chorarem;

39se comi os seus frutos sem tê-la pago devidamente

e causei a morte aos seus donos,

40por trigo me produza cardos,

e por cevada, joio.

Fim das palavras de Jó.