Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

A multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17

61Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galileia, que é o de Tiberíades. 2Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos. 3Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos. 4Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima. 5Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer? 6Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer. 7Respondeu-lhe Filipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço. 8Um de seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus: 9Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas isto que é para tanta gente? 10Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. 11Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam. 12E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. 13Assim, pois, o fizeram e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que haviam comido. 14Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. 15Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.

Jesus anda por sobre o mar

Mt 14.22-33; Mc 6.45-52

16Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. 17E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles. 18E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava. 19Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor. 20Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais! 21Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.

Jesus, o pão da vida

22No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do mar notou que ali não havia senão um pequeno barco e que Jesus não embarcara nele com seus discípulos, tendo estes partido sós. 23Entretanto, outros barquinhos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, tendo o Senhor dado graças. 24Quando, pois, viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura. 25E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram: Mestre, quando chegaste aqui? 26Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. 27Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo. 28Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? 29Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado. 30Então, lhe disseram eles: Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos? 31Nossos pais comeram o maná

6.31
Êx 16.4,15
no deserto, como está escrito:

Deu-lhes a comer pão do céu.

6.31
Sl 78.24

32Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. 33Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. 34Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão. 35Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede. 36Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes. 37Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. 38Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. 39E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. 40De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

A murmuração dos judeus

41Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. 42E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu? 43Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas:

E serão todos ensinados por Deus.

6.45
Is 54.13

Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. 46Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto. 47Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. 50Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. 51Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.

52Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? 53Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. 54Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. 57Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. 58Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. 59Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.

Os discípulos escandalizados

60Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 61Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? 62Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? 63O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. 64Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. 65E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.

Muitos discípulos se retiram

66À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. 67Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? 68Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; 69e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

6.68-69
Mt 16.16
Mc 8.29
Lc 9.20
70Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo. 71Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze.

7

A incredulidade dos irmãos de Jesus

71Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galileia, porque não desejava percorrer a Judeia, visto que os judeus procuravam matá-lo. 2Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos,

7.2
Lv 23.34
Dt 16.13
estava próxima. 3Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. 4Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. 5Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele. 6Disse-lhes, pois, Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente. 7Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más. 8Subi vós outros à festa; eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não está cumprido. 9Disse-lhes Jesus estas coisas e continuou na Galileia.

Jesus na Festa dos Tabernáculos

10Mas, depois que seus irmãos subiram para a festa, então, subiu ele também, não publicamente, mas em oculto. 11Ora, os judeus o procuravam na festa e perguntavam: Onde estará ele? 12E havia grande murmuração a seu respeito entre as multidões. Uns diziam: Ele é bom. E outros: Não, antes, engana o povo. 13Entretanto, ninguém falava dele abertamente, por ter medo dos judeus.

A controvérsia entre Jesus e os judeus

14Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava. 15Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este letras, sem ter estudado? 16Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou. 17Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo. 18Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça. 19Não vos deu Moisés a lei? Contudo, ninguém dentre vós a observa. Por que procurais matar-me? 20Respondeu a multidão: Tens demônio. Quem é que procura matar-te? 21Replicou-lhes Jesus: Um só feito realizei, e todos vos admirais. 22Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão

7.22
Lv 12.3
(se bem que ela não vem dele, mas dos patriarcas
7.22
Gn 17.10
), no sábado circuncidais um homem. 23E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, ao todo, um homem?
7.23
Jo 5.9
24Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.

Os guardas mandados para prender Jesus

25Diziam alguns de Jerusalém: Não é este aquele a quem procuram matar? 26Eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, reconhecem verdadeiramente as autoridades que este é, de fato, o Cristo? 27Nós, todavia, sabemos donde este é; quando, porém, vier o Cristo, ninguém saberá donde ele é. 28Jesus, pois, enquanto ensinava no templo, clamou, dizendo: Vós não somente me conheceis, mas também sabeis donde eu sou; e não vim porque eu, de mim mesmo, o quisesse, mas aquele que me enviou é verdadeiro, aquele a quem vós não conheceis. 29Eu o conheço, porque venho da parte dele e fui por ele enviado. 30Então, procuravam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs a mão, porque ainda não era chegada a sua hora. 31E, contudo, muitos de entre a multidão creram nele e diziam: Quando vier o Cristo, fará, porventura, maiores sinais do que este homem tem feito?

32Os fariseus, ouvindo a multidão murmurar estas coisas a respeito dele, juntamente com os principais sacerdotes enviaram guardas para o prenderem. 33Disse-lhes Jesus: Ainda por um pouco de tempo estou convosco e depois irei para junto daquele que me enviou. 34Haveis de procurar-me e não me achareis; também aonde eu estou, vós não podeis ir. 35Disseram, pois, os judeus uns aos outros: Para onde irá este que não o possamos achar? Irá, porventura, para a Dispersão entre os gregos, com o fim de os ensinar? 36Que significa, de fato, o que ele diz: Haveis de procurar-me e não me achareis; também aonde eu estou, vós não podeis ir?

Jesus, a fonte da água viva

37No último dia, o grande dia da festa,

7.37
Lv 23.36
levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
7.38
Ez 47.1
Zc 14.8
39Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.

40Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta; 41outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galileia? 42Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e da aldeia de Belém,

7.42
Mq 5.2
donde era Davi? 43Assim, houve uma dissensão entre o povo por causa dele; 44alguns dentre eles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.

Os guardas voltam sem Jesus

45Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? 46Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem. 47Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Será que também vós fostes enganados? 48Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus? 49Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita. 50Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus,

7.50
Jo 3.1
perguntou-lhes: 51Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? 52Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galileia? Examina e verás que da Galileia não se levanta profeta. 53[E cada um foi para sua casa.

8

A mulher adúltera

81Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava. 3Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, 4disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. 5E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas;

8.5
Lv 20.10
Dt 22.22-24
tu, pois, que dizes? 6Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. 7Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. 8E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. 10Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.]

Jesus, a luz do mundo

12De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo;

8.12
Mt 5.14
Jo 9.5
quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. 13Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo;
8.13
Jo 5.31
logo, o teu testemunho não é verdadeiro. 14Respondeu Jesus e disse-lhes: Posto que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. 16Se eu julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, porém eu e aquele que me enviou. 17Também na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 18Eu testifico de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também testifica de mim. 19Então, eles lhe perguntaram: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. 20Proferiu ele estas palavras no lugar do gazofilácio, quando ensinava no templo; e ninguém o prendeu, porque não era ainda chegada a sua hora.

Jesus defende a sua missão e autoridade

21De outra feita, lhes falou, dizendo: Vou retirar-me, e vós me procurareis, mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis ir. 22Então, diziam os judeus: Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou vós não podeis ir. 23E prosseguiu: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou. 24Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados. 25Então, lhe perguntaram: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Que é que desde o princípio vos tenho dito? 26Muitas coisas tenho para dizer a vosso respeito e vos julgar; porém aquele que me enviou é verdadeiro, de modo que as coisas que dele tenho ouvido, essas digo ao mundo. 27Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai. 28Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que Eu Sou e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou. 29E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. 30Ditas estas coisas, muitos creram nele.

31Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 33Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão

8.33
Mt 3.9
Lc 3.8
e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? 34Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. 37Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós. 38Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai.

39Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. 40Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão. 41Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai, que é Deus. 42Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. 43Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. 44Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. 45Mas, porque eu digo a verdade, não me credes. 46Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? 47Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.

48Responderam, pois, os judeus e lhe disseram: Porventura, não temos razão em dizer que és samaritano e tens demônio? 49Replicou Jesus: Eu não tenho demônio; pelo contrário, honro a meu Pai, e vós me desonrais. 50Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue. 51Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente. 52Disseram-lhe os judeus: Agora, estamos certos de que tens demônio. Abraão morreu, e também os profetas, e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não provará a morte, eternamente. 53És maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? Também os profetas morreram. Quem, pois, te fazes ser? 54Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus. 55Entretanto, vós não o tendes conhecido; eu, porém, o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei como vós: mentiroso; mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se. 57Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? 58Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu Sou. 59Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.