Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
10

Jesus, o bom pastor

101Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. 2Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. 3Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. 4Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; 5mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6Jesus lhes propôs esta parábola, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que lhes falava.

7Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. 8Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. 9Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. 10O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. 11Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. 13O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, 15assim como o Pai me conhece

10.15
Mt 11.27
Lc 10.22
a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. 16Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. 17Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. 18Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.

Nova dissensão entre os judeus

19Por causa dessas palavras, rompeu nova dissensão entre os judeus. 20Muitos deles diziam: Ele tem demônio e enlouqueceu; por que o ouvis? 21Outros diziam: Este modo de falar não é de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?

A Festa da Dedicação. Jesus é interrogado

22Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão. 24Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. 25Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. 26Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. 30Eu e o Pai somos um.

31Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. 32Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais? 33Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia,

10.33
Lv 24.16
pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. 34Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei:

Eu disse: sois deuses?

10.34
Sl 82.6

35Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar, 36então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: sou Filho de Deus? 37Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; 38mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai. 39Nesse ponto, procuravam, outra vez, prendê-lo; mas ele se livrou das suas mãos.

40Novamente, se retirou para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio;

10.40
Jo 1.28
e ali permaneceu. 41E iam muitos ter com ele e diziam: Realmente, João não fez nenhum sinal, porém tudo quanto disse a respeito deste era verdade. 42E muitos ali creram nele.

11

A ressurreição de Lázaro

111Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã

11.1
Lc 10.38-39
Marta. 2Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor
11.2
Jo 12.3
e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. 3Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. 4Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. 5Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. 7Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judeia. 8Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá? 9Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. 11Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo. 12Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. 13Jesus, porém, falara com respeito à morte de Lázaro; mas eles supunham que tivesse falado do repouso do sono. 14Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu; 15e por vossa causa me alegro de que lá não estivesse, para que possais crer; mas vamos ter com ele. 16Então, Tomé, chamado Dídimo, disse aos condiscípulos: Vamos também nós para morrermos com ele.

17Chegando Jesus, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias. 18Ora, Betânia estava cerca de quinze estádios perto de Jerusalém. 19Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão. 20Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa. 21Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. 22Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. 23Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. 24Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. 25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; 26e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? 27Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.

28Tendo dito isto, retirou-se e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: O Mestre chegou e te chama. 29Ela, ouvindo isto, levantou-se depressa e foi ter com ele, 30pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia onde Marta se avistara com ele. 31Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, supondo que ela ia ao túmulo para chorar. 32Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido. 33Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. 34E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! 35Jesus chorou. 36Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava. 37Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse? 38Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo; era este uma gruta a cuja entrada tinham posto uma pedra. 39Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias. 40Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus? 41Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. 42Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. 43E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! 44Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.

45Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. 46Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara.

O plano para tirar a vida de Jesus

47Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? 48Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação. 49Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, 50nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação. 51Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação 52e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos. 53Desde aquele dia, resolveram matá-lo. 54De sorte que Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os discípulos.

55Estava próxima a Páscoa dos judeus; e muitos daquela região subiram para Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem. 56Lá, procuravam Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros: Que vos parece? Não virá ele à festa? 57Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem.

12

Jesus ungido por Maria em Betânia

Mt 26.6-13; Mc 14.3-9

121Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. 2Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. 3Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. 4Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: 5Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? 6Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. 7Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem; 8porque os pobres, sempre os tendes convosco,

12.8
Dt 15.11
mas a mim nem sempre me tendes.

O plano para tirar a vida de Lázaro

9Soube numerosa multidão dos judeus que Jesus estava ali, e lá foram não só por causa dele, mas também para verem Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. 10Mas os principais sacerdotes resolveram matar também Lázaro; 11porque muitos dos judeus, por causa dele, voltavam crendo em Jesus.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Lc 19.28-40

12No dia seguinte, a numerosa multidão que viera à festa, tendo ouvido que Jesus estava de caminho para Jerusalém, 13tomou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel!

12.13
Sl 118.25-26
14E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, segundo está escrito:

15Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta.

12.15
Zc 9.9

16Seus discípulos a princípio não compreenderam isto; quando, porém, Jesus foi glorificado, então, eles se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito dele e também de que isso lhe fizeram. 17Dava, pois, testemunho disto a multidão que estivera com ele, quando chamara a Lázaro do túmulo e o levantara dentre os mortos. 18Por causa disso, também, a multidão lhe saiu ao encontro, pois ouviu que ele fizera este sinal. 19De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele.

Alguns gregos desejam ver Jesus

20Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; 21estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. 22Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. 23Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. 24Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. 25Quem ama a sua vida perde-a;

12.25
Mt 10.39
16.25
Mc 8.35
Lc 9.24
17.33
mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. 27Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. 29A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. 30Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. 31Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. 32E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. 33Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. 34Replicou-lhe, pois, a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre,
12.34
Sl 110.4
Is 9.7
Ez 37.25
Dn 7.14
e como dizes tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? 35Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. 36Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles.

A explicação da incredulidade dos judeus

37E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, 38para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz:

Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

12.38
Is 53.1

39Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda:

40Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.

12.40
Is 6.10

41Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito. 42Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; 43porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

O resumo do ensino de Jesus

44E Jesus clamou, dizendo: Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou. 45E quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia. 49Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar. 50E sei que o seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que eu falo, como o Pai mo tem dito, assim falo.