Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
11

A ressurreição de Lázaro

111Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã

11.1
Lc 10.38-39
Marta. 2Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor
11.2
Jo 12.3
e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. 3Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. 4Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. 5Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. 7Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judeia. 8Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá? 9Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. 11Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo. 12Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. 13Jesus, porém, falara com respeito à morte de Lázaro; mas eles supunham que tivesse falado do repouso do sono. 14Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu; 15e por vossa causa me alegro de que lá não estivesse, para que possais crer; mas vamos ter com ele. 16Então, Tomé, chamado Dídimo, disse aos condiscípulos: Vamos também nós para morrermos com ele.

17Chegando Jesus, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias. 18Ora, Betânia estava cerca de quinze estádios perto de Jerusalém. 19Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão. 20Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa. 21Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. 22Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. 23Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. 24Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. 25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; 26e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? 27Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.

28Tendo dito isto, retirou-se e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: O Mestre chegou e te chama. 29Ela, ouvindo isto, levantou-se depressa e foi ter com ele, 30pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia onde Marta se avistara com ele. 31Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, supondo que ela ia ao túmulo para chorar. 32Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido. 33Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. 34E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! 35Jesus chorou. 36Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava. 37Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse? 38Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo; era este uma gruta a cuja entrada tinham posto uma pedra. 39Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias. 40Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus? 41Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. 42Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. 43E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! 44Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.

45Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. 46Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara.

O plano para tirar a vida de Jesus

47Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? 48Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação. 49Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, 50nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação. 51Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação 52e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos. 53Desde aquele dia, resolveram matá-lo. 54De sorte que Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os discípulos.

55Estava próxima a Páscoa dos judeus; e muitos daquela região subiram para Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem. 56Lá, procuravam Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros: Que vos parece? Não virá ele à festa? 57Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem.

12

Jesus ungido por Maria em Betânia

Mt 26.6-13; Mc 14.3-9

121Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. 2Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. 3Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. 4Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: 5Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? 6Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. 7Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem; 8porque os pobres, sempre os tendes convosco,

12.8
Dt 15.11
mas a mim nem sempre me tendes.

O plano para tirar a vida de Lázaro

9Soube numerosa multidão dos judeus que Jesus estava ali, e lá foram não só por causa dele, mas também para verem Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. 10Mas os principais sacerdotes resolveram matar também Lázaro; 11porque muitos dos judeus, por causa dele, voltavam crendo em Jesus.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Lc 19.28-40

12No dia seguinte, a numerosa multidão que viera à festa, tendo ouvido que Jesus estava de caminho para Jerusalém, 13tomou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel!

12.13
Sl 118.25-26
14E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, segundo está escrito:

15Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta.

12.15
Zc 9.9

16Seus discípulos a princípio não compreenderam isto; quando, porém, Jesus foi glorificado, então, eles se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito dele e também de que isso lhe fizeram. 17Dava, pois, testemunho disto a multidão que estivera com ele, quando chamara a Lázaro do túmulo e o levantara dentre os mortos. 18Por causa disso, também, a multidão lhe saiu ao encontro, pois ouviu que ele fizera este sinal. 19De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele.

Alguns gregos desejam ver Jesus

20Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; 21estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. 22Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. 23Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. 24Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. 25Quem ama a sua vida perde-a;

12.25
Mt 10.39
16.25
Mc 8.35
Lc 9.24
17.33
mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. 27Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. 29A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. 30Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. 31Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. 32E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. 33Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. 34Replicou-lhe, pois, a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre,
12.34
Sl 110.4
Is 9.7
Ez 37.25
Dn 7.14
e como dizes tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? 35Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. 36Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles.

A explicação da incredulidade dos judeus

37E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, 38para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz:

Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

12.38
Is 53.1

39Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda:

40Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.

12.40
Is 6.10

41Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito. 42Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; 43porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

O resumo do ensino de Jesus

44E Jesus clamou, dizendo: Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou. 45E quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia. 49Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar. 50E sei que o seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que eu falo, como o Pai mo tem dito, assim falo.

13

Jesus lava os pés aos discípulos

131Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, 3sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, 4levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. 5Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. 6Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim? 7Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois. 8Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. 9Então, Pedro lhe pediu: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos. 11Pois ele sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: Nem todos estais limpos.

Uma lição de humildade

12Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? 13Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. 14Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

13.12-15
Lc 22.27
16Em verdade, em verdade vos digo que o servo
13.16
Mt 10.24
Lc 6.40
Jo 15.20
não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. 17Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes. 18Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura:

Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.

13.18
Sl 41.9

19Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que Eu Sou. 20Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviar,
13.20
Mt 10.40
Mc 9.37
Lc 9.48
10.16
a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.

O traidor indicado

21Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. 22Então, os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia. 23Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava; 24a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere. 25Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é? 26Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa. 28Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu a que fim lhe dissera isto. 29Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres. 30Ele, tendo recebido o bocado, saiu logo. E era noite.

O novo mandamento

31Quando ele saiu, disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; 32se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente. 33Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco; buscar-me-eis, e o que eu disse aos judeus também agora vos digo a vós outros: para onde eu vou, vós não podeis ir.

13.33
Jo 7.34
34Novo mandamento
13.34
Jo 15.12-17
1Jo 3.23
2Jo 5
vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. 35Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

Pedro é avisado

Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34

36Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Respondeu Jesus: Para onde vou, não me podes seguir agora; mais tarde, porém, me seguirás. 37Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida. 38Respondeu Jesus: Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que jamais cantará o galo antes que me negues três vezes.