Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
25

Bildade nega que o homem possa justificar-se diante de Deus

251Então, respondeu Bildade, o suíta:

2A Deus pertence o domínio e o poder;

ele faz reinar a paz nas alturas celestes.

3Acaso, têm número os seus exércitos?

E sobre quem não se levanta a sua luz?

4Como, pois, seria justo o homem perante Deus,

e como seria puro aquele que nasce de mulher?

5Eis que até a lua não tem brilho,

e as estrelas não são puras aos olhos dele.

6Quanto menos o homem, que é gusano,

e o filho do homem, que é verme!

26

Jó afirma a soberania de Deus

261Jó, porém, respondeu:

2Como sabes ajudar ao que não tem força

e prestar socorro ao braço que não tem vigor!

3Como sabes aconselhar ao que não tem sabedoria

e revelar plenitude de verdadeiro conhecimento!

4Com a ajuda de quem proferes tais palavras?

E de quem é o espírito que fala em ti?

5A alma dos mortos treme

debaixo das águas com seus habitantes.

6O além está desnudo perante ele,

e não há coberta para o abismo.

7Ele estende o norte sobre o vazio

e faz pairar a terra sobre o nada.

8Prende as águas em densas nuvens,

e as nuvens não se rasgam debaixo delas.

9Encobre a face do seu trono

e sobre ele estende a sua nuvem.

10Traçou um círculo à superfície das águas,

até aos confins da luz e das trevas.

11As colunas do céu tremem

e se espantam da sua ameaça.

12Com a sua força fende o mar

e com o seu entendimento abate o adversário.

13Pelo seu sopro aclara os céus,

a sua mão fere o dragão veloz.

14Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!

Que leve sussurro temos ouvido dele!

Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?

27

Jó descreve a sorte dos perversos

271Prosseguindo Jó em seu discurso, disse:

2Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito,

e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma,

3enquanto em mim estiver a minha vida,

e o sopro de Deus nos meus narizes,

4nunca os meus lábios falarão injustiça,

nem a minha língua pronunciará engano.

5Longe de mim que eu vos dê razão!

Até que eu expire, nunca afastarei de mim a minha integridade.

6À minha justiça me apegarei e não a largarei;

não me reprova a minha consciência por qualquer dia da minha vida.

7Seja como o perverso o meu inimigo,

e o que se levantar contra mim, como o injusto.

8Porque qual será a esperança do ímpio,

quando lhe for cortada a vida,

quando Deus lhe arrancar a alma?

9Acaso, ouvirá Deus o seu clamor,

em lhe sobrevindo a tribulação?

10Deleitar-se-á o perverso no Todo-Poderoso

e invocará a Deus em todo o tempo?

11Ensinar-vos-ei o que encerra a mão de Deus

e não vos ocultarei o que está com o Todo-Poderoso.

12Eis que todos vós já vistes isso;

por que, pois, alimentais vãs noções?

13Eis qual será da parte de Deus a porção do perverso

e a herança que os opressores receberão do Todo-Poderoso:

14Se os seus filhos se multiplicarem, será para a espada,

e a sua prole não se fartará de pão.

15Os que ficarem dela, a peste os enterrará,

e as suas viúvas não chorarão.

16Se o perverso amontoar prata como pó

e acumular vestes como barro,

17ele os acumulará, mas o justo é que os vestirá,

e o inocente repartirá a prata.

18Ele edifica a sua casa como a da traça

e como a choça que o vigia constrói.

19Rico se deita com a sua riqueza,

abre os seus olhos e já não a vê.

20Pavores se apoderam dele como inundação,

de noite a tempestade o arrebata.

21O vento oriental o leva, e ele se vai;

varre-o com ímpeto do seu lugar.

22Deus lança isto sobre ele e não o poupa,

a ele que procura fugir precipitadamente da sua mão;

23à sua queda lhe batem palmas,

à saída o apupam com assobios.