Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
13

Jó defende a sua integridade

131Eis que tudo isso viram os meus olhos,

e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.

2Como vós o sabeis, também eu o sei;

não vos sou inferior.

3Mas falarei ao Todo-Poderoso

e quero defender-me perante Deus.

4Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras

e vós todos sois médicos que não valem nada.

5Tomara vos calásseis de todo,

que isso seria a vossa sabedoria!

6Ouvi agora a minha defesa

e atentai para os argumentos dos meus lábios.

7Porventura, falareis perversidade em favor de Deus

e a seu favor falareis mentiras?

8Sereis parciais por ele?

Contendereis a favor de Deus?

9Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse?

Ou zombareis dele, como se zomba de um homem qualquer?

10Acerbamente vos repreenderá,

se em oculto fordes parciais.

11Porventura, não vos amedrontará a sua dignidade,

e não cairá sobre vós o seu terror?

12As vossas máximas são como provérbios de cinza,

os vossos baluartes, baluartes de barro.

13Calai-vos perante mim, e falarei eu,

e venha sobre mim o que vier.

14Tomarei a minha carne nos meus dentes

e porei a vida na minha mão.

15Eis que me matará, já não tenho esperança;

contudo, defenderei o meu procedimento.

16Também isto será a minha salvação,

o fato de o ímpio não vir perante ele.

17Atentai para as minhas razões

e dai ouvidos à minha exposição.

18Tenho já bem-encaminhada minha causa

e estou certo de que serei justificado.

19Quem há que possa contender comigo?

Neste caso, eu me calaria e renderia o espírito.

20Concede-me somente duas coisas;

então, me não esconderei do teu rosto:

21alivia a tua mão de sobre mim,

e não me espante o teu terror.

22Interpela-me, e te responderei

ou deixa-me falar e tu me responderás.

23Quantas culpas e pecados tenho eu?

Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.

24Por que escondes o rosto

e me tens por teu inimigo?

25Queres aterrorizar uma folha arrebatada pelo vento?

E perseguirás a palha seca?

26Pois decretas contra mim coisas amargas

e me atribuis as culpas da minha mocidade.

27Também pões os meus pés no tronco,

observas todos os meus caminhos

e traças limites à planta dos meus pés,

28apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome

e como a roupa que é comida da traça.