Almeida Revista e Atualizada (1993) (ARA)
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41Se voltares, ó Israel, diz o Senhor, volta para mim; se removeres as tuas abominações de diante de mim, não mais andarás vagueando; 2se jurares pela vida do Senhor, em verdade, em juízo e em justiça, então, nele serão benditas as nações e nele se glorificarão. 3Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e Jerusalém: Lavrai para vós outros campo novo

4.3
Os 10.12
e não semeeis entre espinhos.

4Circuncidai-vos para o Senhor, circuncidai o vosso coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém, para que o meu furor não saia como fogo e arda, e não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras.

Vem do Norte o mal

5Anunciai em Judá, fazei ouvir em Jerusalém e dizei: Tocai a trombeta na terra! Gritai em alta voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas! 6Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi e não vos detenhais; porque eu faço vir do Norte um mal, uma grande destruição. 7Já um leão subiu da sua ramada, um destruidor das nações; ele já partiu, já deixou o seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém as habite. 8Cingi-vos, pois, de cilício, lamentai e uivai; porque a ira ardente do Senhor não se desviou de nós. 9Sucederá naquele dia, diz o Senhor, que o rei e os príncipes perderão a coragem, os sacerdotes ficarão pasmados, e os profetas, estupefatos. 10Então, disse eu: Ah! Senhor Deus! Verdadeiramente, enganaste a este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; e eis que a espada lhe penetra até à alma.

11Naquele tempo, se dirá a este povo e a Jerusalém: Vento abrasador dos altos desnudos do ermo assopra diretamente à filha do meu povo, não para padejar nem para alimpar. 12Vento mais forte do que este virá ainda de minha parte, e, então, também eu pronunciarei a sentença contra eles. 13Eis aí que sobe o destruidor como nuvens; os seus carros, como tempestade; os seus cavalos são mais ligeiros do que as águias. Ai de nós! Estamos arruinados! 14Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva! Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?

15Uma voz se faz ouvir desde Dã e anuncia a calamidade desde a região montanhosa de Efraim! 16Proclamai isto às nações, fazei-o ouvir contra Jerusalém: De uma terra longínqua vêm sitiadores e levantam a voz contra as cidades de Judá. 17Como os guardas de um campo, eles cercam Jerusalém, porque ela se rebelou contra mim, diz o Senhor. 18O teu proceder e as tuas obras fizeram vir sobre ti estas coisas; a tua calamidade, que é amarga, atinge até o próprio coração.

19Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra. 20Golpe sobre golpe se anuncia, pois a terra toda já está destruída; de súbito, foram destruídas as minhas tendas; num momento, as suas lonas. 21Até quando terei de ver a bandeira, terei de ouvir a voz da trombeta? 22Deveras, o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes; são sábios para o mal e não sabem fazer o bem. 23Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz. 24Olhei para os montes, e eis que tremiam, e todos os outeiros estremeciam. 25Olhei, e eis que não havia homem nenhum, e todas as aves dos céus haviam fugido. 26Olhei ainda, e eis que a terra fértil era um deserto, e todas as suas cidades estavam derribadas diante do Senhor, diante do furor da sua ira.

27Pois assim diz o Senhor: Toda a terra será assolada; porém não a consumirei de todo. 28Por isso, a terra pranteará, e os céus acima se enegrecerão; porque falei, resolvi e não me arrependo, nem me retrato. 29Ao clamor dos cavaleiros e dos flecheiros, fogem todas as cidades, entram pelas selvas e sobem pelos penhascos; todas as cidades ficam desamparadas, e já ninguém habita nelas.

30Agora, pois, ó assolada, por que fazes assim, e te vestes de escarlata, e te adornas com enfeites de ouro, e alargas os olhos com pinturas, se debalde te fazes bela? Os amantes te desprezam e procuram tirar-te a vida. 31Pois ouço uma voz, como de parturiente, uma angústia como da primípara em suas dores; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as mãos, dizendo: Ai de mim agora! Porque a minha alma desfalece por causa dos assassinos.

5

Os pecados de Jerusalém e de Judá

51Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela. 2Embora digam: Tão certo como vive o Senhor, certamente, juram falso. 3Ah! Senhor, não é para a fidelidade que atentam os teus olhos? Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram o rosto mais do que uma rocha; não quiseram voltar. 4Mas eu pensei: são apenas os pobres que são insensatos, pois não sabem o caminho do Senhor, o direito do seu Deus. 5Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do Senhor, o direito do seu Deus; mas estes, de comum acordo, quebraram o jugo e romperam as algemas. 6Por isso, um leão do bosque os matará, um lobo dos desertos os assolará, um leopardo estará à espreita das suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se multiplicaram, multiplicaram-se as suas perfídias.

7Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; depois de eu os ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos; 8como garanhões bem fartos, correm de um lado para outro, cada um rinchando à mulher do seu companheiro. 9Deixaria eu de castigar estas coisas, diz o Senhor, ou não me vingaria de nação como esta?

10Subi vós aos terraços da vinha, destruí-a, porém não de todo; tirai-lhe as gavinhas, porque não são do Senhor. 11Porque perfidamente se houveram contra mim, a casa de Israel e a casa de Judá, diz o Senhor. 12Negaram ao Senhor e disseram: Não é ele; e: Nenhum mal nos sobrevirá; não veremos espada nem fome. 13Até os profetas não passam de vento, porque a palavra não está com eles, as suas ameaças se cumprirão contra eles mesmos. 14Portanto, assim diz o Senhor, o Deus dos Exércitos: Visto que proferiram eles tais palavras, eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca e a este povo, em lenha, e eles serão consumidos. 15Eis que trago sobre ti uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o Senhor; nação robusta, nação antiga, nação cuja língua ignoras; e não entendes o que ela fala.

16A sua aljava é como uma sepultura aberta; todos os seus homens são valentes. 17Comerão a tua sega e o teu pão, os teus filhos e as tuas filhas; comerão as tuas ovelhas e o teu gado; comerão a tua vide e a tua figueira; e com a espada derribarão as tuas cidades fortificadas, em que confias. 18Contudo, ainda naqueles dias, diz o Senhor, não vos destruirei de todo. 19Quando disserem: Por que nos fez o Senhor, nosso Deus, todas estas coisas? Então, lhes responderás: Como vós me deixastes e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa.

20Anunciai isto na casa de Jacó e fazei-o ouvir em Judá, dizendo: 21Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis. 22Não temereis a mim? — diz o Senhor; não tremereis diante de mim, que pus a areia para limite do mar,

5.22
Jó 38.8-11
limite perpétuo, que ele não traspassará? Ainda que se levantem as suas ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não o traspassarão. 23Mas este povo é de coração rebelde e contumaz; rebelaram-se e foram-se. 24Não dizem a eles mesmos: Temamos agora ao Senhor, nosso Deus, que nos dá a seu tempo a chuva, a primeira e a última, que nos conserva as semanas determinadas da sega. 25As vossas iniquidades desviam estas coisas, e os vossos pecados afastam de vós o bem.

26Porque entre o meu povo se acham perversos; cada um anda espiando, como espreitam os passarinheiros; como eles, dispõem armadilhas e prendem os homens. 27Como a gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de fraude; por isso, se tornaram poderosos e enriqueceram. 28Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. 29Não castigaria eu estas coisas? — diz o Senhor; não me vingaria eu de nação como esta?

30Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: 31os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?

6

Jerusalém será sitiada

61Fugi, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém; tocai a trombeta em Tecoa e levantai o facho sobre Bete-Haquerém, porque do lado do Norte surge um grande mal, uma grande calamidade. 2A formosa e delicada, a filha de Sião, eu deixarei em ruínas. 3Contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão suas tendas em redor, e cada um apascentará no seu devido lugar. 4Preparai a guerra contra ela, disponde-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de nós, que já declina o dia, já se vão estendendo as sombras da tarde! 5Disponde-vos, e subamos de noite e destruamos os seus castelos. 6Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Cortai árvores e levantai tranqueiras contra Jerusalém. Esta é a cidade que há de ser punida; só opressão há no meio dela. 7Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente. 8Aceita a disciplina, ó Jerusalém, para que eu não me aparte de ti; para que eu não te torne em assolação e terra não habitada.

As iniquidades de Jerusalém são a causa de sua queda

9Assim diz o Senhor dos Exércitos: Diligentemente se rebuscarão os resíduos de Israel como uma vinha; vai metendo a mão, como o vindimador, por entre os sarmentos. 10A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela. 11Pelo que estou cheio da ira do Senhor; estou cansado de a conter. Derramá-la-ei sobre as crianças pelas ruas e nas reuniões de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho, com o decrépito. 12As suas casas passarão a outrem, os campos e também as mulheres, porque estenderei a mão contra os habitantes desta terra, diz o Senhor, 13porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. 14Curam superficialmente a ferida

6.14
Jr 8.11
Ez 13.10
do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. 15Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o Senhor.

16Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma;

6.16
Mt 11.29
mas eles dizem: Não andaremos. 17Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem: Não escutaremos. 18Portanto, ouvi, ó nações, e informa-te, ó congregação, do que se fará entre eles! 19Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei. 20Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática de terras longínquas? Os vossos holocaustos não me são aprazíveis, e os vossos sacrifícios não me agradam. 21Portanto, assim diz o Senhor: Eis que ponho tropeços a este povo; neles cairão pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão.

O inimigo do Norte

22Assim diz o Senhor: Eis que um povo vem da terra do Norte, e uma grande nação se levanta dos confins da terra. 23Trazem arco e dardo; eles são cruéis e não usam de misericórdia; a sua voz ruge como o mar, e em cavalos vêm montados, como guerreiros em ordem de batalha contra ti, ó filha de Sião. 24Ao ouvirmos a sua fama, afrouxam-se as nossas mãos, angústia nos toma e dores como de parturiente. 25Não saias ao campo, nem andes pelo caminho, porque o inimigo tem espada, e há terror por todos os lados. 26Ó filha do meu povo, cinge-te de cilício e revolve-te na cinza; pranteia como por filho único, pranto de amarguras; porque, de súbito, virá o destruidor sobre nós.

O trabalho inútil de Jeremias

27Qual acrisolador te estabeleci entre o meu povo, qual fortaleza, para que venhas a conhecer o seu caminho e o examines. 28Todos eles são os mais rebeldes e andam espalhando calúnias; são bronze e ferro, são todos corruptores. 29O fole bufa, só chumbo resulta do seu fogo; em vão continua o depurador, porque os iníquos não são separados. 30Prata de refugo lhes chamarão, porque o Senhor os refugou.