Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
4

A mulher de Samaria

41Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João 2(se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos), 3deixou a Judeia, retirando-se outra vez para a Galileia. 4E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. 5Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.

4.5
Gn 33.19
Js 24.32
6Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.

7Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos

4.9
Ed 4.1-5
Ne 4.1-2
)? 10Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado? 13Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. 15Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la. 16Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; 17ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; 18porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

A verdadeira adoração

19Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. 20Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. 21Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. 25Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas. 26Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo. 27Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela? 28Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: 29Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?! 30Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele.

A ceifa e os ceifeiros

31Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come! 32Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. 33Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer? 34Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. 36O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. 37Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro. 38Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

Muitos samaritanos creem em Jesus

39Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. 40Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam-lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias. 41Muitos outros creram nele, por causa da sua palavra, 42e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.

Jesus volta à Galileia

43Passados dois dias, partiu dali para a Galileia. 44Porque o mesmo Jesus testemunhou que um profeta não tem honras

4.44
Mt 13.57
Mc 6.4
Lc 4.24
na sua própria terra. 45Assim, quando chegou à Galileia, os galileus o receberam, porque viram todas as coisas que ele fizera
4.45
Jo 2.23
em Jerusalém, por ocasião da festa, à qual eles também tinham comparecido.

A cura do filho de um oficial do rei

46Dirigiu-se, de novo, a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho.

4.46
Jo 2.1-11
Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. 47Tendo ouvido dizer que Jesus viera da Judeia para a Galileia, foi ter com ele e lhe rogou que descesse para curar seu filho, que estava à morte. 48Então, Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis. 49Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra. 50Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu. 51Já ele descia, quando os seus servos lhe vieram ao encontro, anunciando-lhe que o seu filho vivia. 52Então, indagou deles a que hora o seu filho se sentira melhor. Informaram: Ontem, à hora sétima a febre o deixou. 53Com isto, reconheceu o pai ser aquela precisamente a hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa. 54Foi este o segundo sinal que fez Jesus, depois de vir da Judeia para a Galileia.

5

A cura de um paralítico

51Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém.

2Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões. 3Nestes, jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos 4[esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse]. 5Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. 6Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? 7Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. 8Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. 9Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado. 10Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar

5.10
Ne 13.19
Jr 17.21
o leito. 11Ao que ele lhes respondeu: O mesmo que me curou me disse: Toma o teu leito e anda. 12Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? 13Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, por haver muita gente naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior. 15O homem retirou-se e disse aos judeus que fora Jesus quem o havia curado. 16E os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado. 17Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. 18Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

Jesus explica a sua missão

19Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. 20Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. 21Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer. 22E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento, 23a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. 26Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. 27E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. 28Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:

5.28
Dn 12.2
29os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.

30Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. 31Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. 32Outro é o que testifica a meu respeito, e sei que é verdadeiro o testemunho que ele dá de mim. 33Mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho

5.33
Jo 1.19-27
3.27-30
da verdade. 34Eu, porém, não aceito humano testemunho; digo-vos, entretanto, estas coisas para que sejais salvos. 35Ele era a lâmpada que ardia e alumiava, e vós quisestes, por algum tempo, alegrar-vos com a sua luz. 36Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou. 37O Pai,
5.37
Mt 3.17
Mc 1.11
Lc 3.22
que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma. 38Também não tendes a sua palavra permanente em vós, porque não credes naquele a quem ele enviou. 39Examinais5.39 Examinais; ou Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. 40Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida. 41Eu não aceito glória que vem dos homens; 42sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus. 43Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, certamente, o recebereis. 44Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único? 45Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. 46Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. 47Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?

6

A multiplicação de pães e peixes

Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17

61Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galileia, que é o de Tiberíades. 2Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos. 3Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos. 4Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima. 5Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer? 6Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer. 7Respondeu-lhe Filipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço. 8Um de seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus: 9Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas isto que é para tanta gente? 10Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. 11Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam. 12E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. 13Assim, pois, o fizeram e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que haviam comido. 14Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. 15Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.

Jesus anda por sobre o mar

Mt 14.22-33; Mc 6.45-52

16Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. 17E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles. 18E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava. 19Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor. 20Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais! 21Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.

Jesus, o pão da vida

22No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do mar notou que ali não havia senão um pequeno barco e que Jesus não embarcara nele com seus discípulos, tendo estes partido sós. 23Entretanto, outros barquinhos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, tendo o Senhor dado graças. 24Quando, pois, viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura. 25E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram: Mestre, quando chegaste aqui? 26Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. 27Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo. 28Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? 29Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado. 30Então, lhe disseram eles: Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos? 31Nossos pais comeram o maná

6.31
Êx 16.4,15
no deserto, como está escrito:

Deu-lhes a comer pão do céu.

6.31
Sl 78.24

32Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. 33Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. 34Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão. 35Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede. 36Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes. 37Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. 38Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. 39E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. 40De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

A murmuração dos judeus

41Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. 42E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu? 43Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas:

E serão todos ensinados por Deus.

6.45
Is 54.13

Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. 46Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto. 47Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. 50Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. 51Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.

52Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? 53Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. 54Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. 57Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. 58Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. 59Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.

Os discípulos escandalizados

60Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 61Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? 62Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? 63O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. 64Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. 65E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.

Muitos discípulos se retiram

66À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. 67Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? 68Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; 69e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

6.68-69
Mt 16.16
Mc 8.29
Lc 9.20
70Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo. 71Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze.