Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
16

A missão do Consolador

161Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. 2Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. 3Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim. 4Ora, estas coisas vos tenho dito para que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco. 5Mas, agora, vou para junto daquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? 6Pelo contrário, porque vos tenho dito estas coisas, a tristeza encheu o vosso coração. 7Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. 8Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: 9do pecado, porque não creem em mim; 10da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; 11do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. 12Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; 13quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. 14Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. 15Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

16Um pouco, e não mais me vereis; outra vez um pouco, e ver-me-eis. 17Então, alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que vem a ser isto que nos diz: Um pouco, e não mais me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Vou para o Pai? 18Diziam, pois: Que vem a ser esse — um pouco? Não compreendemos o que quer dizer. 19Percebendo Jesus que desejavam interrogá-lo, perguntou-lhes: Indagais entre vós a respeito disto que vos disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis? 20Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. 21A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem. 22Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. 23Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. 24Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Palavras de despedida

25Estas coisas vos tenho dito por meio de figuras; vem a hora em que não vos falarei por meio de comparações, mas vos falarei claramente a respeito do Pai. 26Naquele dia, pedireis em meu nome; e não vos digo que rogarei ao Pai por vós. 27Porque o próprio Pai vos ama, visto que me tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus. 28Vim do Pai e entrei no mundo; todavia, deixo o mundo e vou para o Pai.

29Disseram os seus discípulos: Agora é que falas claramente e não empregas nenhuma figura. 30Agora, vemos que sabes todas as coisas e não precisas de que alguém te pergunte; por isso, cremos que, de fato, vieste de Deus. 31Respondeu-lhes Jesus: Credes agora? 32Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo. 33Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.

17

A oração sacerdotal de Jesus

171Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, 2assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. 3E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; 5e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. 6Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. 7Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; 8porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; 10ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. 11Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. 12Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.

17.12
Sl 41.9
13Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos. 14Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. 15Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. 16Eles não são do mundo, como também eu não sou. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. 18Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; 21a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; 23eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. 24Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. 26Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.

18

Jesus no Getsêmani

Mt 26.47-56; Mc 14.43-50; Lc 22.47-53

181Tendo Jesus dito estas palavras, saiu juntamente com seus discípulos para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim; e aí entrou com eles. 2E Judas, o traidor, também conhecia aquele lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos. 3Tendo, pois, Judas recebido a escolta e, dos principais sacerdotes e dos fariseus, alguns guardas, chegou a este lugar com lanternas, tochas e armas. 4Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? 5Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. 6Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. 7Jesus, de novo, lhes perguntou: A quem buscais? Responderam: A Jesus, o Nazareno. 8Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes; 9para se cumprir a palavra que dissera: Não perdi nenhum dos que me deste. 10Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco. 11Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice

18.11
Mt 26.39
Mc 14.36
Lc 22.42
que o Pai me deu?

Jesus perante Anás

12Assim, a escolta, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus, manietaram-no 13e o conduziram primeiramente a Anás; pois era sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano. 14Ora, Caifás era quem havia declarado aos judeus

18.14
Jo 11.49-50
ser conveniente morrer um homem pelo povo.

Pedro nega a Jesus

Mt 26.69-75; Mc 14.66-72; Lc 22.55-62

15Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. Sendo este discípulo conhecido do sumo sacerdote, entrou para o pátio deste com Jesus. 16Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta. Saindo, pois, o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou com a encarregada da porta e levou a Pedro para dentro. 17Então, a criada, encarregada da porta, perguntou a Pedro: Não és tu também um dos discípulos deste homem? Não sou, respondeu ele. 18Ora, os servos e os guardas estavam ali, tendo acendido um braseiro, por causa do frio, e aquentavam-se. Pedro estava no meio deles, aquentando-se também.

Anás interroga a Jesus

19Então, o sumo sacerdote interrogou a Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20Declarou-lhe Jesus: Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que lhes falei; bem sabem eles o que eu disse. 22Dizendo ele isto, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que falas ao sumo sacerdote? 23Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres? 24Então, Anás o enviou, manietado, à presença de Caifás, o sumo sacerdote.

De novo, Pedro nega a Jesus

25Lá estava Simão Pedro, aquentando-se. Perguntaram-lhe, pois: És tu, porventura, um dos discípulos dele? Ele negou e disse: Não sou. 26Um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, perguntou: Não te vi eu no jardim com ele? 27De novo, Pedro o negou, e, no mesmo instante, cantou o galo.

Jesus perante Pilatos

Mt 27.1-2; Mc 15.1; Lc 23.1

28Depois, levaram Jesus da casa de Caifás para o pretório. Era cedo de manhã. Eles não entraram no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa. 29Então, Pilatos saiu para lhes falar e lhes disse: Que acusação trazeis contra este homem? 30Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos. 31Replicou-lhes, pois, Pilatos: Tomai-o vós outros e julgai-o segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: A nós não nos é lícito matar ninguém; 32para que se cumprisse a palavra de Jesus, significando o modo por que havia de morrer.

18.32
Jo 3.14
12.32

Pilatos interroga a Jesus

Mt 27.11-26; Mc 15.1-15; Lc 23.1-7,13-25

33Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? 34Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a meu respeito? 35Replicou Pilatos: Porventura, sou judeu? A tua própria gente e os principais sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste? 36Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. 37Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. 38Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade?

Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum. 39É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? 40Então, gritaram todos, novamente: Não este, mas Barrabás! Ora, Barrabás era salteador.

Utilizamos cookies de acordo com o nossa Política de Privacidade, respeitando todos as suas informações pessoais.[ocultar]