Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
6

Jerusalém será sitiada

61Fugi, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém; tocai a trombeta em Tecoa e levantai o facho sobre Bete-Haquerém, porque do lado do Norte surge um grande mal, uma grande calamidade. 2A formosa e delicada, a filha de Sião, eu deixarei em ruínas. 3Contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão suas tendas em redor, e cada um apascentará no seu devido lugar. 4Preparai a guerra contra ela, disponde-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de nós, que já declina o dia, já se vão estendendo as sombras da tarde! 5Disponde-vos, e subamos de noite e destruamos os seus castelos. 6Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Cortai árvores e levantai tranqueiras contra Jerusalém. Esta é a cidade que há de ser punida; só opressão há no meio dela. 7Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente. 8Aceita a disciplina, ó Jerusalém, para que eu não me aparte de ti; para que eu não te torne em assolação e terra não habitada.

As iniquidades de Jerusalém são a causa de sua queda

9Assim diz o Senhor dos Exércitos: Diligentemente se rebuscarão os resíduos de Israel como uma vinha; vai metendo a mão, como o vindimador, por entre os sarmentos. 10A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela. 11Pelo que estou cheio da ira do Senhor; estou cansado de a conter. Derramá-la-ei sobre as crianças pelas ruas e nas reuniões de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho, com o decrépito. 12As suas casas passarão a outrem, os campos e também as mulheres, porque estenderei a mão contra os habitantes desta terra, diz o Senhor, 13porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. 14Curam superficialmente a ferida

6.14
Jr 8.11
Ez 13.10
do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. 15Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o Senhor.

16Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma;

6.16
Mt 11.29
mas eles dizem: Não andaremos. 17Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem: Não escutaremos. 18Portanto, ouvi, ó nações, e informa-te, ó congregação, do que se fará entre eles! 19Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei. 20Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática de terras longínquas? Os vossos holocaustos não me são aprazíveis, e os vossos sacrifícios não me agradam. 21Portanto, assim diz o Senhor: Eis que ponho tropeços a este povo; neles cairão pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão.

O inimigo do Norte

22Assim diz o Senhor: Eis que um povo vem da terra do Norte, e uma grande nação se levanta dos confins da terra. 23Trazem arco e dardo; eles são cruéis e não usam de misericórdia; a sua voz ruge como o mar, e em cavalos vêm montados, como guerreiros em ordem de batalha contra ti, ó filha de Sião. 24Ao ouvirmos a sua fama, afrouxam-se as nossas mãos, angústia nos toma e dores como de parturiente. 25Não saias ao campo, nem andes pelo caminho, porque o inimigo tem espada, e há terror por todos os lados. 26Ó filha do meu povo, cinge-te de cilício e revolve-te na cinza; pranteia como por filho único, pranto de amarguras; porque, de súbito, virá o destruidor sobre nós.

O trabalho inútil de Jeremias

27Qual acrisolador te estabeleci entre o meu povo, qual fortaleza, para que venhas a conhecer o seu caminho e o examines. 28Todos eles são os mais rebeldes e andam espalhando calúnias; são bronze e ferro, são todos corruptores. 29O fole bufa, só chumbo resulta do seu fogo; em vão continua o depurador, porque os iníquos não são separados. 30Prata de refugo lhes chamarão, porque o Senhor os refugou.

7

O templo não protege a nação iníqua

71Palavra que da parte do Senhor foi dita a Jeremias: 2Põe-te à porta da Casa do Senhor, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do Senhor, todos de Judá, vós, os que entrais por estas portas, para adorardes ao Senhor. 3Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e eu vos farei habitar neste lugar. 4Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este. 5Mas, se deveras emendardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras praticardes a justiça, cada um com o seu próximo; 6se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, 7eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.

8Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. 9Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, 10e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações! 11Será esta casa que se chama pelo meu nome um covil de salteadores

7.11
Mt 21.13
Mc 11.17
Lc 19.46
aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor.

12Mas ide agora ao meu lugar que estava em Siló, onde, no princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo de Israel. 13Agora, pois, visto que fazeis todas estas obras, diz o Senhor, e eu vos falei, começando de madrugada, e não me ouvistes, chamei-vos, e não me respondestes, 14farei também a esta casa que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós outros e a vossos pais, como fiz a Siló.

7.12-14
Js 18.1
Sl 78.60
Jr 26.6
15Lançar-vos-ei da minha presença, como arrojei a todos os vossos irmãos, a toda a posteridade de Efraim.

A intercessão do profeta não salvará o povo rebelde

16Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei. 17Acaso, não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém? 18Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à Rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira. 19Acaso, é a mim que eles provocam à ira, diz o Senhor, e não, antes, a si mesmos, para a sua própria vergonha? 20Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, sobre as árvores do campo e sobre os frutos da terra; arderá e não se apagará.

A mera multiplicação dos sacrifícios é debalde

21Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios e comei carne. 22Porque nada falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. 23Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem. 24Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante. 25Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei. 26Mas não me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais.

27Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão. 28Dir-lhes-ás: Esta é a nação que não atende à voz do Senhor, seu Deus, e não aceita a disciplina; já pereceu, a verdade foi eliminada da sua boca.

Judá rejeitado por Deus

29Corta os teus cabelos consagrados, ó Jerusalém, e põe-te a prantear sobre os altos desnudos; porque já o Senhor rejeitou e desamparou a geração objeto do seu furor; 30porque os filhos de Judá fizeram o que era mau perante mim, diz o Senhor; puseram os seus ídolos abomináveis na casa que se chama pelo meu nome, para a contaminarem. 31Edificaram os altos de Tofete,

7.31
2Rs 23.10
Jr 32.34-35
que está no vale do filho de Hinom, para queimarem a seus filhos
7.31
Lv 18.21
e a suas filhas; o que nunca ordenei, nem me passou pela mente. 32Portanto, eis que virão dias, diz o Senhor, em que já não se chamará Tofete, nem vale do filho de Hinom, mas o vale da Matança; os mortos serão enterrados em Tofete por não haver outro lugar. 33Os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém haverá que os espante. 34Farei cessar
7.34
Jr 16.9
25.10
Ap 18.23
nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém a voz de folguedo e a de alegria, a voz de noivo e a de noiva; porque a terra se tornará em desolação.

8

81Naquele tempo, diz o Senhor, lançarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis e dos príncipes de Judá, os ossos dos sacerdotes e dos profetas e os ossos dos habitantes de Jerusalém; 2espalhá-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem serviram, e após quem tinham ido, e a quem procuraram, e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos, nem sepultados; serão como esterco sobre a terra. 3Escolherão antes a morte do que a vida todos os que restarem desta raça malvada que ficar nos lugares para onde os dispersei, diz o Senhor dos Exércitos.

O castigo é inevitável

4Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Quando caem os homens, não se tornam a levantar? Quando alguém se desvia do caminho, não torna a voltar? 5Por que, pois, este povo de Jerusalém se desvia, apostatando continuamente? Persiste no engano e não quer voltar. 6Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um corre a sua carreira como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha. 7Até a cegonha no céu conhece as suas estações; a rola, a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo do Senhor. 8Como, pois, dizeis: Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Pois, com efeito, a falsa pena dos escribas a converteu em mentira. 9Os sábios serão envergonhados, aterrorizados e presos; eis que rejeitaram a palavra do Senhor; que sabedoria é essa que eles têm? 10Portanto, darei suas mulheres a outros, e os seus campos, a novos possuidores; porque, desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. 11Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. 12Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o Senhor. 13Eu os consumirei de todo, diz o Senhor; não haverá uvas na vide, nem figos na figueira, e a folha já está murcha; e já lhes designei os que passarão sobre eles.

14Por que estamos ainda assentados aqui? Reuni-vos, e entremos nas cidades fortificadas e ali pereçamos; pois o Senhor já nos decretou o perecimento e nos deu a beber água venenosa, porquanto pecamos contra o Senhor. 15Espera-se a paz, e nada há de bom; o tempo da cura, e eis o terror. 16Desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos; toda a terra treme à voz dos rinchos dos seus garanhões; e vêm e devoram a terra e a sua abundância, a cidade e os que habitam nela. 17Porque eis que envio para entre vós serpentes, áspides contra as quais não há encantamento, e vos morderão, diz o Senhor.

A dor do profeta por causa da ruína do povo

18Oh! Se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece dentro de mim. 19Eis a voz do clamor da filha do meu povo de terra mui remota: Não está o Senhor em Sião? Não está nela o seu Rei? Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com os ídolos dos estrangeiros? 20Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos. 21Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; estou de luto; o espanto se apoderou de mim. 22Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?