Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
17

A oração sacerdotal de Jesus

171Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, 2assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. 3E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; 5e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. 6Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. 7Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; 8porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; 10ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. 11Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. 12Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.

17.12
Sl 41.9
13Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos. 14Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. 15Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. 16Eles não são do mundo, como também eu não sou. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. 18Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; 21a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; 23eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. 24Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. 26Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.

18

Jesus no Getsêmani

Mt 26.47-56; Mc 14.43-50; Lc 22.47-53

181Tendo Jesus dito estas palavras, saiu juntamente com seus discípulos para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim; e aí entrou com eles. 2E Judas, o traidor, também conhecia aquele lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos. 3Tendo, pois, Judas recebido a escolta e, dos principais sacerdotes e dos fariseus, alguns guardas, chegou a este lugar com lanternas, tochas e armas. 4Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? 5Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. 6Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. 7Jesus, de novo, lhes perguntou: A quem buscais? Responderam: A Jesus, o Nazareno. 8Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes; 9para se cumprir a palavra que dissera: Não perdi nenhum dos que me deste. 10Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco. 11Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice

18.11
Mt 26.39
Mc 14.36
Lc 22.42
que o Pai me deu?

Jesus perante Anás

12Assim, a escolta, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus, manietaram-no 13e o conduziram primeiramente a Anás; pois era sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano. 14Ora, Caifás era quem havia declarado aos judeus

18.14
Jo 11.49-50
ser conveniente morrer um homem pelo povo.

Pedro nega a Jesus

Mt 26.69-75; Mc 14.66-72; Lc 22.55-62

15Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. Sendo este discípulo conhecido do sumo sacerdote, entrou para o pátio deste com Jesus. 16Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta. Saindo, pois, o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou com a encarregada da porta e levou a Pedro para dentro. 17Então, a criada, encarregada da porta, perguntou a Pedro: Não és tu também um dos discípulos deste homem? Não sou, respondeu ele. 18Ora, os servos e os guardas estavam ali, tendo acendido um braseiro, por causa do frio, e aquentavam-se. Pedro estava no meio deles, aquentando-se também.

Anás interroga a Jesus

19Então, o sumo sacerdote interrogou a Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20Declarou-lhe Jesus: Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que lhes falei; bem sabem eles o que eu disse. 22Dizendo ele isto, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que falas ao sumo sacerdote? 23Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres? 24Então, Anás o enviou, manietado, à presença de Caifás, o sumo sacerdote.

De novo, Pedro nega a Jesus

25Lá estava Simão Pedro, aquentando-se. Perguntaram-lhe, pois: És tu, porventura, um dos discípulos dele? Ele negou e disse: Não sou. 26Um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, perguntou: Não te vi eu no jardim com ele? 27De novo, Pedro o negou, e, no mesmo instante, cantou o galo.

Jesus perante Pilatos

Mt 27.1-2; Mc 15.1; Lc 23.1

28Depois, levaram Jesus da casa de Caifás para o pretório. Era cedo de manhã. Eles não entraram no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa. 29Então, Pilatos saiu para lhes falar e lhes disse: Que acusação trazeis contra este homem? 30Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos. 31Replicou-lhes, pois, Pilatos: Tomai-o vós outros e julgai-o segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: A nós não nos é lícito matar ninguém; 32para que se cumprisse a palavra de Jesus, significando o modo por que havia de morrer.

18.32
Jo 3.14
12.32

Pilatos interroga a Jesus

Mt 27.11-26; Mc 15.1-15; Lc 23.1-7,13-25

33Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? 34Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a meu respeito? 35Replicou Pilatos: Porventura, sou judeu? A tua própria gente e os principais sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste? 36Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. 37Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. 38Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade?

Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum. 39É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? 40Então, gritaram todos, novamente: Não este, mas Barrabás! Ora, Barrabás era salteador.

19

191Então, por isso, Pilatos tomou a Jesus e mandou açoitá-lo. 2Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e vestiram-no com um manto de púrpura. 3Chegavam-se a ele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. 4Outra vez saiu Pilatos e lhes disse: Eis que eu vo-lo apresento, para que saibais que eu não acho nele crime algum. 5Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: Eis o homem! 6Ao verem-no, os principais sacerdotes e os seus guardas gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum. 7Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus. 8Pilatos, ouvindo tal declaração, ainda mais atemorizado ficou, 9e, tornando a entrar no pretório, perguntou a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? 11Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem.

12A partir deste momento, Pilatos procurava soltá-lo, mas os judeus clamavam: Se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César! 13Ouvindo Pilatos estas palavras, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, no hebraico Gabatá. 14E era a parasceve19.14 parasceve: sexta-feira pascal, cerca da hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso rei. 15Eles, porém, clamavam: Fora! Fora! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César! 16Então, Pilatos o entregou para ser crucificado.

A crucificação

Mt 27.33-44; Mc 15.22-32; Lc 23.33-43

17Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico, 18onde o crucificaram e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus. 20Muitos judeus leram este título, porque o lugar em que Jesus fora crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Os principais sacerdotes diziam a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, e sim que ele disse: Sou o rei dos judeus. 22Respondeu Pilatos: O que escrevi escrevi.

Os soldados deitam sortes

23Os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, tomaram-lhe as vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo. 24Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela para ver a quem caberá — para se cumprir a Escritura:

Repartiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes.

19.24
Sl 22.18

Assim, pois, o fizeram os soldados.

25E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.

A morte de Jesus

Mt 27.45-56; Mc 15.33-41; Lc 23.44-49

28Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! 29Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca.

19.28-29
Sl 69.21
30Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.

Um soldado abre o lado de Jesus com uma lança

31Então, os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. 32Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinham sido crucificados; 33chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. 34Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35Aquele que isto viu testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais. 36E isto aconteceu para se cumprir a Escritura:

Nenhum dos seus ossos será quebrado.

19.36
Êx 12.46
Nm 9.12
Sl 34.20

37E outra vez diz a Escritura:

Eles verão aquele a quem traspassaram.

19.37
Zc 12.10
Ap 1.7

O sepultamento de Jesus

Mt 27.57-61; Mc 15.42-47; Lc 23.50-56

38Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que ocultamente pelo receio que tinha dos judeus, rogou a Pilatos lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. Pilatos lho permitiu. Então, foi José de Arimateia e retirou o corpo de Jesus. 39E também Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus à noite,

19.39
Jo 3.1
foi, levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés. 40Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro. 41No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e neste, um sepulcro novo, no qual ninguém tinha sido ainda posto. 42Ali, pois, por causa da preparação dos judeus e por estar perto o túmulo, depositaram o corpo de Jesus.

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