Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
9

A cura de um cego de nascença

91Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. 2E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? 3Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus. 4É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

9.5
Mt 5.14
Jo 8.12
6Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego, 7dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo. 8Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas? 9Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu. 10Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos? 11Respondeu ele: O homem chamado Jesus fez lodo, untou-me os olhos e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, lavei-me e estou vendo. 12Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

Os fariseus interrogam o cego

13Levaram, pois, aos fariseus o que dantes fora cego. 14E era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. 15Então, os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram como chegara a ver; ao que lhes respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo. 16Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais? E houve dissensão entre eles. 17De novo, perguntaram ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele.

18Não acreditaram os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais 19e os interrogaram: É este o vosso filho, de quem dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora? 20Então, os pais responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego; 21mas não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo. 22Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga. 23Por isso, é que disseram os pais: Ele idade tem, interrogai-o.

24Então, chamaram, pela segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. 25Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo. 26Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? como te abriu os olhos? 27Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse, e não atendestes; por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos seus discípulos? 28Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés. 29Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é. 30Respondeu-lhes o homem: Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos. 31Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende. 32Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito. 34Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.

Jesus revela-se ao cego

35Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem? 36Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia? 37E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo. 38Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou. 39Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos. 40Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos? 41Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.

10

Jesus, o bom pastor

101Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. 2Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. 3Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. 4Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; 5mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6Jesus lhes propôs esta parábola, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que lhes falava.

7Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. 8Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. 9Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. 10O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. 11Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. 13O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, 15assim como o Pai me conhece

10.15
Mt 11.27
Lc 10.22
a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. 16Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. 17Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. 18Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.

Nova dissensão entre os judeus

19Por causa dessas palavras, rompeu nova dissensão entre os judeus. 20Muitos deles diziam: Ele tem demônio e enlouqueceu; por que o ouvis? 21Outros diziam: Este modo de falar não é de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?

A Festa da Dedicação. Jesus é interrogado

22Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão. 24Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. 25Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. 26Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. 30Eu e o Pai somos um.

31Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. 32Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais? 33Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia,

10.33
Lv 24.16
pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. 34Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei:

Eu disse: sois deuses?

10.34
Sl 82.6

35Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar, 36então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: sou Filho de Deus? 37Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; 38mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai. 39Nesse ponto, procuravam, outra vez, prendê-lo; mas ele se livrou das suas mãos.

40Novamente, se retirou para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio;

10.40
Jo 1.28
e ali permaneceu. 41E iam muitos ter com ele e diziam: Realmente, João não fez nenhum sinal, porém tudo quanto disse a respeito deste era verdade. 42E muitos ali creram nele.

11

A ressurreição de Lázaro

111Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã

11.1
Lc 10.38-39
Marta. 2Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor
11.2
Jo 12.3
e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. 3Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. 4Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. 5Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. 7Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judeia. 8Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá? 9Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. 11Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo. 12Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. 13Jesus, porém, falara com respeito à morte de Lázaro; mas eles supunham que tivesse falado do repouso do sono. 14Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu; 15e por vossa causa me alegro de que lá não estivesse, para que possais crer; mas vamos ter com ele. 16Então, Tomé, chamado Dídimo, disse aos condiscípulos: Vamos também nós para morrermos com ele.

17Chegando Jesus, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias. 18Ora, Betânia estava cerca de quinze estádios perto de Jerusalém. 19Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão. 20Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa. 21Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. 22Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. 23Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. 24Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. 25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; 26e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? 27Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.

28Tendo dito isto, retirou-se e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: O Mestre chegou e te chama. 29Ela, ouvindo isto, levantou-se depressa e foi ter com ele, 30pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia onde Marta se avistara com ele. 31Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, supondo que ela ia ao túmulo para chorar. 32Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido. 33Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. 34E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! 35Jesus chorou. 36Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava. 37Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse? 38Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo; era este uma gruta a cuja entrada tinham posto uma pedra. 39Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias. 40Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus? 41Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. 42Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. 43E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! 44Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.

45Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. 46Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara.

O plano para tirar a vida de Jesus

47Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? 48Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação. 49Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, 50nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação. 51Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação 52e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos. 53Desde aquele dia, resolveram matá-lo. 54De sorte que Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os discípulos.

55Estava próxima a Páscoa dos judeus; e muitos daquela região subiram para Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem. 56Lá, procuravam Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros: Que vos parece? Não virá ele à festa? 57Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem.

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