Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
2

As bodas em Caná da Galileia

21Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galileia, achando-se ali a mãe de Jesus. 2Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento. 3Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. 4Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. 5Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser.

2.5
Gn 41.55
6Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. 7Jesus lhes disse: Enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente. 8Então, lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram. 9Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo 10e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora. 11Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

12Depois disto, desceu ele para Cafarnaum,

2.12
Mt 4.13
com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

Jesus purifica o templo

13Estando próxima a Páscoa

2.13
Êx 12.1-27
dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. 14E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; 15tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas 16e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. 17Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito:

O zelo da tua casa me consumirá.

2.17
Sl 69.9

18Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas? 19Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário,
2.19
Mt 26.61
27.40
Mc 14.58
15.29
e em três dias o reconstruirei. 20Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? 21Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. 22Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.

Muitos creem em Jesus

23Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; 24mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. 25E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.

3

Nicodemos visita a Jesus

31Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. 2Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. 3A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 4Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? 5Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 6O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. 7Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. 8O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. 9Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: 10Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? 11Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho. 12Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? 13Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem [que está no céu]. 14E do modo por que Moisés levantou a serpente

3.14
Nm 21.9
no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

A missão do Filho

16Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 18Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. 19O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. 20Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. 21Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

Outro testemunho de João Batista

22Depois disto, foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judeia; ali permaneceu com eles e batizava. 23Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado. 24Pois João ainda não tinha sido encarcerado.

3.24
Mt 14.3
Mc 6.17
Lc 3.19-20

25Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação. 26E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro. 27Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. 28Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo,

3.28
Jo 1.20
mas fui enviado como seu precursor. 29O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. 30Convém que ele cresça e que eu diminua.

O Filho em relação ao mundo

31Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos 32e testifica o que tem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro. 34Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida. 35O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.

3.35
Mt 11.27
Lc 10.22
36Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.

4

A mulher de Samaria

41Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João 2(se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos), 3deixou a Judeia, retirando-se outra vez para a Galileia. 4E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. 5Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.

4.5
Gn 33.19
Js 24.32
6Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.

7Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos

4.9
Ed 4.1-5
Ne 4.1-2
)? 10Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado? 13Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. 15Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la. 16Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; 17ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; 18porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

A verdadeira adoração

19Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. 20Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. 21Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. 25Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas. 26Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo. 27Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela? 28Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: 29Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?! 30Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele.

A ceifa e os ceifeiros

31Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come! 32Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. 33Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer? 34Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. 36O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. 37Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro. 38Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

Muitos samaritanos creem em Jesus

39Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. 40Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam-lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias. 41Muitos outros creram nele, por causa da sua palavra, 42e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.

Jesus volta à Galileia

43Passados dois dias, partiu dali para a Galileia. 44Porque o mesmo Jesus testemunhou que um profeta não tem honras

4.44
Mt 13.57
Mc 6.4
Lc 4.24
na sua própria terra. 45Assim, quando chegou à Galileia, os galileus o receberam, porque viram todas as coisas que ele fizera
4.45
Jo 2.23
em Jerusalém, por ocasião da festa, à qual eles também tinham comparecido.

A cura do filho de um oficial do rei

46Dirigiu-se, de novo, a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho.

4.46
Jo 2.1-11
Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. 47Tendo ouvido dizer que Jesus viera da Judeia para a Galileia, foi ter com ele e lhe rogou que descesse para curar seu filho, que estava à morte. 48Então, Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis. 49Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra. 50Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu. 51Já ele descia, quando os seus servos lhe vieram ao encontro, anunciando-lhe que o seu filho vivia. 52Então, indagou deles a que hora o seu filho se sentira melhor. Informaram: Ontem, à hora sétima a febre o deixou. 53Com isto, reconheceu o pai ser aquela precisamente a hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa. 54Foi este o segundo sinal que fez Jesus, depois de vir da Judeia para a Galileia.