Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
26

Jó afirma a soberania de Deus

261Jó, porém, respondeu:

2Como sabes ajudar ao que não tem força

e prestar socorro ao braço que não tem vigor!

3Como sabes aconselhar ao que não tem sabedoria

e revelar plenitude de verdadeiro conhecimento!

4Com a ajuda de quem proferes tais palavras?

E de quem é o espírito que fala em ti?

5A alma dos mortos treme

debaixo das águas com seus habitantes.

6O além está desnudo perante ele,

e não há coberta para o abismo.

7Ele estende o norte sobre o vazio

e faz pairar a terra sobre o nada.

8Prende as águas em densas nuvens,

e as nuvens não se rasgam debaixo delas.

9Encobre a face do seu trono

e sobre ele estende a sua nuvem.

10Traçou um círculo à superfície das águas,

até aos confins da luz e das trevas.

11As colunas do céu tremem

e se espantam da sua ameaça.

12Com a sua força fende o mar

e com o seu entendimento abate o adversário.

13Pelo seu sopro aclara os céus,

a sua mão fere o dragão veloz.

14Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!

Que leve sussurro temos ouvido dele!

Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?

27

Jó descreve a sorte dos perversos

271Prosseguindo Jó em seu discurso, disse:

2Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito,

e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma,

3enquanto em mim estiver a minha vida,

e o sopro de Deus nos meus narizes,

4nunca os meus lábios falarão injustiça,

nem a minha língua pronunciará engano.

5Longe de mim que eu vos dê razão!

Até que eu expire, nunca afastarei de mim a minha integridade.

6À minha justiça me apegarei e não a largarei;

não me reprova a minha consciência por qualquer dia da minha vida.

7Seja como o perverso o meu inimigo,

e o que se levantar contra mim, como o injusto.

8Porque qual será a esperança do ímpio,

quando lhe for cortada a vida,

quando Deus lhe arrancar a alma?

9Acaso, ouvirá Deus o seu clamor,

em lhe sobrevindo a tribulação?

10Deleitar-se-á o perverso no Todo-Poderoso

e invocará a Deus em todo o tempo?

11Ensinar-vos-ei o que encerra a mão de Deus

e não vos ocultarei o que está com o Todo-Poderoso.

12Eis que todos vós já vistes isso;

por que, pois, alimentais vãs noções?

13Eis qual será da parte de Deus a porção do perverso

e a herança que os opressores receberão do Todo-Poderoso:

14Se os seus filhos se multiplicarem, será para a espada,

e a sua prole não se fartará de pão.

15Os que ficarem dela, a peste os enterrará,

e as suas viúvas não chorarão.

16Se o perverso amontoar prata como pó

e acumular vestes como barro,

17ele os acumulará, mas o justo é que os vestirá,

e o inocente repartirá a prata.

18Ele edifica a sua casa como a da traça

e como a choça que o vigia constrói.

19Rico se deita com a sua riqueza,

abre os seus olhos e já não a vê.

20Pavores se apoderam dele como inundação,

de noite a tempestade o arrebata.

21O vento oriental o leva, e ele se vai;

varre-o com ímpeto do seu lugar.

22Deus lança isto sobre ele e não o poupa,

a ele que procura fugir precipitadamente da sua mão;

23à sua queda lhe batem palmas,

à saída o apupam com assobios.

28

O homem apropria-se das riquezas da terra

281Na verdade, a prata tem suas minas,

e o ouro, que se refina, o seu lugar.

2O ferro tira-se da terra,

e da pedra se funde o cobre.

3Os homens põem termo à escuridão

e até aos últimos confins procuram as pedras

ocultas nas trevas e na densa escuridade.

4Abrem entrada para minas longe da habitação dos homens,

esquecidos dos transeuntes;

e, assim, longe deles, dependurados, oscilam de um lado para outro.

5Da terra procede o pão,

mas embaixo é revolvida como por fogo.

6Nas suas pedras se encontra safira,

e há pó que contém ouro.

7Essa vereda, a ave de rapina a ignora,

e jamais a viram os olhos do falcão.

8Nunca a pisaram feras majestosas,

nem o leãozinho passou por ela.

9Estende o homem a mão contra o rochedo

e revolve os montes desde as suas raízes.

10Abre canais nas pedras,

e os seus olhos veem tudo o que há de mais precioso.

11Tapa os veios de água, e nem uma gota sai deles,

e traz à luz o que estava escondido.

A verdadeira sabedoria é dom de Deus

12Mas onde se achará a sabedoria?

E onde está o lugar do entendimento?

13O homem não conhece o valor dela,

nem se acha ela na terra dos viventes.

14O abismo diz: Ela não está em mim;

e o mar diz: Não está comigo.

15Não se dá por ela ouro fino,

nem se pesa prata em câmbio dela.

16O seu valor não se pode avaliar pelo ouro de Ofir,

nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

17O ouro não se iguala a ela, nem o cristal;

ela não se trocará por joia de ouro fino;

18ela faz esquecer o coral e o cristal;

a aquisição da sabedoria é melhor que a das pérolas.

19Não se lhe igualará o topázio da Etiópia,

nem se pode avaliar por ouro puro.

20Donde, pois, vem a sabedoria,

e onde está o lugar do entendimento?

21Está encoberta aos olhos de todo vivente

e oculta às aves do céu.

22O abismo e a morte dizem:

Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.

23Deus lhe entende o caminho,

e ele é quem sabe o seu lugar.

24Porque ele perscruta até as extremidades da terra,

vê tudo o que há debaixo dos céus.

25Quando regulou o peso do vento

e fixou a medida das águas;

26quando determinou leis para a chuva

e caminho para o relâmpago dos trovões,

27então, viu ele a sabedoria e a manifestou;

estabeleceu-a e também a esquadrinhou.

28E disse ao homem:

Eis que o temor do Senhor é a sabedoria,

28.28
Sl 111.10
Pv 9.10

e o apartar-se do mal é o entendimento.